Para defender Fratelli dItalia (irmãos da Itália), marcha composta em 1847 por
Goffredo Mameli, poeta de pouco talento e patriota fervoroso, que depois da Segunda Guerra
Mundial foi adotada como hino da República Italiana, o maestro Muti foi implacável na
crítica arrasadora que fez ao Nabuco de Verdi, obra que os maiores estudiosos e
críticos musicais insistem em julgar ''um afresco coral, no qual a vida cênica e lírica
atinge o máximo''.
''Não compreendo por que um país como
a Itália, que não se preocupa em resolver os mais sérios problemas da música, perde
tempo para discutir se o seu hino nacional é bonito ou feio; se deve ou não ser mudado.
A esta altura, a substituição de Fratelli dItalia representaria uma afronta a
todas as pessoas que por dezenas de anos acreditaram nesse hino. Seria um desrespeito
àqueles que até mesmo morreram pelo país'', afirmou Muti, arrancando aplausos da
platéia de jovens católicos que o ouviram num auditório da cidade de Rimini.
Alegria - Sempre enfático, o
maestro Muti disse não duvidar que o hino de Mameli, com versos incompreensíveis e
quilométricos e que pouquíssimos italianos conseguem cantar, faz parte do DNA de todos
os italianos. ''É muito alegre, enquanto o Và pensiero, apesar de ser uma composição
maravilhosa, inspira tristeza e depressão.''
Mencionando outras razões que o levam
a preferir a marchinha de Mameli à composição de Verdi, Muti afirmou: ''Và pensiero é
uma página maravilhosa do Nabuco cantada gravemente e em voz baixa por um povo no
exílio, choroso e sem esperanças. Os hinos em geral são geradores de esperança, de
confiança: devem ser exaltantes .''
Futebol - Muti prosseguiu: ''E
como os jogadores de futebol devem conhecer [coisa que não acontece com os jogadores
italianos]e saber cantar as letras dos hinos, o presidente da República, Carlo Azeglio
Ciampi, tem razão quando diz que é muito bonito ver e ouvir os nossos atletas cantarem o
nosso hino. Mas vocês já imaginaram o que aconteceria aos nossos jogadores, alinhados,
cantando em voz baixa o Và pensiero? Já imaginaram o que poderia acontecer depois que o
árbitro apitasse o inicio da partida e ninguém se mexesse? Já imaginaram a tragédia
que seria perder uma partida antes mesmo de ela começar, por causa do hino de um povo que
canta, quase sussurrando, sua tristeza e falta de esperança por viver exilado?''
O argumento do maestro Riccardo Muti em
defesa da preservação da marchinha Fratelli dItalia de Mameli como hino da
República italiana, despertou aplausos e risos da platéia de jovens católicos que o
ouviram: ''Esse nosso e muito denegrido hino é também uma imagem do que nós italianos
somos realmente: cheios de vitalidade e um pouco descarados.'' (Jornal do Brasil)