ROMA (Reuters) - A seca tem abalado a
produção no sul da Itália de ingredientes essenciais da culinária mediterrânea,
levando a maior associação de agricultores do país a alertar o público sobre a
possível entrada no mercado de substitutos estrangeiros de qualidade inferior.
"A seca prejudicou a colheita de trigo duro,
tomates para a indústria e azeite de oliva, com queda na produção em todas as regiões
do sul, principalmente na Puglia, maior produtora dos três principais componentes da
dieta mediterrânea", disse comunicado da associação, conhecida como Coldiretti.
"Há o risco de se ter a desagradável surpresa de encontrar um prato de pasta
temperada com azeite vindo de fora da Europa e tomates semi-prontos chineses".
O mezzogiorno (sul da Itália) tem enfrentado seca
constante há mais de quatro anos e precisa com urgência de investimentos em novos
sistemas de irrigação, dizem os analistas.
Com base em dados do instituto de pesquisa ISMEA, a
Coldiretti afirma que a produção em 2001 de trigo duro, usado na fabricação das
massas, caiu 13 por cento. A produção de azeite de oliva diminuiu 32 por cento e a de
tomates processados, 7 por cento.
"Os consumidores que não desejam abandonar a sua
pasta, misturada com azeite extra virgem e purê de tomate, devem manter os olhos abertos
nos próximos meses", disse a Coldiretti. "Cresce a possibilidade de tentativas
de imitar esses produtos no exterior, vendidos como se fossem 'made in Italy"'.
Os italianos têm grande orgulho de sua culinária
tradicional e não gostam de imitações. Em todo o mundo circulam dezenas de imitações
do gênero, como um queijo alemão com o nome aparentemente italiano cambonzola e
parmesão e azeite fabricados na Nova Zelândia. (ZIP.NET/Reuters)