Uma nova candidatura ao Oscar pela trilha sonora
de Malena
na edição passada do Oscar e a recente estréia de Vatel, filme no qual
reencontramos o diretor de A Missão, Roland Joffé, fazem de Ennio Morricone um
compositor cuja música está sempre na atualidade.
Já são mais de 400, as trilhas sonoras compostas por este artista
italiano que já trabalhou com alguns dos melhores diretores do mundo como Bernardo
Bertolucci, Adrian Lyne, Zeferelli, Pier Paolo Pasolini, Sergio Leone e Pedro Almodóvar.
Por isso, não duvida em assegurar que "a música para o cinema é
música com maiúsculas, ainda que seja uma arte aplicada a outra arte", segundo
manifestou em uma entrevista.
A música de Vatel - quarta colaboração com Joffé depois de A
Missão, Shadowmakers e City of Joy-, une-se agora a títulos como Cinema
Paradiso, Ata-me, Novecento, El Decamerón, La muerte tenía
un precio e Fistful of Dollars, filme com o qual conseguiu seu primeiro grande
sucesso, ao lado de Sergio Leone no começo dos anos 60.
"Nunca viajei para Almería para conhecer o ambiente das filmagens
dos 'spaguetti western' de Leone porque, na verdade, meu trabalho é muito independente.
Eu primeiro apresento uma proposta ao diretor e a discuto, uma vez aceita, a corrijo e
voltamos a ver-la, logo depois, passamos a gravá-la", comentou.
Para Morricone, "a música do cinema é música de nosso tempo, uma
época dominada pela imagem. É daí que vem o novo sucesso da ópera".
Para Morricone ele não acredita que "as trilhas sonoras serão
convertidas na música clásica do futuro, porque a clássica é absoluta por sí mesma e
a do cinema está condicionada. As trilhas sonoras formam parte de um gênero interno das
subdivisões da estrutura da música contemporânea".
Aos 73 anos, nascido em Roma em 1928, Morricone não duvida em dizer que
"a música mais apropriada para um filme não existe". "Se um roteiro de um
longa-metragem for destinado a cinco compositores, sem dúvida os cinco escreverão algo
distinto, mas qualquer das criações servirão para o filme porque seriam cinco visões
diferentes e igualmente válidas", remarca.
"Igualmente - assegura - não se pode eleger uma trilha sonora como a
melhor ou um compositor, porque a música é uma arte abstrata e se Mozart, para im, é o
melhor do mundo, para outros é Verdi e para outros Bach. Em meu caso, se me pedem que
escolha um dos filmes que trabalhei, tenho que dizer que todos são bons porque os fiz com
consciência".
Morricone concorreu ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original em cinco
ocasiões, por Days of Heaven, de Terence Malick (1978); The Mission (1987),
de Roland Joffé; The Untouchables (1988), de Brian de Palma; Bugsi (1991),
de Barry Levinson e Malena (2001), de Tornatore.
"O importante do Oscar é ser candidato, porque essa é a votção
que exerce todos os músicos que compoem trilhas sonoras, e é uma honra que seus própios
companheiros te elejam. Já no resultado final participa muita gente que nem sequer viu o
filme, ou se viu, não prestou atenção na música, declara.
O compositor, que é considerado o Mozart do cinema, já ganhou vários
Grammy e reconhece que atualmente as grandes produções americanas "incluem muito
ruido nas trilhas sonoras".
(Efe/Terra)