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Itália pune policias por abusos no G-8

03/08/2001

 

 


Três comandantes da polícia foram removidos de seus cargos

  Três altos funcionários da polícia italiana responsáveis por manter a ordem durante a reunião de cúpula do G-8 (formado pelos sete países mais industrializados e a Rússia), em Gênova, no mês passado, foram transferidos para outros cargos, conforme anunciou o Ministério do Interior da Itália.

   Ansoino Andreassi, chefe-adjunto de polícia, Arnaldo La Barbera, chefe da Unidade Antiterrorista, e Francesco Colucci, chefe da polícia de Gênova, foram afastados de seus cargos na primeira ação do governo italiano contra os abusos cometidos pelas forças de segurança entre os dias 20 e 22 de julho.

   Em confrontos com manifestantes antiglobalização, policiais mataram a tiros um jovem de 23 anos. Mais de 200 pessoas ficaram feridas e 280 foram presas.

   A decisão de afastar os três policiais foi divulgada pelo ministro do Interior da Itália, Claudio Scajola, responsabilizado pela oposição por abusos cometidos pela polícia.

   Scajola não explicou as razões para as transferências. Mas a mídia italiana disse que os três funcionários e outros comandantes da corporação foram interrogados sobre o uso excessivo de força na repressão aos manifestantes.

   O próprio Ministério do Interior iniciou uma investigação sobre o caso. Segundo a imprensa local, inspetores do ministério recomendaram o afastamento de vários policiais do alto escalão.
Em depoimento, ontem, no Parlamento, sobre a violência ocorrida na reunião do G-8, Scajola disse que, "se, como parece, alguns (policiais) agiram de forma imprópria, eles serão severamente censurados".

   Até agora, o foco das críticas tem sido a legitimidade de uma batida policial a um colégio que servia de alojamento e de centro de imprensa para os grupos antiglobalização. A polícia foi acusada de ter agido com brutalidade durante a blitz, quebrando equipamentos e espancando os ativistas levados para uma delegacia.

   A polícia disse ter agido com força porque os ativistas resistiram à prisão e atacaram um policial -afirmação contestada por manifestantes feridos. Os policiais disseram ter encontrado na escola facas e objetos que poderiam ser usados como armas.

   As críticas à brutalidade da polícia por parte de vários países europeus criaram constrangimentos para o novo governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. (FOLHA DE S. PAULO)

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