Três comandantes da polícia foram removidos de
seus cargos Três altos funcionários da polícia italiana
responsáveis por manter a ordem durante a reunião de cúpula do G-8 (formado pelos sete
países mais industrializados e a Rússia), em Gênova, no mês passado, foram
transferidos para outros cargos, conforme anunciou o Ministério do Interior da Itália.
Ansoino Andreassi, chefe-adjunto de
polícia, Arnaldo La Barbera, chefe da Unidade Antiterrorista, e Francesco Colucci, chefe
da polícia de Gênova, foram afastados de seus cargos na primeira ação do governo
italiano contra os abusos cometidos pelas forças de segurança entre os dias 20 e 22 de
julho.
Em confrontos com manifestantes
antiglobalização, policiais mataram a tiros um jovem de 23 anos. Mais de 200 pessoas
ficaram feridas e 280 foram presas.
A decisão de afastar os três policiais
foi divulgada pelo ministro do Interior da Itália, Claudio Scajola, responsabilizado pela
oposição por abusos cometidos pela polícia.
Scajola não explicou as razões para as
transferências. Mas a mídia italiana disse que os três funcionários e outros
comandantes da corporação foram interrogados sobre o uso excessivo de força na
repressão aos manifestantes.
O próprio Ministério do Interior iniciou
uma investigação sobre o caso. Segundo a imprensa local, inspetores do ministério
recomendaram o afastamento de vários policiais do alto escalão.
Em depoimento, ontem, no Parlamento, sobre a violência ocorrida na reunião do G-8,
Scajola disse que, "se, como parece, alguns (policiais) agiram de forma imprópria,
eles serão severamente censurados".
Até agora, o foco das críticas tem sido
a legitimidade de uma batida policial a um colégio que servia de alojamento e de centro
de imprensa para os grupos antiglobalização. A polícia foi acusada de ter agido com
brutalidade durante a blitz, quebrando equipamentos e espancando os ativistas levados para
uma delegacia.
A polícia disse ter agido com força
porque os ativistas resistiram à prisão e atacaram um policial -afirmação contestada
por manifestantes feridos. Os policiais disseram ter encontrado na escola facas e objetos
que poderiam ser usados como armas.
As críticas à brutalidade da polícia
por parte de vários países europeus criaram constrangimentos para o novo governo do
primeiro-ministro Silvio Berlusconi. (FOLHA DE S. PAULO) |