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Gênova aguarda a reunião de cúpula do G8

09/07/2001

 

 

A cidade portuária de Gênova, que sediará a próxima reunião de cúpula do G8, nos dias 21 e 22, lembra uma cidade sitiada, devido aos milhares de policiais e ao esquema de segurança montado pelo governo italiano. Os militantes contrários à globalização ganharam uma primeira batalha nos meios de comunicação, uma vez que o governo italiano anunciou a possibilidade de os oito grandes do planeta (sete países mais ricos e a Rússia) dormirem em um barco em pleno porto, protegidos dos manifestantes.

   As pichações anarquistas tomaram os muros da cidade e o centro histórico transformou-se em uma "zona vermelha", onde, para entrar, é necessário um passe especial e onde os controles de identificação se multiplicaram. Massimiliano Morettini, membro do não-violento Genoa Social Forum, resume o sentimento de vitória: "Pedir que não estejamos em Gênova durante a reunião de cúpula é como ter pedido aos berlinenses que abandonassem a cidade durante a queda do muro".

   A contra-reunião "Outro Mundo é Possível" terá início no dia 16, perto da Feira de Exposições de Gênova. No dia 21, está prevista a presença de 100 mil pessoas. A polícia italiana não quer que se repitam as imagens da reunião de cúpula européia de Gotemburgo (Suécia), em meados de junho. Dificultando o trabalho policial, o Centro de Gênova é formado por um labirinto de ruas estreitas, difíceis de se vigiar. Os serviços de segurança ergueram barreiras de concreto para dificultar o acesso à "cidade proibida". Bueiros foram tapados, assim como as pequenas janelas dos belos palácios hoje ocupados pelos bancos da cidade.

   Uma das principais estações de trem de Gênova, Brignole, permanecerá aberta, assim como a auto-estrada. Já o aeroporto Cristóvão Colombo estará, ao menos oficialmente, fechado durante o evento. No que diz respeito à publicidade da reunião, o governo italiano terá no dia 13 um encontro, em Roma, com personalidades de todo o planeta, e o presidente Carlo Azeglio Ciampi receberá 20 chefes de Estado africanos. No Genoa Social Forum, convocado por mil associações, se reunirão nomes como Rigoberta Menchú, ganhadora do prêmio Nobel da Paz em 1992, e Don Gallo, figura carismática da esquerda cristã. (Terra/AFP)

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