Retornar ao índice ItaliaOggi

Notizie d'Italia

 

Argentina não deverá extraditar ex-torturador

04/07/2001

 

 

Janaína Figueiredo
Correspondente

   BUENOS AIRES. Como era esperado, o governo do presidente argentino Fernando de la Rúa deixou claro ontem que não pretende autorizar a extradição do ex-capitão da Marinha Alfredo Astiz. Também conhecido como o Anjo Louro e um dos principais símbolos da repressão militar, Astiz é acusado pela Justiça italiana de ter participado do seqüestro e do assassinato de três ítalo-argentinos durante a ditadura (1976-1983).

   — Os delitos cometidos na Argentina devem ser julgados por juízes argentinos — disse o ministro da Defesa, Horácio Jaunarena.

   Astiz está detido desde domingo, quando se entregou voluntariamente à Polícia Federal. A ordem de prisão do Anjo Louro — apelido atribuído ao ex-torturador nos anos 70, quando se infiltrou na Associação das Mães da Praça de Maio — fora dada pela juíza Maria Servini de Cubría, na sexta-feira. Ontem Astiz foi interrogado durante meia-hora por Servini, e negou todas as acusações.

   Vestido com o mesmo terno azul do dia da detenção, o ex-capitão-de-fragata disse nada saber sobre o desaparecimento de Juan Pegoraro e sua filha, Susana, e de Angela Aietta, seqüestrados após o golpe de 76. Susana estava grávida, e segundo versões extra-oficiais teria dado à luz na Escola de Mecânica da Armada (Esma), principal centro de tortura dos anos de chumbo. Sua filha seria Evelyn Vázquez, que foi criada pelo ex-oficial da Marinha Policarpo Vázquez.

   Segundo pesquisa publicada pelo jornal “La Nación”, 61% dos argentinos acham que Astiz deveria ser extraditado. As declarações de Jaunarena, entretanto, não surpreenderam as organizações de direitos humanos. No ano passado, o militar da reserva Jorge Olivera, suspeito de matar a francesa Anne Marie Erize, foi detido em Roma e liberado a pedido do governo argentino, que rechaçou a extradição solicitada pela França.

   De acordo com a secretária de Direitos Humanos, Diana Conti, o julgamento de Astiz será inevitável, seja na Argentina ou na Itália, já que seu caso implica, indiretamente, o roubo de um bebê, delito que não prescreveu. (O Globo)

Pesquise no Site ou Web

Google
Web ItaliaOggi

Publicidade
 
Notizie d'Italia | Gastronomia | Migrazioni | Cidadania | Home ItaliaOggi