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Berlusconi vai processar 'The Economist'

02/08/2003

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi

 

Revista britânica acusa líder italiano de usar o poder para escapar da Justiça

   Advogados do primeiro-ministro Silvio Berlusconi anunciaram que vão processar a revista britânica The Economist por publicar na internet um dossiê de 8 mil páginas contra o chefe do governo italiano. A revista, que mantém antiga guerra verbal com o primeiro-ministro italiano, voltou à carga, acusando-o de usar o poder político para escapar da Justiça. E o desafia, em carta aberta, a responder a 28 indagações relacionadas a denúncias de corrupção e supostos negócios obscuros que ele teria realizado como empresário. "Trata-se de um artigo profundamente difamatório", reagiram os advogados e deputados Niccolo Ghedini e Gaetano Pecorella, que integram a bancada da Força Itália (partido de Berlusconi).

   O jornal italiano Corriere della Sera publicou trechos da carta aberta, na qual The Economist classifica Berlusconi de "capitalista que abusa da democracia".

   Pecorella disse ao Corriere que vai exigir dos responsáveis pela revista britânica uma pesada indenização por danos causados a Berlusconi pelo "conteúdo difamatório do artigo".

   O primeiro-ministro é acusado de "promulgar leis e decretos no próprio interesse" e de ter dado depoimentos nos tribunais "que parecem estar em desacordo com as evidências". E acrescenta a revista: "The Economist está preocupada com Berlusconi tanto como um ultraje ao povo italiano e seu sistema judicial quanto como o caso mais extremo da Europa de abuso por um capitalista da democracia em que vive e atua."

   A revista respalda suas acusações no amplo dossiê, posto à disposição de seus leitores. O empresário Berlusconi tem enfrentado numerosos processos por corrupção nos últimos dez anos, incluindo um de suborno a juízes para obter vantagem na concorrência para compra de uma empresa estatal do setor de alimentação nos anos 80.

   O primeiro-ministro nega tudo, dizendo-se vítima de perseguição política.

   Ontem, ao entrar de férias, Berlusconi afirmou que já não se sente "incomodado" pelos ataques da revista, que, em artigos anteriores, o qualificara de despreparado para governar a Itália e, mais recentemente, o considerara inapto para presidir a União Européia. Assegurou que vai ganhar a "guerra de desgaste" a que é submetido pela magistratura italiana. Ele disse que pretende realizar ampla reforma institucional, para "despolitizar a Justiça" e dar maior poder ao primeiro-ministro. E referiu-se aos recentes desentendimentos na coalizão governamental como "tempestades de verão". (Reuters e AP)

(© O Estado de S. Paulo)


Ex-premier Giulio Andreotti teria tido relações com a máfia até 1980

O ex-premier italiano Giulio Andreotti

PALERMO, ITÁLIA - O ex-premier italiano Giulio Andreotti demonstrou uma "autêntica, estável e amistosa disponibilidade com os mafiosos" até 1980, porém depois dessa data não "atuou para facilitar a associação criminal", indicaram os juízes do tribunal de apelação de Palermo.

   A sentença - pela que Andreotti foi absolvido da acusação de associação com a máfia - foi ditada em 2 de maio pelos juizes da primeira seção do tribunal de apelação de Palermo presidida por Salvatore Scaduti.

   Na sentença os magistrados consideraram alguns fatos anteriores a 1982 época em que Andreotti tinha demonstrado uma "disponibilidade para com os mafiosos", porém estabeleceram que não poderia proceder contra o político por ter prescrito.

   Em relação às acusações de associação à máfia após 1982, os juízes pronunciaram em troca a absolvição porque excluíram que depois dessa data o sete vezes premier e atual senador vitalício tivesse "concretamente atuado para facilitar a associação criminal".

   Segundo os juízes, Andreotti se encontrou em 1980 com o "boss" de Cosa Nostra, Stéfano Bontade, assassinado em Palermo em 1981, como revelou um dos mais famosos arrependidos mafiosos, Francesco Marino Mannoia, porém em troca não falou com Salvatore Riina, segundo afirmou outro arrependido, Baldassarre Di Maggio.

   Este último foi quem revelou o suposto encontro entre Andreotti e Riina que se selou com um beijo.

   Em primeira instância o político democrata-cristão também tinha sido absolvido, após um julgamento definido como "o processo do século" que tinha começado em setembro de 1995 e terminado mais de quatro anos depois, em outubro de 1999.

   A Procuradoria de Palermo tinha solicitado uma pena para Andreotti de 15 anos de prisão, pela qual recorreu a sentença de absolvição.

   Em abril de 2001 abriu o processo de apelação, no qual os fiscais pediram 10 anos de prisão para o octogenário ex-premier, cinco a menos à pena solicitada no julgamento de primeira instância "por respeito à idade do réu".

(© ANSA EuroSul)

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