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ROMA - Enquanto o
primeiro-ministro Silvio Berlusconi ainda faz análises sobre os incidentes de Gênova
para decidir se a Itália deve ou não organizar novas reuniões de cúpula, a população
já tomou sua decisão: uma pesquisa divulgada na terça-feira mostra que ela não quer
mais encontros internacionais no país.
A Itália se prepara para duas dessas reuniões nos
próximos meses -- a dos ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan), em setembro, em Nápoles, e a cúpula da FAO (órgão da ONU para
alimentação e agricultura), em novembro, em Roma.
Mas os italianos estão traumatizados com estas
reuniões desde os três dias de violência que marcaram a cúpula do G8, no mês passado,
em Gênova. Um ativista antiglobalização morreu e centenas ficaram feridos em choques
com a polícia.
Uma pesquisa feita pelo instituto Datamedia, a ser
apresentada na terça-feira a Berlusconi, mostra que 67,5 por cento dos entrevistados
acham que a cúpula da FAO deveria acontecer em outro país. A Otan tem ainda mais
problemas: sua reunião é mal vista por 71,5 por cento.
Berlusconi já disse que gostaria de mandar para outro
país a cúpula da FAO, mas o ministério das Relações Exteriores discorda. O gabinete
se reúne em 31 de agosto para discutir o assunto.
Já a da Otan, que toca em temas mais polêmicos, pode
ser realizada em uma base militar nos arredores de Nápoles, não no centro da cidade.
Manifestantes prometem repetir nos dois encontros os
protestos vistos em Gênova, quando 250 mil pessoas ocuparam a cidade. Diplomatas acham
que é inviável transferir a cúpula da FAO para uma capital africana, como foi cogitado,
porque há 50 anos as reuniões dessa organização, com sede em Roma, acontecem na
cidade. (BOL/Reuters) |