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O estilista que reinventou a moda masculina
anuncia a chegada ao Brasil de sua loja de produtos para casa
Armani, Giorgio
Armani. Aos 69 anos de idade, dono de uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,7 bilhão,
esse italiano de Piacenza tornou-se sinônimo de elegância. Ícone da alta costura, ele
reinventou a moda masculina ao criar paletós sem forro e menos estruturados. No lugar das
roupas engomadas entraram peças mais despojadas. O sucesso do estilista foi tão grande
que os maiores conglomerados da moda tentaram comprar a marca a peso de ouro.
Foram mal-sucedidos. Os empresários Bernard
Arnault, do grupo LVMH, e François Pinault, da Gucci, brigaram para seduzi-lo. Em vão.
As grandes corporações estão passando por vários problemas, disse Armani
à DINHEIRO. Em vôo solo, seu império expandiu-se para as áreas de móveis, jóias e
até chocolates. Ao todo, são mais de 322 lojas, 13 fábricas, 4,7 mil empregados diretos
e um faturamento de 1,6 bilhão de euros. No Brasil, já são quatro lojas em apenas cinco
anos de operação. Em breve abriremos uma Armani Casa no País, revela o
criador. De seu escritório na Via Borgonuovo, em Milão, o estilista concedeu a seguinte
entrevista à DINHEIRO.
DINHEIRO Como foi o início da
sua carreira?
ARMANI Quando deixei o serviço militar, em meados dos anos
50, meu primeiro emprego foi numa loja de departamento de Milão chamada La Rinascente.
Comecei arrumando as vitrines e depois me tornei comprador de moda masculina. Foi aí que
descobri a minha verdadeira profissão.
Como era a moda naquele tempo?
O mercado era muito limitado e todos os ternos tinham cortes iguais. As
peças eram rígidas, desconfortáveis e monótonas.
Como o sr. saltou da loja de departamento para
o
império de hoje?
Ofereceram-me o cargo de estilista na grife Nino Cerruti. Estava no trabalho
há pouco tempo quando meu amigo Sergio Galeotti convenceu-me a montar o próprio
negócio.
Não houve medo de sair do certo para o
incerto?
Empolguei-me com a idéia porque era jovem, ingênuo e não tinha nada a
perder. Vendemos um velho Volkswagen, abrimos um pequeno escritório e contratamos a nossa
primeira funcionária uma estudante. Nós até a incentivamos a continuar os
estudos, pois não sabíamos se a empresa sobreviveria.
Qual foi o resultado?
Para a nossa surpresa, a primeira coleção foi um sucesso. Sérgio era o
homem dos negócios e eu, apenas criava. Quando ele morreu [no fim dos anos 80] tive de
aprender a me virar sozinho. Tinha que criar e comandar a parte comercial e financeira da
empresa. Essa foi a fase mais difícil da minha vida.
Foi difícil atravesssá-la?
Descobri que poderia lidar com a situação apenas seguindo
os meus instintos.
Como assim?
Sempre mantive os pés no chão, ponderando minhas decisões, direções, e
sabia aonde queria que a empresa chegasse. Não sou do tipo que entra em um novo mercado
para ser o estilista número um. Também não gasto tudo o que tenho só para ter certeza
que um concorrente não chegará lá.
Vestir astros de Hollywood e até a seleção
inglesa de futebol foi uma estratégia de marketing bem-sucedida?
Não há dúvidas de que vestir celebridades traz fascinação e atenção
da mídia. Eles representam um sonho e tudo o que eles fazem geram seguidores. Mas nunca
busquei uma celebridade com o intuito de usá-la como marketing.
O sr. não os procura?
Tenho a sorte de manter boas relações com personalidades talentosas de
diferentes setores, mas elas sempre vieram a mim, seja para fazer pedidos ou apenas para
buscar sugestões.
O que elas querem?
Gostam das minhas roupas porque elas realçam sua personalidade. Além
disso, sentem-se seguras e bonitas quando vestem minhas criações. Minha filosofia de
moda é a evolução, não a revolução. Auto-confiança é tudo.
Como o sr. definiria o seu estilo?
Elegância casual e discreta.
E o estilo dos europeus, americanos e
brasileiros. Há diferenças?
Não gosto de dividir em países e nações. O mundo tornou-se um lugar
pequeno. Os três mercados possuem similaridades e diferenças, mas todos têm uma
característica em comum: gostam de qualidade combinado à opção pelo estilo pessoal em
vez de tendências sazonais.
Hoje é possível ver a marca Armani em
móveis, jóias e chocolates. Eles fazem sucesso como as roupas?
Sem dúvida. Quando um cliente escolhe seus móveis, acessórios ou até o
chocolate, incorpora as similaridades aplicáveis à minha moda.
Esses novos negócios são tão importantes
quanto a alta costura?
São importantíssimos. A Armani Casa, os acessórios e os chocolates têm
feito sucesso porque dediquei grande parte do meu tempo na pesquisa e seleção dos
produtos, assim como faço com as roupas. Na moda, como em tudo que se faz com estilo,
menos é mais.
O sr. teve a oportunidade de vender a sua marca
por milhões de dólares, mas não vendeu. Se arrepende?
Há alguns anos, muitos consultores me aconselhavam a vender a empresa.
Sempre confiei nos meus instintos e achava que não deveria ouvi-los. Vendo os problemas
pelos quais as grandes corporações estão passando, percebo que tomei a decisão certa.
Qual é a verba que o sr. tem para investir no
grupo?
Não posso reclamar. Diríamos que tenho o suficiente para viver
confortavelmente.
Há novos projetos?
Existem muitos projetos em vista. Atualmente, estou muito ocupado desenhando
a nova coleção da Armani Casa e dos acessórios das linhas Giorgio Armani e Empório
Armani. Elas cresceram muito e consomem muito tempo.
Como o sr. se sente ao ver suas coleções
expostas no museus Guggenheim, em Nova York, Bilbao, Berlim e Londres?
A maior satisfação é ver que as minhas peças continuam atuais, mesmo que
tenham sido desenhadas nos anos
70 e 80.
Como o sr. vê o mercado brasileiro?
Minhas pesquisas confirmaram que o mercado brasileiro é muito valorizado na
América. Há uma grande demanda de produtos de luxo e de moda. Os brasileiros não têm
medo de viver suas emoções. Suas escolhas refletem uma personalidade quente e vibrante.
Existem planos de expansão no Brasil?
Em breve a Armani Casa estará presente no mercado brasileiro.
(© Istoé
Dinheiro)
Grupo italiano quer incrementar o turismo no Piauí
O presidente da Italia Leisure Group - ILG,
Luigi Franceschi participou de audiência, nessa quinta (24), com o governador Wellington
Dias e o presidente da Empresa de Turismo do Piauí (Piemtur), José Filho. Em pauta, o
desenvolvimento do Estado através do turismo. Franceschi apresentou um plano de
desenvolvimento que contempla os pólos turísticos do Delta e da Serra da Capivara.
Baseado no trabalho com turistas internacionais, ele ensina que em um mundo
globalizado, o turista internacional valoriza a cultura local. O grande diferencial
é o calor humano, o tempero, as festas populares, enfim, o turismo participativo,
afirma. O Nordeste é apontado na Europa como roteiro do viajante inteligente neste
terceiro milênio por reunir cinco características mais procuradas: natureza,
hospitalidade, espiritualidade, energia e aventura.
Sob este aspecto, a cidade de Parnaíba é apontada como porta de entrada
para se conhecer o Pólo do Delta. A perspectiva é de desenvolvimento para a região com
roteiros que incluem até o um raio de 2.000 km de aventuras, natureza e cultura. Apontado
como pacote único no mundo, pode congregar atrações e coligar aeroportos como os de
São Luis (MA), Fortaleza (CE) e Recife (PE). Parnaíba é atraente para o turista
europeu por proporcionar uma espécie de descanso psicológico, sem agitação que
vivenciam. A proposta de ampliação da malha hoteleira e incremento do turismo pode gerar
6.000 empregos diretos e mais de 20.000 indiretos com faturamento de até dez vezes o
valor investido. A iniciativa contempla a profissionalização de pessoas , possibilitando
um rápido crescimento econômico, social e cultural da região", diz o presidente.
Na direção ao sul do Estado, está o Parque Nacional da Serra da Capivara
com 700 sítios arqueológicos. Por dois dias, a equipe da ILG esteve visitando a região
com especial atenção ao parque, aos poços jorrantes de Cristino Castro e a barragem de
São João do Piauí. O visual e a cultura impressionaram o operador que atua também em
receptivo no município de Camocim (CE). O plano é de construção de hotel na região e
valorização da cultura do lugar.
De acordo com o Wellington Dias, a meta do Estado é de investir mais
fortemente no receptivo. Queremos investir numa estruturação, especialmente na
área de saneamento de condições de transporte aéreo, terrestres e de roteiros que
possam permitir ao turista, o prazer de vir ao Piauí e, ao mesmo tempo, priorizando essas
três áreas: da arqueologia, onde o forte é a Serra da Capivara, mas também a Serra das
Confusões; a área litorânea onde o forte é o Delta em parceria com Lençóis
Maranhenses, Camocim e Jericoacoara e da grande Teresina. Acho que hoje aqui tivemos uma
apresentação de quem conhece a região e seguramente vamos buscar estreitar essas
condições de preparar o Piauí juntamente com o Ministério do Turismo e outros
parceiros como os municípios. Para nós é de grande importância esse encontro porque
ele nos dá mais segurança em relação aos próximos passos que temos que dar,
afirma.
Para o presidente da Piemtur, as possibilidades de crescimento através do
plano apresentado por Luigi Franceschi são grandes. As possibilidades são
realmente muito boas, o governador ficou realmente empolgado e motivado com toda essa
apresentação e a partir de agora estamos iniciando um grupo de trabalho. Na verdade,
tanto na ILG na Itália quanto aqui na Piemtur, e já está marcado outro encontro para o
dia 14 de agosto, juntamente com o Ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, onde o
próprio governador o convidou para que ele possa fazer parte dessa reunião com o
ministério para que possamos detalhar melhor, apresentar os resultados desse primeiro
momento. Será apresentado uma nova etapa que estamos elaborando para o desenvolvimento do
turismo no Estado do Piauí. O Estado fazendo a sua parte, principalmente no tocante à
sua infra-estrutura e a ILG, fazendo seu planejamento de vôos charters, na parte de
marketing do nosso produto tanto no mercado nacional quanto no internacional e também
trazendo investidores, anima-se.
(© CidadeVerde.com)
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