Radicado na Itália há 11 anos, o cearense Bruno Pedrosa, 51, é um caso
raro entre os artistas brasileiros. Seu trabalho vende feito água nos Estados Unidos e na
Europa. Tem sido assim desde que trocou o Rio pela tranqüila Bassano del Grappa, a poucos
quilômetros de Veneza. A idéia era ficar apenas um ano fora, mas aos poucos Bruno foi
conquistando o mercado estrangeiro com suas pinturas abstratas, peças de cristal de
Murano, jóias e tapetes, e a volta ao Brasil foi ficando cada vez mais distante. No
entanto, isso não deixou que o cearense desfizesse seu laços com o país, onde expôs
pela última vez há três anos. Bruno está de volta com a mostra Os vários caminhos de
um artista, que começa hoje no Museu Nacional de Belas Artes.
''Tenho um mercado garantido no exterior. Para se ter uma idéia, vendi
metade das minhas peças de vidro na SOFA, a maior feira do gênero nos Estados Unidos'',
comemora ele, que atualmente tem obras expostas em galerias de Roma, Veneza, Alemanha e
Filadélfia. Para o Brasil, Bruno selecionou 25 pinturas a óleo, 11 peças de Murano,
oito jóias e dois tapetes. ''É uma mostra dos quatro filões a que tenho me dedicado'',
diz. A passagem pelo país e, mais especificamente pelo MNBA, vem acompanhada por uma
certa dose de nostalgia. ''Foram nas salas onde a exposição está montada que estudei
nos anos 60 e 70. Fui aluno da última turma de Belas-Artes que esteve por aqui antes de o
curso se mudar para o Fundão. Para mim, isso é o mais importante da mostra'', acredita.
Presença da cor - Com a ida para a Itália, Bruno sentiu vontade de
experimentar a cor, elemento fundamental em sua obra, em outros materiais. ''Apesar dessa
diversificação tudo no meu trabalho parte da pintura a óleo. Mas hoje todos os quatro
têm a mesma importância. Às vezes me dedico mais a um material do que a outro. Depende
do dia'', explica.
Depois da inauguração, o artista segue para Veneza, onde lança o livro
O neto do meu avô, ainda sem previsão de publicação no Brasil, em que conta sua
trajetória desde o sertão do Ceará, onde nasceu. Incluindo aí uma pausa de cinco anos
no ofício de artista plástico para uma vida de total reclusão no Mosteiro de São
Bento, período que, garante Bruno, não influenciou em nada sua carreira. ''Foi uma
experiência de vida importante, gostaria até de inventar uma história bonita sobre
isso, mas ainda não consegui'', brinca. (BOL/Agência JB)