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Dicionário das Famílias Brasileiras de Carlos Eduardo Barata e
Cunha Bueno, Edição do Autor, dois volumes, 2.721 páginas.
Leticia Helena
É um trabalho de peso: dois volumes, de quatro quilos cada, para contar a
história de italianos, japoneses, portugueses, espanhóis, árabes e africanos que
formaram a nação brasileiral. O segundo lançamento da série Dicionários de Famílias
Brasileiras, de autoria do historiador Carlos Eduardo Barata e do deputado Cunha Bueno
(PPB-SP), chega às livrarias contando as origens de 17,5 mil sobrenomes em 2.721
páginas. Uma obra de fôlego, mas ainda longe de abranger o universo nacional de
sobrenomes.
Somando esses dois volumes com os dois que publicamos no ano
passado, chegamos a, no máximo, 10% dos sobrenomes que temos em nossos bancos de dados.
No ano que vem, vamos lançar mais cinco tomos. Com isso, chegaremos a uns 20% diz
Barata.
Nesses 10%, estão figuras ilustres como o piloto Rubinho Barrichello, a
atriz Ana Paula Arosio, ambos descendentes de imigrantes italianos, ou o apresentador
Sílvio Santos, de origem judaica. Mas faltam outras celebridades, como o tenista Gustavo
Kuerten e a modelo Gisele Bündchen, por exemplo. Na lista de anônimos, porém, o
dicionário traz uma novidade: 1,6 mil famílias japonesas.
A colônia japonesa ficou muito orgulhosa. Para eles, estar nesse
dicionário equivale a ser admitido como um cidadão brasileiro observa o
historiador.
O orgulho da colônia se transformou em trabalho. Barata e Cunha Bueno
preparam, para 2003, um dicionário listando as famílias japonesas que vieram para o
Brasil. A obra terá, por exemplo, a lista de imigrantes por cada vapor que aportou por
aqui. E não falta material de pesquisa.
As diversas colônias espalhadas pelo Brasil estão se mobilizando
para arrumar documentos com as famílias de imigrantes. Até jornais japoneses fizeram
reportagens sobre o dicionário e conclamaram a comunidade a ajudar na pesquisa para o
volume sobre os imigrantes conta Barata.
Nos dois volumes que chegaram agora às livrarias, aparecem as famílias que
vieram para o Brasil no século XX. Os dois primeiros livros listavam apenas as famílias
que vieram para cá dos séculos XVI ao XIX, o que incluía portugueses e africanos. As
famílias indígenas também eram citadas.
Apesar de representarem um período restrito, os dois primeiros volumes foram
um sucesso: venderam três mil cópias, a R$ 400 cada. Além disso, dois mil exemplares
foram doados a bibliotecas e embaixadas brasileiras. Os autores conseguiram baratear a
produção. Mais uma vez, uma parte da tiragem será doada a entidades públicas.
Os dicionários já têm filhotes. Além da listagem das famílias japonesas,
Barata trabalha numa coleção batizada de série municipal. Ele está recolhendo
informações sobre as famílias de cidades do Vale do Paraíba (Vassouras, Valença, Pati
de Alferes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul) para edições regionais.
A dupla de dicionaristas investe ainda num projeto eletrônico. Com auxílio
de uma empresa de geoprocessamento de dados, Barata e Cunha Bueno preparam uma versão
multimídia de todos os volumes de seus dicionários o que inclui os cinco livros
previstos para maio de 2002. Pela internet, será possível descobrir a origem de uma
família, descobrir onde seus descendentes moram e, quem sabe, ver fotos. Um trabalho
praticamente inédito no mundo: apenas na Itália existe uma consulta on-line.
Você digita o nome da família e aparecem os estados onde vivem
descendentes. Clicando no estado, surgem os municípios e assim por diante. De cada
cidade, citaremos informações geográficas e atrações turísticas. Será possível,
por exemplo, descobrir que os Silva moram em Petrópolis, onde fica o Museu Imperial
conta Barata.
Nos dois volumes de 2001, algumas famílias mereceram verbetes maiores. Foi o
caso dos Gracie, dos Junqueira, dos Miranda Jordão e dos Magalhães. Os descendentes de
armênios e libaneses também foram contemplados. Para 2003, será a vez dos italianos.
Barata e Cunha Bueno já contrataram um consultor na Itália para descobrir a origem dos
30 mil sobrenomes italianos registrados em terras brasileiras. O objetivo é criar um elo
entre o país de nascimento e o país de adoção.
As pessoas ficam envaidecidas quando abrem o dicionário e encontram
seu sobrenome. O mais interessante é que nosso trabalho independe de classes sociais. É
a verdadeira sociedade brasileira brinca o historiador. (O GLOBO)
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