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Itália e Ceará querem ampliar comércio

05/07/2001

 

 

Lisiane Mossmann

Comitiva italiana de 10 empresários e políticos visita o Ceará para conhecer as pontecialidades estaduais. Hoje, o Estado tem dois investimentos: o curtume Bermas, que consumiu R$ 20 milhões e a empresa de pré-moldados Concretópolis, que será inaugurada amanhã, com recursos da ordem de R$ 10 milhões.

  A Itália é o terceiro maior comprador dos produtos cearenses, perde somente para os Estados Unidos (49,73%) e Argentina (9,12%). No ano passado, os italianos importaram US$ 26,22 milhões, o que representa 5,30% da pauta do Estado de US$ 495,09 milhões. De lá, são consumidos pelo Ceará US$ 24,26 milhões, 3,38% das importações de US$ 717,7 milhões, de 2000. Para intensificar a balança comercial entre Ceará e Itália, uma comitiva de 10 empresários e políticos está conhecendo as potencialidades estaduais, que já comporta dois grandes investimentos: o do curtume Bermas, de R$ 20 milhões, em funcionamento desde 1999, e a de pré-moldados Concretópolis do Nordeste, que consumiu R$ 10 milhões, que será inaugurada amanhã, em Maracanaú.

   A comitiva formada por empresários dos segmentos de bens de capitais, curtumes, mobiliário, construção civil, equipamentos agrícolas e de calçados esteve ontem na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) numa reunião com secretário de estadual de Desenvolvimento e Turismo, Raimundo Viana e com o presidente da Fiec, Jorge Parente. O grupo permanece até sexta-feira, visitando os empreendimentos cearenses.

   De acordo com Viana, o Ceará quer atrair investimentos nas áreas de mão-de-obra intensiva, metal-mecânica e inteligência artificial. ``O Estado vem contatando mais de perto com empreendedores italianos há três anos, participando de feiras e em visitas periódicas, como a feita em abril último'', afirmou. Em setembro, um novo grupo de empresários do Ceará deve voltar à Itália, no Veneto. A região foi escolhida para iniciar o intercâmbio porque em pouco tempo conseguiu aumento o índice de desenvolvimento, baseado no apoio a pequena e média indústria. ``O Ceará também tem apostado nas pequenas e médias empresas'', disse Parente.

   Davide Poletto, do grupo Poletto, formado por 12 empresas do ramo de equipamentos para curtumes e de fundição de metal, que fatura anualmente US$ 700 milhões, faz parte da comitiva italiana. A empresa, no último ano, exportou cerca de US$ 2 milhões em máquinas. A marca foi responsável pela montagem do curtume Bermas e está desenvolvendo agora tecnologia para empresas de Goiás e Bahia. ``Temos interesse em estreitar as relações comerciais com o Brasil - que está na sétima colocação na pauta das vendas externas da empresa'', disse.

   O industrial Orso Carlo, da IALC Serramenti, também está interessado em negócios no Brasil. A empresa produz esquadrias metálicas para janelas, fachadas de vidros e estruturas metálicas. Com faturamento de US$ 7,5 milhões por ano, a empresa exporta somente para Alemanha, França e Rússia. ``Essa é a primeira vez que venho ao Ceará para conhecer mais de perto a produção industrial do País'', disse Carlo.

   Hoje, o Bermas, empresa formada pelos grupos Mastrotto e Bertim, é responsável por 80% das exportações cearenses para a Itália. Os demais 20% embarcados, de acordo com o Centro de Negócios Internacionais (CIN) da Fiec, ficam divididos entre os setores de calçados, granito, confecções e castanha de caju. De acordo com Viana, o Bermas anos passado exportou US$ 50 milhões em peles e deve chegar ao final deste ano aos US$ 75 milhões.

   Já a Concretópolis finalizou a primeira etapa de construção e por isso será inaugurada amanhã. A empresa já funciona desde ano passado, com a produção de 250 metros cúbicos por dia. A meta para 2002 é aumentar a produção para 500 metros cúbicos diários, e dobrar o faturamento de R$ 5 milhões ainda este ano. (O Povo)

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