ROMA - Embora
considerado "o casamento do ano" na alta sociedade italiana, o matrimônio em
Roma do príncipe Emanuele Filiberto, neto do último rei da Itália e seu herdeiro ao
trono, com Clotilde Courau, uma atriz francesa, foi esnobado não apenas pela realeza
européia, mas pela maioria dos monarquistas italianos.
A indiferença deve-se parcialmente a uma aversão no meio da aristocracia
italiana pelo príncipe de 32 anos, um corretor de bolsa de valores na Suíça.
Os aristocratas alegam que Emanuele achincalhou a Casa de Sabóia ao
aceitar patrocínios comerciais e aparecer em anúncios na televisão de uma marca de
azeitonas cujo slogan é Dignas de um rei.
Muitos não gostam da imagem de playboy do príncipe e também não
aprovaram Clotilde, de 34 anos, que está grávida de seis meses, já apareceu nua em
filmes e teria opiniões políticas de esquerda.
Porém, para a União Italiana dos Monarquistas, a principal objeção ao
príncipe Emanuele e a seu pai, o príncipe Vittorio Emanuele, de 65 anos, é que eles
desistiram de reivindicar o trono como condição para poder voltar à Itália do seu
exílio na Suíça.
No ano passado, o Parlamento italiano revogou uma lei que proibia os
herdeiros do sexo masculino da Casa de Sabóia de pôr os pés na Itália por causa da
conexão da família com o fascismo sob o governo do rei Vittorio Emanuele III, o bisavô
de Emanuele Filiberto. A monarquia foi abolida em 1946, num plebiscito de resultado
apertado, e o rei Umberto II foi para o exílio. Os monarquistas reclamam que, desde que
os Sabóias recuperaram a cidadania italiana, eles têm permanecido em Genebra, com
exceção de uma audiência com o papa, em dezembro último, e umas poucas visitas a Roma
e Nápoles.
O príncipe e sua noiva escolheram a Igreja de Santa Maria degli Angeli,
projetada por Michelângelo, Membros das famílias reais européias alegaram ter sido
convidados "na última hora" para não comparecer. O presidente Carlo Ciampi e
Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro, alegaram compromissos acertados anteriormente.
Foram convidadas 1.200 pessoas, entre elas o cantor francês Johnny Halliday, o estilista
Pierre Cardin, o príncipe Albert de Mônaco e famílias italianas aristocratas
pró-Sabóia, como os Colonnas, os Ruspolis e os Buoncompagnis. O príncipe disse que sua
noiva não é comunista, embora esteja mais próxima da esquerda que ele.