Equipe de
Bernardinho destrói o bicho-papão italiano por 3 a 0 e conquista a Liga Mundial de
vôlei depois de 8 anos
KATOWICE, POLÔNIA - Com um show de vôlei, o Brasil destruiu a temida
Itália com um humilhante 3 a 0 (25/15, 25/22 e 25/19) e conquistou a Liga Mundial de
vôlei. A conquista é o primeiro título da seleção masculina sob o comando do técnico
Bernardinho, logo em sua primeira competição, depois de promover uma renovação na
equipe. Antes, o Brasil só havia conquistado a Liga Mundial em 1993. A vitória de ontem
quebrou a hegemonia italiana, atual bicampeã da Liga, e detentora de 8 títulos em 12
disputas.
Até o início da liga, foram apenas 45 dias de treino com Bernardinho e sua
comissão técnica no comando. Um tempo recorde para processar uma revolução na equipe
brasileira, que já apresentou o que Bernardinho prega, com um jogo de muito volume e
consistência, e alto nível de defesas. O renovado Brasil acabou a competição com dois
jogadores premiados entre os melhores: o novato André foi escolhido o melhor atacante e
Gustavo, o melhor bloqueador. Pelas estatísticas, o líbero Escadinha foi o melhor passe
e melhor defesa, e Maurício teve o melhor índice nos levantamentos.
O show brasileiro começou logo no primeiro set. A jovem e renovada equipe de
Bernardinho parecia um time de veteranos. Nem parecia importar-se com o fato de, do outro
lado da quadra, estar a temível Itália. Calmos, os jogadores do Brasil mostravam
repertório completo. Dentro desse repertório, destacava-se um violento saque, que fazia
estrago nos italianos, que não conseguiam botar em prática uma de suas características
mais marcantes, com os ataques pelo meio. E a defesa também funcionava exemplarmente,
propiciando contra-ataques, sempre bem aproveitados.
Com isso, o Brasil manteve-se sempre na frente do marcador, com boa margem de
vantagem, nunca menos de quatro pontos. Com 14 a 8, o técnico italiano Andrea Anastasi
já tinha esgotado seus dois tempos. Não deu jeito. Uma seqüência final de violentos
saques de Nalbert conduziu o Brasil para a vitória no set por folgados 25 a 15, em 19
minutos.
A Itália bem que tentou se ajeitar em quadra no segundo set. E, sem dúvida,
melhorou, acertando seu bloqueio e marcando melhor o ataque brasileiro, além de aplicar
saques curtos em Giba, tentando tirar sua velocidade, já que o atacante brasileiro fazia
estragos na equipe Azurra. Mas do outro lado tinha um Brasil inspirado. E operário.
Juntando o suor de seguidas defesas incríveis a tal inspiração. Ainda que sem a folga
do set anterior, o Brasil manteve-se sempre na frente. Chegou a abrir três pontos em 14 a
11, mas a Itália, liderada pelo veterano ponteiro Bernardi, conseguiu tirar a diferença
e empatar.
No fim do set, a ousadia de Bernardinho, que manteve por dois rodízios a
equipe sem levantador para que a altura do bloqueio fosse aumentada, foi premiada. O
Brasil conseguiu abrir novamente. Em quadra, Nalbert, que já passava, defendia, sacava e
atacava brilhantemente, atuou como levantador por duas passagens. E bem. Conseguida a
vantagem, com 21 a 18, Maurício voltou e conduziu o Brasil até o fim do set, em 25 a 22,
em 24 minutos.
O terceiro set começou com a eterna incógnita: com 2 a 0, geralmente surge
a ansiedade, ou às vezes o relaxamento. Incógnita logo desfeita com um Brasil
concentrado em quadra, com o foco apontado para a vitória, para o título. Sacando com
uma eficiência que ainda não tinha sido mostrada na competição, o Brasil chegou a
abrir três pontos - 10 a 7. O treinador italiano ainda mudou seu oposto, trocando
Giombini por Cissola, melhorando, mas não o suficiente para superar p Brasil.
O experiente time da Itália, campeão tantas vezes, tentou a última
cartada: partir para a catimba. Não foi suficiente. Como Bernardinho ressaltou, o
renovado time brasileiro mostrou maturidade. Se na bola não estava dando, na catimba
também não deu certo. Com 22 a 19, a Itália já estava batida na quadra, entregue à
inesperada superioridade do Brasil, que só precisou administrar a vantagem construída em
grande estilo e fechar o set em 25 a 19, selando o 3 a 0 e um título mais do que merecido
e absolutamente incontestável para a equipe de melhor campanha na competição - 16
vitórias em 17 jogos. Um título para iniciar o ciclo olímpico com enormes e
fundamentadas esperanças de ver o Brasil reviver, na Grécia-2004, o ouro olímpico de
Barcelona-1992. O presidente Fernando Henrique Cardoso enviou um telegrama felicitando os
campeões. (Jornal do Brasil) |