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Revista
britânica acusa líder italiano de usar o poder para escapar da Justiça
Advogados do primeiro-ministro Silvio
Berlusconi anunciaram que vão processar a revista britânica The Economist por publicar
na internet um dossiê de 8 mil páginas contra o chefe do governo italiano. A revista,
que mantém antiga guerra verbal com o primeiro-ministro italiano, voltou à carga,
acusando-o de usar o poder político para escapar da Justiça. E o desafia, em carta
aberta, a responder a 28 indagações relacionadas a denúncias de corrupção e supostos
negócios obscuros que ele teria realizado como empresário. "Trata-se de um artigo
profundamente difamatório", reagiram os advogados e deputados Niccolo Ghedini e
Gaetano Pecorella, que integram a bancada da Força Itália (partido de Berlusconi).
O jornal italiano Corriere della Sera publicou
trechos da carta aberta, na qual The Economist classifica Berlusconi de "capitalista
que abusa da democracia".
Pecorella disse ao Corriere que vai exigir dos
responsáveis pela revista britânica uma pesada indenização por danos causados a
Berlusconi pelo "conteúdo difamatório do artigo".
O primeiro-ministro é acusado de
"promulgar leis e decretos no próprio interesse" e de ter dado depoimentos nos
tribunais "que parecem estar em desacordo com as evidências". E acrescenta a
revista: "The Economist está preocupada com Berlusconi tanto como um ultraje ao povo
italiano e seu sistema judicial quanto como o caso mais extremo da Europa de abuso por um
capitalista da democracia em que vive e atua."
A revista respalda suas acusações no amplo
dossiê, posto à disposição de seus leitores. O empresário Berlusconi tem enfrentado
numerosos processos por corrupção nos últimos dez anos, incluindo um de suborno a
juízes para obter vantagem na concorrência para compra de uma empresa estatal do setor
de alimentação nos anos 80.
O primeiro-ministro nega tudo, dizendo-se
vítima de perseguição política.
Ontem, ao entrar de férias, Berlusconi
afirmou que já não se sente "incomodado" pelos ataques da revista, que, em
artigos anteriores, o qualificara de despreparado para governar a Itália e, mais
recentemente, o considerara inapto para presidir a União Européia. Assegurou que vai
ganhar a "guerra de desgaste" a que é submetido pela magistratura italiana. Ele
disse que pretende realizar ampla reforma institucional, para "despolitizar a
Justiça" e dar maior poder ao primeiro-ministro. E referiu-se aos recentes
desentendimentos na coalizão governamental como "tempestades de verão".
(Reuters e AP)
(© O Estado de S. Paulo)
Ex-premier Giulio
Andreotti teria tido relações com a máfia até 1980

PALERMO, ITÁLIA - O ex-premier italiano
Giulio Andreotti demonstrou uma "autêntica, estável e amistosa disponibilidade com
os mafiosos" até 1980, porém depois dessa data não "atuou para facilitar a
associação criminal", indicaram os juízes do tribunal de apelação de Palermo.
A sentença - pela que Andreotti
foi absolvido da acusação de associação com a máfia - foi ditada em 2 de maio pelos
juizes da primeira seção do tribunal de apelação de Palermo presidida por Salvatore
Scaduti.
Na sentença os magistrados
consideraram alguns fatos anteriores a 1982 época em que Andreotti tinha demonstrado uma
"disponibilidade para com os mafiosos", porém estabeleceram que não poderia
proceder contra o político por ter prescrito.
Em relação às acusações de associação à máfia após 1982, os juízes
pronunciaram em troca a absolvição porque excluíram que depois dessa data o sete vezes
premier e atual senador vitalício tivesse "concretamente atuado para facilitar a
associação criminal".
Segundo os juízes, Andreotti se encontrou em 1980 com o "boss" de
Cosa Nostra, Stéfano Bontade, assassinado em Palermo em 1981, como revelou um dos mais
famosos arrependidos mafiosos, Francesco Marino Mannoia, porém em troca não falou com
Salvatore Riina, segundo afirmou outro arrependido, Baldassarre Di Maggio.
Este último foi quem revelou o suposto encontro entre Andreotti e Riina que
se selou com um beijo.
Em primeira instância o político democrata-cristão também tinha sido
absolvido, após um julgamento definido como "o processo do século" que tinha
começado em setembro de 1995 e terminado mais de quatro anos depois, em outubro de 1999.
A Procuradoria de Palermo tinha solicitado uma pena para Andreotti de 15 anos
de prisão, pela qual recorreu a sentença de absolvição.
Em abril de 2001 abriu o processo de apelação, no qual os fiscais pediram
10 anos de prisão para o octogenário ex-premier, cinco a menos à pena solicitada no
julgamento de primeira instância "por respeito à idade do réu".
(© ANSA EuroSul)
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