ROMA - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, convocou seus
aliados da Aliança Nacional e da democrata-cristã UDC para tentar
acalmar a coalizão governamental, que está agitada pelas recentes
declarações do líder da Liga Norte, Umberto Bossi, que foi excluído da
reunião.
Bossi, que é ministro para as Reformas, deu duras
declarações, criticadas não apenas pela oposição, mas pelos próprios membros da
coalizão do Governo.
Entre outras coisas, Bossi declarou ser
partidário da mudança da capital da Itália e da sede do Senado para Milão, que seriam
"atos para tonar visível o federalismo do Estado, porque definitivamente o norte é
que mantém todo o país".
Também criticou a extinta Democracia Cristã,
assim como os socialistas do PSI e os comunistas, "por terem arruinado o país",
além de dizer que "os velhos democratas-cristãos deveriam ter sido fuzilados pelo
mal que fizeram à Itália e alguns deles ainda estão por aí".
As palavras de Bossi trouxeram como
conseqüência a suspensão da reunião de líderes da coalizão, na qual se trataria do
projeto de Orçamentos do Estado e da reforma da Previdência, já que tanto a UDC como a
Aliança Nacional se negaram a participar por não concordarem com a Liga Norte.
Berlusconi se esforçou para justificar Bossi,
alegando que "está falando para seus eleitores". "É preciso entendê-lo.
Certas coisas ditas por outro seriam difíceis de aceitar, mas dele é possível. Ele
gosta de falar com estardalhaço".
O primeiro-ministro reuniu Gianfranco Fini
(AN) e Marco Follini (UDC), numa tentativa de acalmar a situação, bastante delicada às
vésperas da aprovação dos Orçamentos de 2004 e na metade da presidência semestral da
União Européia exercida pela Itália.
Em sua edição da última sexta-feira, o
jornal Avvenire garante, por exemplo, que o vice-primeiro-ministro Gianfranco Fini
disse ontem a Berlusconi por telefone que, se não estivesse em curso a presidência da
UE, o Governo já teria caído por causa da atitude de Bossi.
O líder da Liga Norte e ministro para as
Reformas, longe de modificar sua atitude, comentou que não se preocupa com as críticas
de seus aliados de Gabinete, já que "é um teatro, cada um quer levar a sardinha
para o seu lado". (Agência EFE)
(© JB
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