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Il Giardino Armonico é atração em Curitiba

22/08/2001

A Orquestra de Câmera Il Giardino Armonico está no Latina 2001, em Curitiba

 


   A série Latina 2001 - um projeto conjunto do governo da Itália com a Secretaria da Cultura do Paraná e patrocínio da Petrobrás -- que este ano tem como novidade a abertura do evento para a Europa Latina, através de parcerias com os governos da Espanha e da França, apresentando músicos desses países, além dos italianos -- prossegue no próximo dia 24 de Agosto de 2001, às 21 horas, em Curitiba, com a Orquestra de Câmera Il Giardino Armonico.

   Criado em 1985 em Milão, Il Giardino Armonico é um dos notáveis conjuntos barrocos da atualidade. O grupo reúne intérpretes formados pelas melhores escolas de música da Europa e todos eles são especialistas na execução, em instrumentos de época, das melhores páginas do repertório musical dos séculos XVII e XVIII. Diversos dos integrantes do conjunto são também solistas de concerto e colaboram freqüentemente com músicos como Nikolaus Harnoncourt, Gustav Leonhardt, Trevor Pinnock, Christophe Coin e Jordi Savall.

   Aplaudidos pelo público e festejados pela crítica especializada, os artistas de Il Giardino Armonico vêm-se apresentando em salas e festivais de música de prestígio internacional, como o Concertgebouw de Amsterdã, o Wigmore Hall de Londres, o Tonhalle de Zurique, a Konzerthaus e o Musikverein de Viena, a Salle Gaveau de Paris, as Óperas de Frankfurt e Berlim, o Festival de Salzburgo, os Festivais de Schleswig-Holstein, Ludwigsburgo e Montreux, a Biblioteca do Congresso Norte-americano, em Washington, o Berkley Early Music Festival e a Frick Collection de Nova Iorque.

   O conjunto também tem sido aplaudido por suas colaborações com grandes cantoras líricas da atualidade, dentre as quais se destacam Cecilia Bartoli, Anna Caterina Antonacci, Sumi Jo, Lynn Dawson e Eva Mei, dentre outras.

   Desde 1989 o flautista Giovanni Antonini, um dos fundadores do grupo, vem atuando também como regente e solista das temporadas de Il Giardino Armonico em vários países europeus e asiáticos, e também nos Estados Unidos e no Canadá.

   As apresentações ocorrem sempre, no Canal da Música, Rua Júlio Perneta, 695, 0xx41 335-5273, Curitiba.

Timbres da Itália renascentista

Grupo de música antiga se aventura em repertório seiscentista e descobre a música instrumental da Lombardia inspirada na lírica vocal de Monteverdi

Por Lauro Machado Coelho

   Percorrendo toda a Lombardia, norte da Itália, de Cremona a Veneza, passando por Mântua, Parma e Faenza, o grupo milanês dedicado à interpretação histórica Il Giardino Armonico se propõe, em Viaggio Musicale (Teldec, foto), a fazer um panorama das grandes cortes renascentistas italianas mediante a música de época composta para festividades aristocráticas. À exceção de Claudio Monteverdi, cuja brevíssima e célebre sinfonia da ópera Il Ritorno d’Ulisse in Patria dá início ao percurso, é provável que os outros compositores não sejam nomes familiares do grande público. E, no entanto, há entre eles figuras de primeiro plano no período seiscentista, aqui representado por um programa que cobre os anos de 1607 a 1645. Conforme observa Giovanni Antonini, líder do grupo, é o espírito do inaugurador da ópera e de toda uma “aventura lírica” – Monteverdi – que motiva o repertório, como um ponto de confluência. São, de fato, peças que refletem um desejo incontido de imitar os modelos vocais e o inventário de gestos do nascente teatro operístico burguês, sonoridade essa que os 14 integrantes do conjunto conseguem produzir à perfeição.

   Tarquínio Merula, mestre-de-capela ora em Bérgamo ora em Cremona, ficou famoso por seus livros de Capricci, sonatas e Canzoni Strumentali. Monteverdi o admirava muito; prova disso é que, em sua virtuosística Ciaccona, pode-se reconhecer o tema do madrigal Torna Zeffiro, que o compositor da Favola d’Orfeo lhe tomou emprestado. Autor de Giove di Elide Fulminato, balé cortesão apresentado em Parma, em 1677, o padre Marco Uccellini era importante sobretudo como autor de música instrumental: é ele um dos responsáveis pelo desenvolvimento da técnica violinística italiana que viria a se desenvolver no século seguinte pela grande escola de Corelli e Vivaldi. Os irresistíveis rodopios melódicos da Aria sopra “La Bergamasca” o mostram em um de seus mais exuberantes momentos de invenção melódica.

   Quanto ao mantuano Salomone Rossi, ele era filho de Asaria dei Rossi, filósofo humanista. A condição de membro da comunidade judaica o impedia de ter um emprego na corte. Mas, protegido pelo príncipe Vincenzo Gonzaga e com sua orquestra privada, foi um dos primeiros a desenvolver a técnica da variação instrumental, com base em temas populares judeus. Peças como a Sinfonia a 3, ou as Gagliarde “Zambalina” e “Norsina”, incluídas neste disco, explicam a admiração de Monteverdi, que o convidou a escrever a quatro mãos a música incidental para a peça La Maddalena, de Guarini.

   Chama a atenção o fato de não figurarem, no repertório, supostos compositores “menores”, mas criadores de primeira grandeza cujos nomes acabaram esquecidos. Basta conferir as ousadias harmônicas de Dario Castello em suas Sonate IV e X. Esse veneziano, provável aluno de Monteverdi, foi um dos mais respeitados violinistas da Sereníssima República, a ponto de o mestre o ter convidado a encarregar-se da música instrumental na catedral de San Marco, de que era ele o mestre-de-capela.

   Viaggio Musicale traz o frescor da sonoridade dos instrumentos renascentistas – o arciliuto, a dulciana, os cornetti, o ceterone –, e o comportamento do grupo beira o preciosismo da investigação musicológica, com obediência à afinação de época (um pouco mais aguda) e leitura das 22 partituras legitimadas por fontes primárias, ou seja, pelo acesso direto a originais, em alguns casos manuscritos, datados da primeira metade do século 17. O álbum, luxuosamente produzido, só teria a ganhar com um texto mais substancioso sobre a época e seus autores. (Bravo Online)

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