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Italianos não querem cúpulas mundiais no país, diz pesquisa

31/08/2001

 

 

ROMA - Enquanto o primeiro-ministro Silvio Berlusconi ainda faz análises sobre os incidentes de Gênova para decidir se a Itália deve ou não organizar novas reuniões de cúpula, a população já tomou sua decisão: uma pesquisa divulgada na terça-feira mostra que ela não quer mais encontros internacionais no país.

   A Itália se prepara para duas dessas reuniões nos próximos meses -- a dos ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em setembro, em Nápoles, e a cúpula da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura), em novembro, em Roma.

   Mas os italianos estão traumatizados com estas reuniões desde os três dias de violência que marcaram a cúpula do G8, no mês passado, em Gênova. Um ativista antiglobalização morreu e centenas ficaram feridos em choques com a polícia.

   Uma pesquisa feita pelo instituto Datamedia, a ser apresentada na terça-feira a Berlusconi, mostra que 67,5 por cento dos entrevistados acham que a cúpula da FAO deveria acontecer em outro país. A Otan tem ainda mais problemas: sua reunião é mal vista por 71,5 por cento.

   Berlusconi já disse que gostaria de mandar para outro país a cúpula da FAO, mas o ministério das Relações Exteriores discorda. O gabinete se reúne em 31 de agosto para discutir o assunto.

   Já a da Otan, que toca em temas mais polêmicos, pode ser realizada em uma base militar nos arredores de Nápoles, não no centro da cidade.

   Manifestantes prometem repetir nos dois encontros os protestos vistos em Gênova, quando 250 mil pessoas ocuparam a cidade. Diplomatas acham que é inviável transferir a cúpula da FAO para uma capital africana, como foi cogitado, porque há 50 anos as reuniões dessa organização, com sede em Roma, acontecem na cidade. (BOL/Reuters)

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