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Itália promete negociar com manifestantes na cúpula do G-8 |
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21/06/2001
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A Itália adotou uma
atitude cautelosa frente à promessa de distúrbios durante a reunião de
cúpula dos países mais ricos do mundo, que acontece no mês que vem em
Gênova, dizendo que está disposta a negociar com os manifestantes, mas
não vai tolerar a violência.
Dezenas de milhares de descontentes com a globalização devem ir para a
cidade portuária do norte da Itália, entre 20 e 22 de julho, quando os chefes de governo
de Itália, EUA, França, Canadá, Alemanha, Japão, Rússia e Reino Unido estiverem
reunidos.
Gênova tem uma localização privilegiada para reunir grupos de
manifestantes de várias partes da Europa. Está ao lado da França e da Suíça e a meio
dia de viagem por terra da Alemanha, Espanha e países do Leste Europeu.
No fim-de-semana, em Gotemburgo (Suécia), os líderes da União Européia se
depararam com um cenário de violência durante os protestos, que deixaram três feridos
em confronto com a polícia.
"Queremos fazer de tudo para ter um diálogo franco e aberto com todos
eles e estamos nos organizando para isso", disse o novo chanceler italiano, Renato
Ruggiero.
"Tenho enorme respeito por essas organizações e acho que elas trazem
uma contribuição ao se manifestarem", afirmou. "Gostaríamos que esses atos
fossem passos rumo ao progresso mundial, à redução das injustiças e à melhora da
qualidade de vida", afirmou.
Ruggiero, acostumado aos protestos do tempo em que presidia a OMC
(Organização Mundial de Comércio), disse que está em contato com os grupos
antiglobalização, mas não deu detalhes.
Esse tom conciliador é diferente do discurso adotado pelo ministro dos
Serviços de Segurança, Franco Frattini, que prometeu tolerância zero contra atos de
violência, planejando até infiltrar agentes de inteligência entre os manifestantes.
A polícia italiana costuma usar cassetetes e gás lacrimogêneo para conter
protestos desse tipo. Canhões de água são raros, e balas de borracha são proibidas.
Para fugir dos tumultos, algumas reuniões da cúpula podem acontecer em um
barco ancorado no porto ou em uma base militar. O Ministério do Interior admitiu também
temores com relações a atentados.
Em Moscou o chefe da segurança pessoal do presidente Vladimir Putin disse
que o dissidente saudita Osama bin Laden poderia usar a cúpula de Gênova para atacar
George W. Bush ou outros líderes.
Mas um importante diplomata ocidental em Roma disse que, apesar de Bin Laden
aparentemente ter uma base logística na Itália, não deve tramar um atentado em Gênova.
Ele acha que o fato mais grave que pode ocorrer será um congestionamento proposital dos
sistemas de satélite, cometido por ''tecno-ativistas'' na tentativa de perturbar a
reunião.
Militantes italianos anticapitalismo disseram que se o acesso a Gênova for
fechado por terra e ar, o que deve acontecer em 19 de julho, eles planejam sair com um
frota de barcos de Nápoles e atracar na cidade fechada. "Se as potências mundiais
decidem se encontrar no mar, então é para lá que iremos", disse um deles. (Folha
Online)
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