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Seca abala a base da culinária tradicional italiana

27/08/2001

 

 

David Brough

   ROMA (Reuters) - A seca tem abalado a produção no sul da Itália de ingredientes essenciais da culinária mediterrânea, levando a maior associação de agricultores do país a alertar o público sobre a possível entrada no mercado de substitutos estrangeiros de qualidade inferior.

   "A seca prejudicou a colheita de trigo duro, tomates para a indústria e azeite de oliva, com queda na produção em todas as regiões do sul, principalmente na Puglia, maior produtora dos três principais componentes da dieta mediterrânea", disse comunicado da associação, conhecida como Coldiretti. "Há o risco de se ter a desagradável surpresa de encontrar um prato de pasta temperada com azeite vindo de fora da Europa e tomates semi-prontos chineses".

   O mezzogiorno (sul da Itália) tem enfrentado seca constante há mais de quatro anos e precisa com urgência de investimentos em novos sistemas de irrigação, dizem os analistas.

   Com base em dados do instituto de pesquisa ISMEA, a Coldiretti afirma que a produção em 2001 de trigo duro, usado na fabricação das massas, caiu 13 por cento. A produção de azeite de oliva diminuiu 32 por cento e a de tomates processados, 7 por cento.

   "Os consumidores que não desejam abandonar a sua pasta, misturada com azeite extra virgem e purê de tomate, devem manter os olhos abertos nos próximos meses", disse a Coldiretti. "Cresce a possibilidade de tentativas de imitar esses produtos no exterior, vendidos como se fossem 'made in Italy"'.

   Os italianos têm grande orgulho de sua culinária tradicional e não gostam de imitações. Em todo o mundo circulam dezenas de imitações do gênero, como um queijo alemão com o nome aparentemente italiano cambonzola e parmesão e azeite fabricados na Nova Zelândia. (ZIP.NET/Reuters)

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