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A cidade portuária de Gênova, que sediará a
próxima reunião de cúpula do G8, nos dias 21 e 22, lembra uma cidade
sitiada, devido aos milhares de policiais e ao esquema de segurança
montado pelo governo italiano. Os militantes contrários à globalização
ganharam uma primeira batalha nos meios de comunicação, uma vez que o
governo italiano anunciou a possibilidade de os oito grandes do planeta
(sete países mais ricos e a Rússia) dormirem em um barco em pleno porto,
protegidos dos manifestantes.
As pichações anarquistas tomaram os muros da cidade e o centro
histórico transformou-se em uma "zona vermelha", onde, para entrar, é
necessário um passe especial e onde os controles de identificação se multiplicaram.
Massimiliano Morettini, membro do não-violento Genoa Social Forum, resume o sentimento de
vitória: "Pedir que não estejamos em Gênova durante a reunião de cúpula é como
ter pedido aos berlinenses que abandonassem a cidade durante a queda do muro".
A contra-reunião "Outro Mundo é Possível" terá início no
dia 16, perto da Feira de Exposições de Gênova. No dia 21, está prevista a presença
de 100 mil pessoas. A polícia italiana não quer que se repitam as imagens da reunião de
cúpula européia de Gotemburgo (Suécia), em meados de junho. Dificultando o trabalho
policial, o Centro de Gênova é formado por um labirinto de ruas estreitas, difíceis de
se vigiar. Os serviços de segurança ergueram barreiras de concreto para dificultar o
acesso à "cidade proibida". Bueiros foram tapados, assim como as pequenas
janelas dos belos palácios hoje ocupados pelos bancos da cidade.
Uma das principais estações de trem de Gênova, Brignole, permanecerá
aberta, assim como a auto-estrada. Já o aeroporto Cristóvão Colombo estará, ao menos
oficialmente, fechado durante o evento. No que diz respeito à publicidade da reunião, o
governo italiano terá no dia 13 um encontro, em Roma, com personalidades de todo o
planeta, e o presidente Carlo Azeglio Ciampi receberá 20 chefes de Estado africanos. No
Genoa Social Forum, convocado por mil associações, se reunirão nomes como Rigoberta
Menchú, ganhadora do prêmio Nobel da Paz em 1992, e Don Gallo, figura carismática da
esquerda cristã. (Terra/AFP) |