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Verdi chega a SP na voz de Renato Bruson

22/08/2001

 

 


O barítono atua ao lado de jovens cantores internacionais na montagem de "La Traviata"

IRINEU FRANCO PERPETUO
FREE-LANCE PARA A FOLHA

   Os Patronos do Teatro Municipal celebram o centenário da morte de Verdi (1813-1901) trazendo a São Paulo uma das mais respeitadas vozes verdianas do pós-guerra. O barítono italiano Renato Bruson, 65, faz o papel de Giorgio Germont na montagem de "La Traviata".

   Bruson atua ao lado de jovens cantores que começam a se destacar na cena lírica internacional, como a soprano norte-americana Patricia Racette, que já interpretou este papel (Violetta Valèry) no Metropolitan de Nova York, e o tenor uruguaio Carlo Ventre, que já atuou sob a batuta de Riccardo Muti no Scala de Milão.

   Com direção cênica de Alejandro Chacón, a montagem tem cenários e figurinos do Teatro Municipal de Santiago do Chile. Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico ficam sob regência do argentino Reinaldo Censabella, do teatro Colón, de Buenos Aires.

   Bruson, que interpretou em São Paulo, nos anos 90, papéis verdianos difíceis, como Iago e Falstaff, estreou por aqui em 1976 -justamente como Giorgio Germont, papel que gravaria para a EMI.

   Adaptação operística de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas, "La Traviata" conta a história de amor entre uma cortesã e um jovem de boa família na Paris do século 19. Por isso, para cantá-la, segundo Bruson, "é necessário entrar na psicologia e na mentalidade da gente do século 19".

   "Cantar Verdi é muito difícil, porque exige não apenas da vocalidade, mas do físico", diz. "A música de Verdi é sanguínea. Entra nas veias diretamente e não sai."

   Com 40 anos de estrada, Bruson acha mais fácil começar a carreira hoje do que em seu tempo de início, nos anos 60. "Hoje, há mais possibilidades. Quando eu comecei, havia no mínimo 15 grandes barítonos em atividade. Hoje, não há grandes promessas. Havia, mas desapareceram, como vão desaparecer todos, porque têm muita pressa de ganhar dinheiro".

   O barítono diz ter começado a cantar porque era um desempregado na Itália do pós-guerra. "A guerra foi um período difícil. Perdi minha mãe e não havia o que comer." De São Paulo, Bruson vai a Buenos Aires, cantar Falstaff. A temporada tem compromissos no Scala, de Milão, na Staatsoper, de Viena, e na Ópera de Roma. O barítono está ainda empenhado em um megaprojeto fonográfico: a integral de Francesco Paolo Tosti para canto e piano (cerca de 500 canções), para o selo Nuova Era.

   Com ingressos um pouco mais baratos, a récita do dia 28 não tem Bruson, nem os outros astros internacionais. Mário Záccaro rege um elenco com Andréa Ferreira (soprano), Miguel Geraldi (tenor) e Jang Ho Joo (barítono). (Folha de S. Paulo)

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