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ARAUJO
NETTO
ROMA - A partir de hoje, os únicos
autorizados a caminhar pelo centro de Gênova serão os 15 mil policiais encarregados de
defender a cidade dos contestadores da globalização. No maior centro histórico da
Europa, formado por ruas, becos, palácios e um porto construído há mais de oito
séculos, até os moradores serão vistos e tratados como indesejáveis.
Antecipando-se às
três marchas programadas para hoje pelo ''povo de Seattle e Porto Alegre'' - a primeira
pelos emigrantes, a segunda contra as grades e barreiras de isolamento e a terceira de
''desobedientes'' vindos de todo o mundo - lojas, bares, ateliês e escritórios ficaram
fechados, mas não sem dar uma satisfação aos clientes. Chiuso causa G8,
''fechado por causa do G8'', informavam os cartazes.
Bombas - O problema não está só em Gênova. Roma, Milão, Bolonha e Treviso também
sofreram por causa do encontro de cúpula. As principais cidades da Itália foram
dominadas pela síndrome das bombas terroristas. Síndrome que, na véspera, já tinha
feito uma vítima: um jovem carabineiro que por pouco não perdeu um olho, ao abrir uma
carta contendo uma bomba de plástico incendiária.
Em Milão, a mais de 200 quilômetros de Gênova, uma jornalista escapou por pouco ao
abrir um envelope dirigido a Emilio Fede, diretor da Rete Quattro, que não se
cansa de afirmar o profundo amor que sente pelo proprietário da emissora de TV e
primeiro-ministro Silvio Berlusconi. A carga explosiva contida no envelope fora mal
colocada. Detonando, causou-lhe uma leve queimadura no braço direito.
Quase na mesma hora, no escritório central da multinacional Benetton, em Treviso, uma
outra bomba incendiária posta dentro de um envelope foi entregue a policiais que a
desativaram a tempo de evitar danos.
Ecstasys - Em Bolonha, a tragédia maior não aconteceu porque o telefonema que
denunciou a presença de uma grande quantidade de entorpecentes dentro de uma caixa postal
foi logo interpretado como uma arapuca pelos policiais que, desconfiados, foram ao local
indicado acompanhados por peritos. O que se achou foi uma bomba de alto poder destrutivo,
ligada a um saco plástico cheio de pílulas de ecstasys, também desativada a tempo.
Em Roma, a irritação dos romanos se manifestou contra as excessivas medidas de
segurança responsáveis por um dia de caos na cidade. (Jornal do Brasil)
| Prévia do G-8 debate crise
no Oriente Médio ROMA - A crise no Oriente Médio foi o tema central da
reunião dos ministros das Relações Exteriores dos países que formam o bloco do G-8, os
sete mais industrializados e a Rússia, ontem, em Roma. O encontro dos ministros, que
termina hoje, antecede a reunião de cúpula dos presidentes e primeiro-ministros que
começa amanhã, em Gênova, com duração prevista para três dias.
''Há um consenso amplo de que o tempo está se esgotando'', disse o ministro italiano das
Relações Exteriores, Renato Ruggiero, sobre a crise no Oriente Médio. ''Alguém tem de
fazer alguma coisa''.
Paciência - Da mesma forma, o ministro francês, Hubert Vedrine, disse que ''a
paciência internacional está se esgotando''. Segundo Vedrine, os ministros concordaram
que palestinos e israelenses têm de colocar em prática as sugestões do plano de paz
elaborado pelo ex-senador americano George Mitchell. Ainda sobre o problema, os ministros
sugeriram o envio de observadores internacionais à região. Sobre este tema Israel não
concorda e os EUA são reticentes.
Antes do encontro dos oito ministros (Itália, França, Japão, Grã-Bretanha, Rússia,
Alemanha, EUA e Canadá), seis deles - as exceções foram Japão e Canadá - se reuniram
para discutir o conflito na Macedônia. Os russos mais uma vez reclamaram da postura do
Ocidente, segundo eles, condescendente com os albaneses. ''Estamos muito preocupados com
os perigosos acontecimentos na Macedônia, por causa de atividades terroristas
provenientes do Kosovo'', disse o ministro Igor Ivanov.
Pela manhã, Ivanov e o secretário de Estado americano, Colin Powell - cujo cargo
equivale ao de ministro - discutiram o projeto dos EUA de um escudo antimísseis. Ivanov
pediu mais explicações ao governo americano sobre o projeto militar.
Temas - Outros assuntos foram discutidos em uma prévia do que pode ser a reunião de
cúpula do G-8. Além das crises no Oriente Médio e na Macedônia e o escudo
antimísseis, os presidentes e primeiro-ministros dos sete países mais industrializados e
a Rússia deverão debater o perdão da dívida dos países mais pobres; a implementação
do protocolo de Kyoto, que pretende regular a emissão de gás carbônico na atmosfera;
uma nova rodada de liberalização do comércio internacional; e questões de saúde e
educação. Os líderes anunciarão a criação de um fundo internacional de combate a
doenças como a Aids e a tuberculose, que já arrecadou cerca de US$ 1 bilhão. (Jornal do
Brasil) |
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