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Os planos de Giorgio Armani

02/08/2003

Giorgio por Giorgio: “Meu estilo é elegância casual e discreta”

 

O estilista que reinventou a moda masculina anuncia a chegada ao Brasil de sua loja de produtos para casa

   Armani, Giorgio Armani. Aos 69 anos de idade, dono de uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,7 bilhão, esse italiano de Piacenza tornou-se sinônimo de elegância. Ícone da alta costura, ele reinventou a moda masculina ao criar paletós sem forro e menos estruturados. No lugar das roupas engomadas entraram peças mais despojadas. O sucesso do estilista foi tão grande que os maiores conglomerados da moda tentaram comprar a marca a peso de ouro.

   Foram mal-sucedidos. Os empresários Bernard Arnault, do grupo LVMH, e François Pinault, da Gucci, brigaram para seduzi-lo. Em vão. “As grandes corporações estão passando por vários problemas”, disse Armani à DINHEIRO. Em vôo solo, seu império expandiu-se para as áreas de móveis, jóias e até chocolates. Ao todo, são mais de 322 lojas, 13 fábricas, 4,7 mil empregados diretos e um faturamento de 1,6 bilhão de euros. No Brasil, já são quatro lojas em apenas cinco anos de operação. “Em breve abriremos uma Armani Casa no País”, revela o criador. De seu escritório na Via Borgonuovo, em Milão, o estilista concedeu a seguinte entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO – Como foi o início da sua carreira?
ARMANI – Quando deixei o serviço militar, em meados dos anos 50, meu primeiro emprego foi numa loja de departamento de Milão chamada La Rinascente. Comecei arrumando as vitrines e depois me tornei comprador de moda masculina. Foi aí que descobri a minha verdadeira profissão.

Como era a moda naquele tempo?
O mercado era muito limitado e todos os ternos tinham cortes iguais. As peças eram rígidas, desconfortáveis e monótonas.

Como o sr. saltou da loja de departamento para o
império de hoje?
Ofereceram-me o cargo de estilista na grife Nino Cerruti. Estava no trabalho há pouco tempo quando meu amigo Sergio Galeotti convenceu-me a montar o próprio negócio.

Não houve medo de sair do certo para o incerto?
Empolguei-me com a idéia porque era jovem, ingênuo e não tinha nada a perder. Vendemos um velho Volkswagen, abrimos um pequeno escritório e contratamos a nossa primeira funcionária – uma estudante. Nós até a incentivamos a continuar os estudos, pois não sabíamos se a empresa sobreviveria.

Qual foi o resultado?
Para a nossa surpresa, a primeira coleção foi um sucesso. Sérgio era o homem dos negócios e eu, apenas criava. Quando ele morreu [no fim dos anos 80] tive de aprender a me virar sozinho. Tinha que criar e comandar a parte comercial e financeira da empresa. Essa foi a fase mais difícil da minha vida.

Foi difícil atravesssá-la?
Descobri que poderia lidar com a situação apenas seguindo
os meus instintos.

Como assim?
Sempre mantive os pés no chão, ponderando minhas decisões, direções, e sabia aonde queria que a empresa chegasse. Não sou do tipo que entra em um novo mercado para ser o estilista número um. Também não gasto tudo o que tenho só para ter certeza que um concorrente não chegará lá.

Vestir astros de Hollywood e até a seleção inglesa de futebol foi uma estratégia de marketing bem-sucedida?
Não há dúvidas de que vestir celebridades traz fascinação e atenção da mídia. Eles representam um sonho e tudo o que eles fazem geram seguidores. Mas nunca busquei uma celebridade com o intuito de usá-la como marketing.

O sr. não os procura?
Tenho a sorte de manter boas relações com personalidades talentosas de diferentes setores, mas elas sempre vieram a mim, seja para fazer pedidos ou apenas para buscar sugestões.

O que elas querem?
Gostam das minhas roupas porque elas realçam sua personalidade. Além disso, sentem-se seguras e bonitas quando vestem minhas criações. Minha filosofia de moda é a evolução, não a revolução. Auto-confiança é tudo.

Como o sr. definiria o seu estilo?
Elegância casual e discreta.

E o estilo dos europeus, americanos e brasileiros. Há diferenças?
Não gosto de dividir em países e nações. O mundo tornou-se um lugar pequeno. Os três mercados possuem similaridades e diferenças, mas todos têm uma característica em comum: gostam de qualidade combinado à opção pelo estilo pessoal em vez de tendências sazonais.

Hoje é possível ver a marca Armani em móveis, jóias e chocolates. Eles fazem sucesso como as roupas?
Sem dúvida. Quando um cliente escolhe seus móveis, acessórios ou até o chocolate, incorpora as similaridades aplicáveis à minha moda.

Esses novos negócios são tão importantes quanto a alta costura?
São importantíssimos. A Armani Casa, os acessórios e os chocolates têm feito sucesso porque dediquei grande parte do meu tempo na pesquisa e seleção dos produtos, assim como faço com as roupas. Na moda, como em tudo que se faz com estilo, menos é mais.

O sr. teve a oportunidade de vender a sua marca por milhões de dólares, mas não vendeu. Se arrepende?
Há alguns anos, muitos consultores me aconselhavam a vender a empresa. Sempre confiei nos meus instintos e achava que não deveria ouvi-los. Vendo os problemas pelos quais as grandes corporações estão passando, percebo que tomei a decisão certa.

Qual é a verba que o sr. tem para investir no grupo?
Não posso reclamar. Diríamos que tenho o suficiente para viver confortavelmente.

Há novos projetos?
Existem muitos projetos em vista. Atualmente, estou muito ocupado desenhando a nova coleção da Armani Casa e dos acessórios das linhas Giorgio Armani e Empório Armani. Elas cresceram muito e consomem muito tempo.

Como o sr. se sente ao ver suas coleções expostas no museus Guggenheim, em Nova York, Bilbao, Berlim e Londres?
A maior satisfação é ver que as minhas peças continuam atuais, mesmo que tenham sido desenhadas nos anos
70 e 80.

Como o sr. vê o mercado brasileiro?
Minhas pesquisas confirmaram que o mercado brasileiro é muito valorizado na América. Há uma grande demanda de produtos de luxo e de moda. Os brasileiros não têm medo de viver suas emoções. Suas escolhas refletem uma personalidade quente e vibrante.

Existem planos de expansão no Brasil?
Em breve a Armani Casa estará presente no mercado brasileiro.

(© Istoé Dinheiro)


Grupo italiano quer incrementar o turismo no Piauí

   O presidente da Italia Leisure Group - ILG, Luigi Franceschi participou de audiência, nessa quinta (24), com o governador Wellington Dias e o presidente da Empresa de Turismo do Piauí (Piemtur), José Filho. Em pauta, o desenvolvimento do Estado através do turismo. Franceschi apresentou um plano de desenvolvimento que contempla os pólos turísticos do Delta e da Serra da Capivara.

   Baseado no trabalho com turistas internacionais, ele ensina que em um mundo globalizado, o turista internacional valoriza a cultura local. “O grande diferencial é o calor humano, o tempero, as festas populares, enfim, o turismo participativo”, afirma. O Nordeste é apontado na Europa como roteiro do viajante inteligente neste terceiro milênio por reunir cinco características mais procuradas: natureza, hospitalidade, espiritualidade, energia e aventura.

   Sob este aspecto, a cidade de Parnaíba é apontada como porta de entrada para se conhecer o Pólo do Delta. A perspectiva é de desenvolvimento para a região com roteiros que incluem até o um raio de 2.000 km de aventuras, natureza e cultura. Apontado como pacote único no mundo, pode congregar atrações e coligar aeroportos como os de São Luis (MA), Fortaleza (CE) e Recife (PE). “ Parnaíba é atraente para o turista europeu por proporcionar uma espécie de descanso psicológico, sem agitação que vivenciam. A proposta de ampliação da malha hoteleira e incremento do turismo pode gerar 6.000 empregos diretos e mais de 20.000 indiretos com faturamento de até dez vezes o valor investido. A iniciativa contempla a profissionalização de pessoas , possibilitando um rápido crescimento econômico, social e cultural da região", diz o presidente.

   Na direção ao sul do Estado, está o Parque Nacional da Serra da Capivara com 700 sítios arqueológicos. Por dois dias, a equipe da ILG esteve visitando a região com especial atenção ao parque, aos poços jorrantes de Cristino Castro e a barragem de São João do Piauí. O visual e a cultura impressionaram o operador que atua também em receptivo no município de Camocim (CE). O plano é de construção de hotel na região e valorização da cultura do lugar.

   De acordo com o Wellington Dias, a meta do Estado é de investir mais fortemente no receptivo. “Queremos investir numa estruturação, especialmente na área de saneamento de condições de transporte aéreo, terrestres e de roteiros que possam permitir ao turista, o prazer de vir ao Piauí e, ao mesmo tempo, priorizando essas três áreas: da arqueologia, onde o forte é a Serra da Capivara, mas também a Serra das Confusões; a área litorânea onde o forte é o Delta em parceria com Lençóis Maranhenses, Camocim e Jericoacoara e da grande Teresina. Acho que hoje aqui tivemos uma apresentação de quem conhece a região e seguramente vamos buscar estreitar essas condições de preparar o Piauí juntamente com o Ministério do Turismo e outros parceiros como os municípios. Para nós é de grande importância esse encontro porque ele nos dá mais segurança em relação aos próximos passos que temos que dar”, afirma.

   Para o presidente da Piemtur, as possibilidades de crescimento através do plano apresentado por Luigi Franceschi são grandes. “As possibilidades são realmente muito boas, o governador ficou realmente empolgado e motivado com toda essa apresentação e a partir de agora estamos iniciando um grupo de trabalho. Na verdade, tanto na ILG na Itália quanto aqui na Piemtur, e já está marcado outro encontro para o dia 14 de agosto, juntamente com o Ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, onde o próprio governador o convidou para que ele possa fazer parte dessa reunião com o ministério para que possamos detalhar melhor, apresentar os resultados desse primeiro momento. Será apresentado uma nova etapa que estamos elaborando para o desenvolvimento do turismo no Estado do Piauí. O Estado fazendo a sua parte, principalmente no tocante à sua infra-estrutura e a ILG, fazendo seu planejamento de vôos charters, na parte de marketing do nosso produto tanto no mercado nacional quanto no internacional e também trazendo investidores”, anima-se.

(© CidadeVerde.com)

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