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Lisiane Mossmann
Comitiva italiana de 10 empresários e políticos
visita o Ceará para conhecer as pontecialidades estaduais. Hoje, o Estado tem dois
investimentos: o curtume Bermas, que consumiu R$ 20 milhões e a empresa de pré-moldados
Concretópolis, que será inaugurada amanhã, com recursos da ordem de R$ 10 milhões.
A Itália é o terceiro maior comprador dos
produtos cearenses, perde somente para os Estados Unidos (49,73%) e Argentina (9,12%). No
ano passado, os italianos importaram US$ 26,22 milhões, o que representa 5,30% da pauta
do Estado de US$ 495,09 milhões. De lá, são consumidos pelo Ceará US$ 24,26 milhões,
3,38% das importações de US$ 717,7 milhões, de 2000. Para intensificar a balança
comercial entre Ceará e Itália, uma comitiva de 10 empresários e políticos está
conhecendo as potencialidades estaduais, que já comporta dois grandes investimentos: o do
curtume Bermas, de R$ 20 milhões, em funcionamento desde 1999, e a de pré-moldados
Concretópolis do Nordeste, que consumiu R$ 10 milhões, que será inaugurada amanhã, em
Maracanaú.
A comitiva formada por empresários dos segmentos de bens de capitais,
curtumes, mobiliário, construção civil, equipamentos agrícolas e de calçados esteve
ontem na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) numa reunião com
secretário de estadual de Desenvolvimento e Turismo, Raimundo Viana e com o presidente da
Fiec, Jorge Parente. O grupo permanece até sexta-feira, visitando os empreendimentos
cearenses.
De acordo com Viana, o Ceará quer atrair investimentos nas
áreas de mão-de-obra intensiva, metal-mecânica e inteligência artificial. ``O Estado
vem contatando mais de perto com empreendedores italianos há três anos, participando de
feiras e em visitas periódicas, como a feita em abril último'', afirmou. Em setembro, um
novo grupo de empresários do Ceará deve voltar à Itália, no Veneto. A região foi
escolhida para iniciar o intercâmbio porque em pouco tempo conseguiu aumento o índice de
desenvolvimento, baseado no apoio a pequena e média indústria. ``O Ceará também tem
apostado nas pequenas e médias empresas'', disse Parente.
Davide Poletto, do grupo Poletto, formado por 12 empresas do ramo de
equipamentos para curtumes e de fundição de metal, que fatura anualmente US$ 700
milhões, faz parte da comitiva italiana. A empresa, no último ano, exportou cerca de US$
2 milhões em máquinas. A marca foi responsável pela montagem do curtume Bermas e está
desenvolvendo agora tecnologia para empresas de Goiás e Bahia. ``Temos interesse em
estreitar as relações comerciais com o Brasil - que está na sétima colocação na
pauta das vendas externas da empresa'', disse.
O industrial Orso Carlo, da IALC Serramenti, também está interessado em
negócios no Brasil. A empresa produz esquadrias metálicas para janelas, fachadas de
vidros e estruturas metálicas. Com faturamento de US$ 7,5 milhões por ano, a empresa
exporta somente para Alemanha, França e Rússia. ``Essa é a primeira vez que venho ao
Ceará para conhecer mais de perto a produção industrial do País'', disse Carlo.
Hoje, o Bermas, empresa formada pelos grupos Mastrotto e
Bertim, é responsável por 80% das exportações cearenses para a Itália. Os demais 20%
embarcados, de acordo com o Centro de Negócios Internacionais (CIN) da Fiec, ficam
divididos entre os setores de calçados, granito, confecções e castanha de caju. De
acordo com Viana, o Bermas anos passado exportou US$ 50 milhões em peles e deve chegar ao
final deste ano aos US$ 75 milhões.
Já a Concretópolis finalizou a primeira etapa de construção e por isso
será inaugurada amanhã. A empresa já funciona desde ano passado, com a produção de
250 metros cúbicos por dia. A meta para 2002 é aumentar a produção para 500 metros
cúbicos diários, e dobrar o faturamento de R$ 5 milhões ainda este ano. (O Povo) |