Com 5.300 alunos e encravado num
quarteirão de 19 mil quadrados no valorizado Jardim Paulista, diante do
Parque Trianon, o Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais da
cidade, prepara uma grande festa, em outubro, em comemoração aos seus 90
anos. Mas a passagem do aniversário já começou a ser celebrada, com uma
peça sobre a história da escola, encenada até ontem. Do céu, um anjo
conversa com Dante e mostra-lhe o colégio batizado em sua homenagem.
O Dante foi criado pela colônia italiana no início do século 20.
Contribuíram para sua construção, entre outros, o conde Rodolfo Crespi,
a Società Anonima Scarpa e as Indústrias Reunidas F. Matarazzo. Para se matricular, os
interessados deveriam ter 8 anos, "ser vacinados" e aprovados em exame oral e
escrito.
Nessa época, o colégio oferecia sistema de internato e semi-internato,
de 1.ª a 8.ª séries. Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo mandou suprimir o
ensino da língua italiana e a escola passou a se chamar Visconde de São Leopoldo. A
intervenção acabou em 1946, quando o Dante passou a ter somente o regime de externato. O
ensino do italiano mantém-se até hoje.
Quatro anos depois, a instituição já abrigava 1.815 alunos.
"Mantivemos a tradição na conduta do colégio, mas não paramos no tempo," diz
o presidente do Dante, Guglielmo Raul Falzoni.
Alunos famosos
Entre ex-alunos, estão Aloysio Nunes Ferreira ministro-chefe da
Casa Civil, e Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores. O ex-presidente Jânio
Quadros foi professor de português no colégio. O apresentador Gastão Moreira não poupa
críticas ao colégio por causa da disciplina rígida. "Era um lugar retrógrado,
careta, com professores facistas."
O jurista Miguel Reale, de 90 anos, estudou no colégio quando ele ainda
se chamava Instituto Médio Dante Alighieri. "A Itália mandava professores bem
preparados e, no colégio, estudávamos A Divina Comédia." (Jornal da Tarde)