Nelson Albuquerque
Chega a vez do Grande ABC conferir a ópera cômica Don Pasquale, do
italiano Gaetano Donizetti (1797-1848), com música da Orquestra Sinfônica de Santo
André e direção geral de Walter Neiva. Depois de estrear no Festival de Inverno de
Campos do Jordão, e de cumprir duas récitas no paulistano Theatro São Pedro, a montagem
será apresentada nesta sexta, às 20h30, no Teatro Municipal andreense, com entrada
franca.
O elenco é formado por nomes de destaque no cenário
de cantores líricos brasileiros: os barítonos Paulo Szot, de Ribeirão Pires, e Sandro
Christopher; a soprano Cláudia Riccitelli e o tenor Eduardo Itaborahy. Eles compõem os
quatro principais personagens da obra.
O reduzido elenco é um dos detalhes que possibilitam
uma montagem barata. Nossa filosofia é a de popularizar a ópera, diz o
regente da Sinfônica andreense, Flavio Florence.
O resultado são apresentações a preços baixos ou,
como na récita de amanhã, com entrada franca. No aguardo de uma grande procura, a
produção da peça distribuirá os ingressos (apenas dois por pessoa) a partir das 17h de
amanhã na bilheteria do teatro. Estarão disponíveis os 475 lugares do espaço.
Pequeno investimento e poucos personagens não
significam baixa qualidade. Temos os valores principais, que são boa música e bons
cantores, afirma Szot. A obra é outro alvo de elogios. Para o barítono, trata-se
de um título fantástico e um repertório bastante engraçado.
Don Pasquale é uma das grandes composições de
Donizetti e uma das principais óperas cômicas do século XIX. Sua estréia aconteceu em
1843, em Paris (França), sob regência do próprio autor. Florence considera a obra uma
ópera inspirada, que tem o toque do gênio. O maestro diz que gostaria de
reger outros trabalhos de Donizetti, como O Elixir do Amor (1832).
A história Don Pasquale é um
velho rico que decide se casar, mas não admite que o sobrinho Ernesto tenha a mesma
pretensão. A decisão desagrada ao rapaz e à sua amada, a viúva Norina. Dr. Malatesta,
médico de Pasquale, entra na jogada e quer resolver tudo à sua maneira com muita
ironia e, por isso, arruma uma bela confusão.
Primeiro, o médico convence Norina a se fingir de
boazinha para conquistar o velho e depois desiludi-lo para obter a separação. Em
seguida, ilude Ernesto, dizendo que a trama será conveniente. Mas tudo se complica quando
Pasquale descobre o engodo. A trama toda dura cerca de duas horas.
As interpretações são de Christopher (no papel de
Don Pasquale), Szot (como Dr. Malatesta), Sandra (Norina) e Itaborahy (Ernesto). Além da
Sinfônica de Santo André, há a participação do Coral do Estado de São Paulo, com
regência de José Ferraz de Toledo. O cenário é assinado por Walter Neiva; o figurino,
por Cássio Brasil; e a iluminação, por Donizetti Medeiros. A ópera é cantada em
italiano, mas o público acompanhará a tradução por meio de legendas em telão.
Não vou dizer que estamos encerrando a
temporada. Há interesse em repetir a apresentação em Santo André e em outras
cidades, afirma Florence. Outras montagens de Don Pasquale, também com a orquestra
andreense, mas com elencos diferentes, foram encenadas em 1995 e 1997. (Diário do
Grande ABC) |