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Ennio Morricone fala sobre a música para o cinema

02/07/2001

O compositor Ennio Morricone Foto AP

 

Uma nova candidatura ao Oscar pela trilha sonora de Malena na edição passada do Oscar e a recente estréia de Vatel, filme no qual reencontramos o diretor de A Missão, Roland Joffé, fazem de Ennio Morricone um compositor cuja música está sempre na atualidade.

   Já são mais de 400, as trilhas sonoras compostas por este artista italiano que já trabalhou com alguns dos melhores diretores do mundo como Bernardo Bertolucci, Adrian Lyne, Zeferelli, Pier Paolo Pasolini, Sergio Leone e Pedro Almodóvar.

   Por isso, não duvida em assegurar que "a música para o cinema é música com maiúsculas, ainda que seja uma arte aplicada a outra arte", segundo manifestou em uma entrevista.

   A música de Vatel - quarta colaboração com Joffé depois de A Missão, Shadowmakers e City of Joy-, une-se agora a títulos como Cinema Paradiso, Ata-me, Novecento, El Decamerón, La muerte tenía un precio e Fistful of Dollars, filme com o qual conseguiu seu primeiro grande sucesso, ao lado de Sergio Leone no começo dos anos 60.

   "Nunca viajei para Almería para conhecer o ambiente das filmagens dos 'spaguetti western' de Leone porque, na verdade, meu trabalho é muito independente. Eu primeiro apresento uma proposta ao diretor e a discuto, uma vez aceita, a corrijo e voltamos a ver-la, logo depois, passamos a gravá-la", comentou.

   Para Morricone, "a música do cinema é música de nosso tempo, uma época dominada pela imagem. É daí que vem o novo sucesso da ópera".

   Para Morricone ele não acredita que "as trilhas sonoras serão convertidas na música clásica do futuro, porque a clássica é absoluta por sí mesma e a do cinema está condicionada. As trilhas sonoras formam parte de um gênero interno das subdivisões da estrutura da música contemporânea".

   Aos 73 anos, nascido em Roma em 1928, Morricone não duvida em dizer que "a música mais apropriada para um filme não existe". "Se um roteiro de um longa-metragem for destinado a cinco compositores, sem dúvida os cinco escreverão algo distinto, mas qualquer das criações servirão para o filme porque seriam cinco visões diferentes e igualmente válidas", remarca.

   "Igualmente - assegura - não se pode eleger uma trilha sonora como a melhor ou um compositor, porque a música é uma arte abstrata e se Mozart, para im, é o melhor do mundo, para outros é Verdi e para outros Bach. Em meu caso, se me pedem que escolha um dos filmes que trabalhei, tenho que dizer que todos são bons porque os fiz com consciência".

   Morricone concorreu ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original em cinco ocasiões, por Days of Heaven, de Terence Malick (1978); The Mission (1987), de Roland Joffé; The Untouchables (1988), de Brian de Palma; Bugsi (1991), de Barry Levinson e Malena (2001), de Tornatore.

   "O importante do Oscar é ser candidato, porque essa é a votção que exerce todos os músicos que compoem trilhas sonoras, e é uma honra que seus própios companheiros te elejam. Já no resultado final participa muita gente que nem sequer viu o filme, ou se viu, não prestou atenção na música, declara.

   O compositor, que é considerado o Mozart do cinema, já ganhou vários Grammy e reconhece que atualmente as grandes produções americanas "incluem muito ruido nas trilhas sonoras". (Efe/Terra)

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