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"Don Pasquale" estréia em Sto.André

03/08/2001

 

 


Nelson Albuquerque

  
Chega a vez do Grande ABC conferir a ópera cômica Don Pasquale, do italiano Gaetano Donizetti (1797-1848), com música da Orquestra Sinfônica de Santo André e direção geral de Walter Neiva. Depois de estrear no Festival de Inverno de Campos do Jordão, e de cumprir duas récitas no paulistano Theatro São Pedro, a montagem será apresentada nesta sexta, às 20h30, no Teatro Municipal andreense, com entrada franca.

   O elenco é formado por nomes de destaque no cenário de cantores líricos brasileiros: os barítonos Paulo Szot, de Ribeirão Pires, e Sandro Christopher; a soprano Cláudia Riccitelli e o tenor Eduardo Itaborahy. Eles compõem os quatro principais personagens da obra.

   O reduzido elenco é um dos detalhes que possibilitam uma montagem barata. “Nossa filosofia é a de popularizar a ópera”, diz o regente da Sinfônica andreense, Flavio Florence.

   O resultado são apresentações a preços baixos ou, como na récita de amanhã, com entrada franca. No aguardo de uma grande procura, a produção da peça distribuirá os ingressos (apenas dois por pessoa) a partir das 17h de amanhã na bilheteria do teatro. Estarão disponíveis os 475 lugares do espaço.

   Pequeno investimento e poucos personagens não significam baixa qualidade. “Temos os valores principais, que são boa música e bons cantores”, afirma Szot. A obra é outro alvo de elogios. Para o barítono, trata-se de “um título fantástico e um repertório bastante engraçado”.

   Don Pasquale é uma das grandes composições de Donizetti e uma das principais óperas cômicas do século XIX. Sua estréia aconteceu em 1843, em Paris (França), sob regência do próprio autor. Florence considera a obra uma “ópera inspirada, que tem o toque do gênio”. O maestro diz que gostaria de reger outros trabalhos de Donizetti, como O Elixir do Amor (1832).

   A história – Don Pasquale é um velho rico que decide se casar, mas não admite que o sobrinho Ernesto tenha a mesma pretensão. A decisão desagrada ao rapaz e à sua amada, a viúva Norina. Dr. Malatesta, médico de Pasquale, entra na jogada e quer resolver tudo à sua maneira – com muita ironia – e, por isso, arruma uma bela confusão.

   Primeiro, o médico convence Norina a se fingir de boazinha para conquistar o velho e depois desiludi-lo para obter a separação. Em seguida, ilude Ernesto, dizendo que a trama será conveniente. Mas tudo se complica quando Pasquale descobre o engodo. A trama toda dura cerca de duas horas.

   As interpretações são de Christopher (no papel de Don Pasquale), Szot (como Dr. Malatesta), Sandra (Norina) e Itaborahy (Ernesto). Além da Sinfônica de Santo André, há a participação do Coral do Estado de São Paulo, com regência de José Ferraz de Toledo. O cenário é assinado por Walter Neiva; o figurino, por Cássio Brasil; e a iluminação, por Donizetti Medeiros. A ópera é cantada em italiano, mas o público acompanhará a tradução por meio de legendas em telão.

   “Não vou dizer que estamos encerrando a temporada. Há interesse em repetir a apresentação em Santo André e em outras cidades”, afirma Florence. Outras montagens de Don Pasquale, também com a orquestra andreense, mas com elencos diferentes, foram encenadas em 1995 e 1997. (Diário do Grande ABC)

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