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De volta para o passado

13/08/2001

 

 


Ex-soldado italiano recebe pelo correio cartão postal que enviou há 58 anos

ARAUJO NETTO

   ROMA - O correio italiano continua a contrariar o otimismo de quem acredita que a privatização de serviços e empresas públicos faz milagres. Que uma vez privatizado, tudo melhora e passa a funcionar perfeitamente.

   O caso de um cartão postal escrito e enviado há 58 anos de um campo de concentração em Furstemberg, na então Alemanha nazista, que só anteontem chegou ao seu destinatário - a casa da família Bellini - na cidade de Mantova, no Norte da Itália, pegou muito mal para a reputação de um dos mais antigos serviços postais do Ocidente, que há dois anos deu início a um processo de privatização e a um programa de reconquista da confiança e credibilidade perdidas em quase um século de maus serviços.

   Os italianos se habituaram a esperar sempre o pior de seu serviço de correio, apesar da boa fama que sempre o acompanhou. Segundo os historiadores, o velho PTT, em 1502, tornou-se a primeira empresa a se estruturar e operar de maneira moderna e eficiente.

   Mussolini - Giuseppe Bellini tinha 26 anos e era um soldado do exército italiano, durante a Segunda Guerra Mundial, no dia 8 de setembro de 1943, quando um novo governo da Itália assinou um armistício com ingleses e americanos, inimigos que combatera nos três anos precedentes, enquanto o ditador Benito Mussolini exerceu o poder. Recusando-se a jurar fidelidade e a lutar sob o comando de seus ex-aliados nazistas, ele foi um dos muitos jovens soldados presos e desterrados para trabalhar de graça, como escravo, na indústria bélica da Alemanha nazista. Um mês depois de ser internado como prisioneiro num campo de concentração da cidade de Furstemberg, uma das primeiras preocupações de Giuseppe Bellini foi a de tranqüilizar seus pais na cidade italiana de Mantova.

   Dois dias atrás, quando seu filho Vincenzo entrou em casa com o cartão postal que o carteiro do correio italiano nunca entregou a seus pais (mortos há mais de 25 anos), Giuseppe Bellini, hoje um senhor de 84 anos de idade, não teve qualquer dúvida:

   ''É o cartão que enviei aos meus genitores, um mês depois de ter sido feito prisioneiro em Bolzano e internado naquele campo de concentração na Alemanha. No cartão, a censura militar só me permitiu dizer que estava bem'', afirmou o italiano.

   Remetente - O cartão em que Giuseppe Bellini, o soldado-prisioneiro (e trabalhador-escravo) da Alemanha nazista, comunicava aos pais estar bem é datado de 16 de outubro de 1943. Foi liberado e expedido onze dias depois pelo comando do campo de concentração de Furstemberg - endereçado ao Correio Militar de Verona para ser entregue na casa da Egrégia Famiglia Bellini em Mantova. A mesma casa ocupada hoje pelo seu autor e remetente.

   Aquele jovem soldado que agora é um provecto pai de muitos filhos e avô de vários netos, que pretende ser indenizado pelo atual governo social-democrata da Alemanha pelos dois anos de sacrifícios, canseiras e humilhações que viveu em Furstemberg sempre ameaçado pelas armas automáticas de soldados fanáticos que se recusavam a acreditar na inevitável derrota do Führer. (Jornal do Brasil)

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