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Brunello di Montalcino, puro-sangue italiano

22/06/2001

Garrafas de Brunello di Montalcino

 

Assada nas brasas ou no forno, a carne bovina se harmoniza com tintos maduros e de classe. Esse é o caso do vinho italiano Brunello di Montalcino, que ainda acompanha divinamente as caças e os queijos curados, como o parmesão e o pecorino. Tinto de cor vermelho-rubi, límpido e brilhante, possui aroma de violeta, baunilha e frutas do bosque, sabor seco, elegante e persistente.

   Elaborado em Montalcino, uma cidadezinha a 213 quilômetros de Roma, na região da Toscana, a mesma região do Chianti, não é vinho antigo para os padrões italianos. O Brunello di Montalcino só foi lançado oficialmente em 1888. No início do século 19, um produtor chamado Clemente Santi selecionou um clone da uva Sangiovese grosso, a mesma do Chianti. Sua filha Caterina casou com Jacopo Biondi, que continuou o trabalho. Mas seria o filho do casal, Ferrucio, quem engarrafou o vinho feito com aquela uva.

   Em 1980, o Brunello di Montalcino foi elevado à categoria de DOCG - Denominazione di Origine Controllata e Garantita. Primeiro vinho da Itália a merecer essa honraria, deriva exclusivamente da uva Brunello. O tipo "riserva" envelhece cinco anos na vinícola. De modo geral, a legislação determina que o Brunello di Montalcino permaneça em barrica durante pelo menos 24 meses. Mas esse período costuma ser prolongado, dependendo do vinho que se pretende obter e do estilo do produtor.

   O mesmo acontece com o tempo de estágio legal em garrafa, cujo mínimo oscila de quatro meses (tipo "annata") a seis meses ( "riserva"). O sucesso multiplicou produtores e marcas. Existem 141 vinhateiros que engarrafam o próprio Brunello di Montalcino. A volume é grande. Todos os anos são lançadas mais de 2 milhões de garrafas no mercado.

   É um tinto longevo, pois vive de 10 a 30 anos, embora às vezes ultrapasse essa baliza. No seu centenário, em 1988, sobreviviam quatro garrafas de Biondi Santi da safra pioneira. Três eram guardadas pela família que o criou e uma foi oferecida ao então presidente da Itália. Apesar de consideradas relíquias, dificilmente ainda conteriam um vinho potável. O Brunello di Montalcino deve ser bebido em copo de cristal transparente, bojudo e de haste alta, para liberar plenamente o bouquet harmonioso e complexo. A temperatura de serviço vai de 18ºC a 20º C. Raramente se encontrará um Brunello di Montalcino de má qualidade, mas é bom levar em conta o produtor.

   O mítico Biondi Santi, por exemplo, está com o prestígio em baixa. (O Estado de S. Paulo)


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