MILÃO (Reuters) - A Itália não tem planos em devolver o obelisco de
três mil anos retirado da Etiópia em 1937 sob ordens de Benito
Mussolini, afirmou um autoridade italiana.
"Até onde sei, o obelisco deve ficar aqui", afirmou à Reuters
o sub-secretário de cultura Vittorio Sgarbi.
Ele disse que o obelisco, tomado da cidade santa de Axum quando a Etiópia
estava sob comando da Itália, "naturalizou-se" italiano pois está no país há
mais de 50 anos.
"O mais importante é a integridade desta obra de arte", disse
Sgarbi. "Mover o obelisco significaria quebrá-lo, causando avarias", completou.
A declaração do sub-secretário contraria os etíopes, que têm
repetidamente irritado-se pela Itália não ter devolvido o monumento apesar de sinalizar
que iria.
"A posição da Etiópia é bastante firme: a devolução não deve
ser atrasada", afirmou o ministro de Relações Exteriores, chefe dos assuntos
europeus e norte-americanos, Girum Abaye, em uma declaração no domingo.
O governo italiano já prometeu a devolução do monumento de 24 metros e
160 toneladas, mas não tomou medidas para realizar o transporte.
O obelisco está localizado em frente à Organização de Agricultura e
Alimentação (FAO) da ONU, perto do Coliseu.
A Itália assinou primeiramente um acordo com a ONU em 1947 e um com a
Etiópia em 1997 para entrega de todas peças históricas saqueadas, incluindo o obelisco
Axum. (ZIP Notícias)