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Itália investiga tragédia em cidade medieval

03/11/2002

 

 

   SAN GIULIANO DI PUGLIA, Itália. Novos tremores sacudiram na madrugada do sábado o centro-sul da Itália, atingindo 3,8 graus na escala Richter. Enquanto isso, aumenta no país a indignação com o desabamento da escola primária Francesco Iovine, na cidade de San Giuliano di Puglia, que matou 26 crianças e uma professora. Segundo funcionários da polícia italiana, as investigações já começaram.

   Promotores chegaram à cidade e trabalham com a hipótese de homicídio culposo múltiplo. A escola, um prédio de 50 anos recém-reformado, foi a única a abrir na quinta-feira, mesmo depois do alerta sobre a possibilidade de tremores de terra.

   O desespero tomou conta da pequena cidade medieval de 1.200 habitantes, onde a maioria está desabrigada.

   — A tragédia atingiu o coração desta cidade — disse Giuseppe Ciccone, de 70 anos, lembrando que até o prefeito, Antonio Borrelli, tinha dois filhos na escola, um do quais morreu. — Eu perdi dois parentes, meninos de 6 e 7 anos. Agora, fomos deixados sem crianças para o futuro.

   Ainda não é certo se todas as 35 pessoas resgatadas com vida irão sobreviver. Fillippo Vitale, diretor de um hospital local, disse que cinco crianças estavam em estado grave e precisaram ser removidas para centros especiais de pediatria em Roma e Ancona.

   Entre a equipe de resgate, o clima também é de desolação. Bombeiros encontraram restos de cadernos de redação e desenhos de flores e árvores.

   — É horrível. Não há palavras para descrever — disse o bombeiro Vito Tralli.

(© O Globo On line)


Intensidade da tristeza em vilarejo é insuportável

PETER POPHAM
DO "THE INDEPENDENT", EM SAN GIULIANO DI PUGLIA

   O centro de esportes de San Giuliano di Puglia, uma estrutura moderna de concreto a centenas de metros do centro do vilarejo, abriga hoje uma tristeza imensurável. É para cá que as vítimas do tremor de anteontem foram trazidas para um velório coletivo.

   Um grito terrível escapa do ginásio, amplificado pelo teto côncavo. O corpo de Melissa, um dos últimos a serem retirados dos escombros da escola, chegou e foi estendido, como a maioria dos outros, em um pequeno caixão branco. Sua avó, ao entrar, grita: "Melissa! Melissa! Por quê?"

   Depois da terrível noite de San Giuliano -13 pequenos cadáveres foram retirados das ruínas entre a meia-noite e às 8h, e apenas um menino, Angelo, foi resgatado com vida- o vilarejo estará para sempre dividido entre aqueles cuja longa espera ao redor dos destroços da escola foi recompensada por aplausos barulhentos e aqueles que, como a família de Melissa, não receberam nada.

   Alguns pais colocaram objetos nos caixões: bichos de pelúcia, roupas, fotografias. Um menino tem a camisa de seu time de futebol estendida sobre o peito. Seu pai e sua mãe tocam sua cabeça.

   A intensidade da tristeza aqui é insuportável.

   San Giuliano é um vilarejo bonito, com uma igreja do século 14, uma torre medieval e 1.200 habitantes. Mas qual é seu futuro?

   Na entrada do ginásio, Matteo Campanelli, 69, que perdeu quatro netos, diz que é como se a próxima geração tivesse sido apagada. "Que os anjos os recebam."

   Dos nove alunos da primeira série, só Veronica, 7, sobreviveu.

   Um grupo de idosos sentado em cadeiras de plástico observa o monumento no centro de San Giuliano com os nomes dos 48 filhos do vilarejo mortos durante a Segunda Guerra. "Para que a Itália vivesse eles morreram", diz a mensagem na pedra. Mais da metade disso morreu aqui em um dia. E não há consolos patrióticos.

(© Folha de S. Paulo)


Terremoto sacode Vêneto, no norte da Itália

   ROMA - Dois dias após o terremoto que matou 29 pessoas no sul da Itália, um tremor de 4,2 graus na escala Richter sacudiu, neste sábado, a região de Vêneto, no norte do país, sem deixar feridos nem causar prejuízos materiais. O tremor, que teve seu epicentro nas proximidades do Monte Baldo, na província de Verona, foi registrado aproximadamente às 8h (horário de Brasília).

   Os efeitos do terremoto foram sentidos em outras cidades, como Rovigo, Pádua, Treviso e Veneza, especialmente nos andares altos dos edifícios, fazendo a população viver momentos de pânico.

   A Itália já vivia em alarme nos últimos dias devido aos terremotos na região de Molise e à atividade do vulcão Etna, na ilha da Sicília. Aproximadamente trinta pequenos tremores causaram preocupação hoje entre os moradores de San Giuliano di Puglia, onde um terremoto de 5,4 graus na escala Richter provocou na quinta-feira o desabamento de uma escola, matando 29 pessoas, 26 delas crianças.

(© UOL/JB Online)

Sismos mataram milhares na Itália no século passado

    ROMA - Abaixo alguns dos maiores terromotos ocorridos na Itália nos últimos cem anos:

8 de setembro de 1905 - Cerca de 5 mil pessoas são mortas em um terremoto que destruiu 25 vilarejos na região da Calábria.

28 de dezembro de 1908 - Mais de 82 mil pessoas morrem na cidade de Messina, a segunda mais importante da Sicília.

13 de janeiro de 1915 - Terromoto mata mais de 32 mil pessoas em Avezzano, no centro da Itália.

6 de maio de 1976 - Tremos de 6,1 graus na escala Richter atinge Friuli, no nordeste da Itália, matando 976 pessoas.

23 de novembro de 1980 - Mais de 2.700 pessoas morrem no terremoto de 7,2 graus, cujo epicentro ocorreu em Eboli, mas chegou a atingir Nápoles. Mais de 1.500 foram dadas como desaparecidas.

13 de dezembro de 1990 - Tremor de 4,7 graus atinge o mar perto da Sicília, deixando 13 mortos e 200 feridos.

26 de setembro de 1997 - Dois terremotos, de 5,5 e 5,6 graus, matam 11 pessoas e atingem a Basílica de São Francisco, em Assis, arruinando afrescos medievais. Outro tremor de 5,1 atinge a Umbria dias depois causando mais danos.

17 de julho de 2001 - Um tremor de 5,2 graus na escala Richter atinge a região de Alto Adige, norte da Itália, matando uma mulher.

6 de setembro de 2002 - Terremoto de 5,6 graus atinge a Sicília. Duas pessoas morrem de ataques cardíacos provocados pelo tremor que também causa danos a importantes tesouros artísticos.

31 de outubro de 2002 - Um terremoto de 5,4 na escala Richter atinge a região de Campobasso, cerca de 226 quilômetros a sudeste de Roma, derrubando prédios e soterrando mais de 50 crianças em uma escola. (Reuters)

(© O Estado de S. Paulo)


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