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Geração videogame inspira Susanna Tamaro

16/09/2002

 

 


Papirofobia - Leopoldo e a Montanha de Livros, da italiana considerada um "Paulo Coelho de saias", conta a história de um garoto que supera sua aversão à leitura

   São Paulo - O cineasta Federico Fellini, que morreu em 1993, chegou a ler os textos da escritora Susanna Tamaro, também italiana e hoje com 45 anos. Sua reação foi de grande impacto. "Susanna é um pequeno duende sorridente, uma criança fascinante e inocente que me brindou com a alegria de comover-me sem envergonhar-me", declarou o diretor de A Doce Vida.

   Está saindo no Brasil mais um livro para crianças e jovens desta que é sobrinha do romancista Italo Svevo e autora de O Círculo Mágico e Tobias e o Anjo, além do mais conhecido, para adultos, Vai Aonde Te Leva o Coração, um best seller comumente tachado de manual de auto-ajuda. Aliás, Susanna é considerada uma espécie de "Paulo Coelho de saias" na Itália.

   O novo livro é Papirofobia - Leopoldo e a Montanha de Livros (Rocco Jovens Leitores, tradução de Y. A. Figueiredo). O mote da obra - que faz parte da coleção Grandes Autores para Pequenos Leitores, a mesma que já editou textos infantis de Alice Hoffman, Amy Tan, Ariel Dorfman, Ian McEwan e Sylvia Plath - é o seguinte: ler nos torna diferentes e nos faz mais felizes.

   O personagem principal, Leopoldo, de 8 anos, passa maus bocados no início da trama, porque quer ganhar um par de tênis de corrida no aniversário, mas os pais lhe dão livros. Ele sente tonturas diante das páginas repletas de letrinhas e a mãe o leva ao médico. O doutor diz que o menino sofre de "papirofobia" e aconselha a mãe a tirá-lo da frente dos videogames e obrigá-lo a ler, a todo custo.

   O tema é de uma atualidade incrível. Pais, professores, escritores, jornalistas, pedagogos - todos gastam horas e horas discutindo a crise da literatura e a tal da geração que não lê, a geração videogame. Em Papirofobia, Susanna Tamaro enreda seus leitores em uma fábula agradável e trata do assunto sem pretensões pedagógicas, sem teorias maçantes.

   A transição do garoto que não lê para o amante voraz dos livros se dá de forma tocante, por meio de um personagem cego e velho, sentado num banco de praça. A solução final para o conflito do menino encerra em si uma declaração de amor aos clássicos universais da literatura juvenil, como As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e Ulisses, de James Joyce.

   Sem pose de professora chata, Susanna quer sugerir truques para a reconciliação dos jovens com a leitura. E é a mesma saída apontada por Daniel Pennac, em Como um Romance: "Não pedir nada em troca e garantir à criança os direitos de saltar páginas, não acabar um livro, ler não importa o quê nem importa onde, saltar de livro em livro e não falar do que leu."

Papirofobia - Leopoldo e a Montanha de Livros, de Susanna Tamaro. Rocco, 40 págs., R$ 18.

Dib Carneiro Neto estadao.com.br)

 

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