Retornar ao índice ItaliaOggi

Notizie d'Italia

 

Veneza confirma Salles na disputa ao Leão de Ouro

30/07/2001

 

 

Roma - O filme de Walter Salles Abril Despedaçado foi confirmado entre os 20 títulos que participarão da mostra competitiva da 58º Festival de Cinema de Veneza, de 29 de agosto a 8 de setembro. Na lista anunciada pela organização, aparecem também o espanhol Alejandro Amenábar, com Los Otros, o português João Botelho, com Quem És Tu?, o inglês Ken Loach, com The Navigators, a indiana Mira Nair, com Monsoon Wedding, além de produções do Irã, México, Itália, França, Hong Kong, Israel, Coréia do Sul, Romênia, Áustria e Estados Unidos. Outro filme brasileiro, Dias com Nietzsche, de Julio Bressane, será exibido em mostra paralela.

   O festival italiano testa em 2001 um novo formato. Além da mostra principal, o evento lançou uma segunda competição dedicada a novas tendências do cinema, que também terá 20 participantes. Somados aos títulos das mostras não-competitivas, serão exibidos 140 produções ao longo dos 11 dias do evento.

   Entre as atrações fora de competição, estão o polêmico A.I., projeto de Stanley Kubrick concluído por Steven Spielberg, The Curse of the Jade Scorpion, novo filme de Woody Allen estrelado por Helen Hunt, uma retrospectiva do diretor polonês Andrzej Munk e a estréia mundial de L´Anglaise et le Duc, do francês Eric Rohmer, que receberá durante o evento o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira. (estadao.com.br)

 

Walter Salles luta para levar "Abril" a Veneza

FRANCESCA ANGIOLILLO


   Se durante a concepção de "Abril Despedaçado" Walter Salles girou a moenda para pôr o romance do albanês Ismail Kadaré no sertão brasileiro, agora ele deve estar querendo é girar os ponteiros do relógio -para trás.

   Explica-se: "Abril" recebeu o convite, há 15 dias, em NY, para participar da mostra competitiva do Festival de Veneza, que vai de 29 de agosto a 8 de setembro.
Só que Salles, 45, esperava ter até 15 de setembro para finalizar "Bolandeira" -a palavra, que designa uma roda usada em engenhos, dá nome do filme na Europa. Já houve, em 1987, uma produção francesa com o título "Avril Brisé", dirigida por Liria Bégéja e baseada no mesmo livro.

   "E, por outro lado, "A Bolandeira" é o título de um documentário do Vladimir Carvalho, não seria correto", explica Salles.

   A primeira exibição de "Abril" estava programada para outubro (ou, quem sabe, novembro), em Los Angeles, na sede do American Film Institute, que o convidou a participar da sessão especial que organiza mensalmente.

   "Abril" já implicara um esforço conceitual para Salles. "Normalmente, eu me sinto mais confortável nos territórios do deslocamento, da errância, das questões do exílio geográfico ou afetivo."

   "Com "Abril", estávamos no universo oposto, essencialmente atávico e fabular. Os personagens lutam para escapar de um ciclo inelutável, para se libertar do movimento circular da bolandeira. O menino diz, a uma certa altura: "A gente é que nem os bois. Roda, roda e não sai nunca do lugar"."

   Walter Salles falou à Folha por telefone, de Paris, onde está "virando as noites" para finalizar "Abril", co-produção com França e Suíça. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Folha - Quando aconteceu o convite para competir em Veneza?
Walter Salles -
Alberto Barbera [diretor do festival" foi a primeira pessoa a ver o corte final do filme, 15 dias atrás, sem mixagem, sem créditos ou legendas. Foi necessária uma tradução simultânea.

Folha - A seleção apressou a finalização do filme?
Salles -
A finalização estava prevista para 15 de setembro, na melhor das hipóteses. A nossa intenção era de mostrá-lo pela primeira vez a convite do American Film Institute e, depois, em um festival no início do ano que vem.
O convite precipita as coisas. É como um bebê, agora, que deve nascer com sete meses. As cinco semanas de mixagem terão de ser reduzidas pela metade. Os créditos, interpositivos, internegativos, nada disso começou a ser feito. Vamos lutar para que o filme fique pronto a tempo sabendo que, no final, talvez não seja possível.

Folha - E se não ficar?
Salles -
O mais importante é preservar o filme. Uma alternativa seria apresentar "Abril" em banda dupla, como aconteceu com "Amor à Flor da Pele", de Wong Kar-wai, no ano passado, em Cannes, que tinha um crédito que dizia: "Este filme está em fase final de pós-produção".

Folha - Quando deve ser a projeção em Veneza?
Salles -
Sabendo da enorme pressão, o festival nos ofereceu a possibilidade de passar o filme nos últimos dias de competição. É possível que "Abril" seja mostrado na noite do dia 5.

Folha - A pressa pode afetar o resultado final?
Salles -
Drummond dizia que escrever é saber cortar palavras. Cinema não é muito diferente. É preciso tempo de decantação e é isso que nós não vamos ter aqui. Normalmente, para essa etapa final são necessárias oito semanas. Nós só vamos ter quatro.

Folha - A trilha sonora já está pronta? Como ela traduz a aspereza que você dá à obra de Kadaré, levando-a ao sertão brasileiro?
Salles -
A música acabou de ser gravada ontem, em São Paulo, e começa a ser mixada hoje. Ela é o ponto de encontro entre os temas compostos por Antonio Pinto, Ed Côrtes e Beto Villares, a rabeca de Siba, do conjunto Mestre Ambrósio, e sons secos e dissonantes que vêm da pesquisa feita por Villares no interior do Brasil sobre cantos populares.

Folha - Na edição, mudou algo da idéia original, contemplativa?
Salles -
O filme é feito de planos longos, com alguns momentos de forte aceleração. Procurei investigar uma qualidade própria ao cinema mudo, que é a de fazer com que cada plano de um filme ecoe no plano seguinte.
Tentamos fazer com que a imagem não fosse sublinhativa -ou seja, que não repetisse aquilo que a dramaturgia já dizia. Procuramos, portanto, uma narrativa que não fosse cronística e que se encontrasse, às vezes, mais próxima da poesia do que da prosa. Neste momento, não tenho distanciamento suficiente para dizer se esta intenção deu certo ou não. (FOLHA DE S. PAULO)


Confira os 20 indicados ao Leão de Ouro (estadao.com.br)

Abril Despedaçado, Walter Salles, Brasil

Los Otros, Alejandro Amenábar, Espanha/EUA

Quem Es Tu?, Joao Botelho, Portugal.

Luna Rossa, Antonio Capuano, Itália

Heung gong yau gok hor lei wood, Fruit Chan, Hong Kong/França/Japão

Bully, Larry Clark, EUA

Y Tu Mama Tambien, Alfonso Cuarón, México

Sauvage Innocence, Philippe Garrel, França/Holanda

Eden, Amos Gitai, França/Itália/Israel

Soochwieen Bodmyung, Kim Ki-duk, Coréia do Sul

Waking Life, Richard Linklater, EUA

The Navigators, Ken Loach, Inglaterra/Alemanha/Espanha

Monsoon Wedding, Mira Nair, Índia

How Harry Became a Tree, Goran Paskaljevic, Irlanda/Itália/Inglaterra/França

Raye Makhfi, Babak Payami, Irã/Itália

The Triumph of Love, Clare Peploe, Itália/Inglaterra

Luce Dei Miei Occhi, Giuseppe Piccioni, Itália.

L´Apres-Midi d´un Tortionnaire, Lucian Pintilie, Romênia/França

Hundstage, Ulrich Seidl, Áustria

Loin, Andre Techine, França/Espanha

Pesquise no Site ou Web

Google
Web ItaliaOggi

Publicidade
 
Notizie d'Italia | Gastronomia | Migrazioni | Cidadania | Home ItaliaOggi