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Vem aí um italiano 100% brasileiro. Da Fiat

25/06/2001

 

 

Montadora italiana irá montar um centro de criação de veículos no Brasil. Com investimento de R$ 500 milhões, os carros não serão mais desenhados na Europa, mas no Brasil

   Vinte e cinco anos após o início de suas operações no País, a Fiat prepara-se para produzir o primeiro automóvel genuinamente brasileiro. Em 2003, a montadora italiana vai inaugurar um centro de desenvolvimento de produtos no Brasil.

   Serão carros mundiais, em condições de serem exportados para vários países, inclusive os europeus. Hoje, quase a totalidade dos veículos é desenvolvida pelas matrizes das montadoras, e só adaptada aos mercados locais.

   "Vamos enviar profissionais para nosso centro de desenvolvimento na Itália e também trazer técnicos de lá para treinar o pessoal", conta Gianni Coda, superintendente da Fiat. O centro exigirá um alto investimento, mas os números ainda não estão fechados. Além desse projeto, a empresa confirmou gastos médios anuais de R$ 500 milhões para os próximos quatro anos em novos produtos e equipamentos.

   A montadora - que nos últimos meses vem intercalando com a Volkswagen o primeiro lugar em vendas - promete lançar um novo carro a cada ano até 2004.

   Não se trata, diz Coda, de reestilização, mas de novos produtos em segmentos onde a marca ainda não atua ou substituição de modelos em linha.

Novos lançamentos

   Amanhã, será lançado o Uno Mille com motor Fire, um dos mais potentes do mercado. Apesar da inovação, o preço do carro, o mais baixo do mercado, será mantido. Lançado em 1984, o Uno é a prova de que o brasileiro quer carros baratos. O modelo é o terceiro mais vendido no País, atrás do Gol e do Palio. Em novembro, chega ao mercado o Doblò uma perua que disputará com os importados Kangoo e Berlingo, da Renault e Citroën, respectivamente.

   A empresa já chegou ao Brasil trilhando um caminho diferente ao se instalar em Minas Gerais, longe da rota das suas concorrentes, então concentradas na região do ABC paulista. Começou produzindo o 147, um modelo que foi bastante criticado pelos consumidores. Quem apostou que a marca demoraria a recuperar credibilidade, perdeu. Em 1984, com o lançamento do Uno, começou a avançar no mercado e, dez anos depois, tornou-se a segunda maior montadora do País, desbancando as norte-americanas General Motors e Ford.

Grande Virada

   A grande virada, na opinião do presidente da Associação Brasileira dos Concessionários de Automóveis Fiat (Abracaf), Rubens Carvalho, ocorreu em meados da década de 90, com a introdução dos carros com motor 1.0, que deram origem aos chamados populares - hoje responsáveis por mais de 70% das vendas de automóveis no Brasil.

   A empresa foi pioneira em vários projetos, como o desenvolvimento do motor a álcool, vendas pela Internet e, em breve, na criação do centro de desenvolvimento. Apesar das dificuldades atuais com a crise energética, alta do dólar e dos juros - que preocupam a economia em geral -, Coda diz estar satisfeito de poder festejar os 25 anos da Fiat com a marca em primeiro lugar em vendas de carros e comerciais leves. De janeiro a maio, a montadora contabilizou vendas no varejo de 185.430 veículos - pouco à frente dos 183.879 da Volks.

   Como em toda briga cada envolvido tem sua versão, a Volks alega que, somando os automóveis Audi produzidos na fábrica do Paraná, a liderança é sua, com 188.913 unidades vendidas. Mas a explicação não reduz a lista de motivos da Fiat para celebrar. "No início dos anos 90, tínhamos 15% de participação no mercado. Hoje temos 27,4%. Nesse período, a Fiat foi a única grande montadora que ganhou participação. As outras perderam."

   Embora conte cada ponto à frente da maior rival, Coda tenta disfarçar a importância da disputa. "Nosso objetivo não é o primeiro lugar, mas ter presença forte no mercado e uma atividade lucrativa para podermos investir cada vez mais."

   No ano passado, a filial brasileira teve resultados positivos de R$ 232,8 milhões. O montante só deve ser menor neste ano por causa da alta do dólar.

   Ainda assim, a previsão de vender 400 mil unidades no mercado interno e 90 mil no externo está mantida. (Cleide Silva, estadao.com.br)


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