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Vôlei: Brasil, um campeão incontestável

02/07/2001

 

 


Equipe de Bernardinho destrói o bicho-papão italiano por 3 a 0 e conquista a Liga Mundial de vôlei depois de 8 anos

   KATOWICE, POLÔNIA - Com um show de vôlei, o Brasil destruiu a temida Itália com um humilhante 3 a 0 (25/15, 25/22 e 25/19) e conquistou a Liga Mundial de vôlei. A conquista é o primeiro título da seleção masculina sob o comando do técnico Bernardinho, logo em sua primeira competição, depois de promover uma renovação na equipe. Antes, o Brasil só havia conquistado a Liga Mundial em 1993. A vitória de ontem quebrou a hegemonia italiana, atual bicampeã da Liga, e detentora de 8 títulos em 12 disputas.

   Até o início da liga, foram apenas 45 dias de treino com Bernardinho e sua comissão técnica no comando. Um tempo recorde para processar uma revolução na equipe brasileira, que já apresentou o que Bernardinho prega, com um jogo de muito volume e consistência, e alto nível de defesas. O renovado Brasil acabou a competição com dois jogadores premiados entre os melhores: o novato André foi escolhido o melhor atacante e Gustavo, o melhor bloqueador. Pelas estatísticas, o líbero Escadinha foi o melhor passe e melhor defesa, e Maurício teve o melhor índice nos levantamentos.

   O show brasileiro começou logo no primeiro set. A jovem e renovada equipe de Bernardinho parecia um time de veteranos. Nem parecia importar-se com o fato de, do outro lado da quadra, estar a temível Itália. Calmos, os jogadores do Brasil mostravam repertório completo. Dentro desse repertório, destacava-se um violento saque, que fazia estrago nos italianos, que não conseguiam botar em prática uma de suas características mais marcantes, com os ataques pelo meio. E a defesa também funcionava exemplarmente, propiciando contra-ataques, sempre bem aproveitados.

   Com isso, o Brasil manteve-se sempre na frente do marcador, com boa margem de vantagem, nunca menos de quatro pontos. Com 14 a 8, o técnico italiano Andrea Anastasi já tinha esgotado seus dois tempos. Não deu jeito. Uma seqüência final de violentos saques de Nalbert conduziu o Brasil para a vitória no set por folgados 25 a 15, em 19 minutos.

   A Itália bem que tentou se ajeitar em quadra no segundo set. E, sem dúvida, melhorou, acertando seu bloqueio e marcando melhor o ataque brasileiro, além de aplicar saques curtos em Giba, tentando tirar sua velocidade, já que o atacante brasileiro fazia estragos na equipe Azurra. Mas do outro lado tinha um Brasil inspirado. E operário. Juntando o suor de seguidas defesas incríveis a tal inspiração. Ainda que sem a folga do set anterior, o Brasil manteve-se sempre na frente. Chegou a abrir três pontos em 14 a 11, mas a Itália, liderada pelo veterano ponteiro Bernardi, conseguiu tirar a diferença e empatar.

   No fim do set, a ousadia de Bernardinho, que manteve por dois rodízios a equipe sem levantador para que a altura do bloqueio fosse aumentada, foi premiada. O Brasil conseguiu abrir novamente. Em quadra, Nalbert, que já passava, defendia, sacava e atacava brilhantemente, atuou como levantador por duas passagens. E bem. Conseguida a vantagem, com 21 a 18, Maurício voltou e conduziu o Brasil até o fim do set, em 25 a 22, em 24 minutos.

   O terceiro set começou com a eterna incógnita: com 2 a 0, geralmente surge a ansiedade, ou às vezes o relaxamento. Incógnita logo desfeita com um Brasil concentrado em quadra, com o foco apontado para a vitória, para o título. Sacando com uma eficiência que ainda não tinha sido mostrada na competição, o Brasil chegou a abrir três pontos - 10 a 7. O treinador italiano ainda mudou seu oposto, trocando Giombini por Cissola, melhorando, mas não o suficiente para superar p Brasil.

   O experiente time da Itália, campeão tantas vezes, tentou a última cartada: partir para a catimba. Não foi suficiente. Como Bernardinho ressaltou, o renovado time brasileiro mostrou maturidade. Se na bola não estava dando, na catimba também não deu certo. Com 22 a 19, a Itália já estava batida na quadra, entregue à inesperada superioridade do Brasil, que só precisou administrar a vantagem construída em grande estilo e fechar o set em 25 a 19, selando o 3 a 0 e um título mais do que merecido e absolutamente incontestável para a equipe de melhor campanha na competição - 16 vitórias em 17 jogos. Um título para iniciar o ciclo olímpico com enormes e fundamentadas esperanças de ver o Brasil reviver, na Grécia-2004, o ouro olímpico de Barcelona-1992. O presidente Fernando Henrique Cardoso enviou um telegrama felicitando os campeões. (Jornal do Brasil)

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