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D'Alema cobra ajuda do mundo ao Brasil

13/11/2002

 

 

Ex-primeiro-ministro da Itália diz que 'esperança' representada por Lula não pode 'ser traída'

CONRADO CORSALETTE

   O ex-primeiro-ministro da Itália Massimo D'Alema afirmou ontem, após encontro em São Paulo com o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, que a comunidade internacional sofrerá "conseqüências muito graves'' caso não se esforce em ajudar o próximo governo brasileiro. "O mundo, os Estados Unidos e a Europa, não podem se dar ao luxo de permitir que toda a América Latina se transforme numa grande Argentina", disse D'Alema, em entrevista concedida à tarde, no comitê central de campanha do presidente eleito.

   Presidente do Partido Democrático da Esquerda (PDS) italiano (ex-Partido Comunista), D'Alema sustentou que "a esperança" representada por Lula não poderá "ser traída". "Espero que a Europa não perca esse grande compromisso, porque seria gravíssimo se o mundo não entendesse a esperança representada por Lula, que é a esperança não só Brasil, mas de um continente inteiro", disse o ex-primeiro-ministro italiano. "O mundo precisa não apenas respeitar Lula, mas também ajudar o Brasil."

   Antes da visita ao Brasil, de onde partiria ainda na noite de ontem, o ex-primeiro-ministro esteve no Uruguai, no Chile e na Argentina. "Falei com políticos e presidentes desses países, progressistas e conservadores, socialistas e liberais, e para todos eles o Brasil de Lula é uma esperança", disse D'Alema. "A vitória de Lula teve valor não apenas para o Brasil, mas para toda América Latina."

   "Reflexões" - Na conversa com o presidente eleito, o político italiano disse ter escutado "reflexões" neste momento pós-eleitoral e discutido as relações entre o Brasil, a América Latina e a Europa, ressaltando o empenho da Itália para que as barreiras comerciais da União Européia, principalmente agrícolas, sejam removidas o mais rápido possível.

   "Massimo D'Alema é companheiro e amigo do PT", disse Lula, na breve apresentação que fez do ex-primeiro-ministro. "Certamente nessas conversas e neste momento que o PT se prepara para assumir o governo, muito teremos a aprender com quem já teve a responsabilidade de dirigir um país importante como a Itália."

   O ex-primeiro-ministro italiano elogiou muito o presidente eleito e disse que Lula saberá lidar com a realidade de ser governo. "Governar implica realismo e gradualidade na busca dos objetivos", afirmou D'Alema. "Eu tenho grande confiança de que Lula sabe perfeitamente dessas coisas."

   D'Alema afirmou ainda que Lula manterá o "prestígio internacional" do Brasil conquistado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas ressaltou as perspectivas de mudança. "Cardoso foi importante para o País e reforçou o prestígio internacional do Brasil e, neste ponto de vista, Lula continuará a representar o Brasil com grande prestígio e com grande visibilidade", disse o ex-primeiro-ministro. "Mas naturalmente que Lula representa mudança, que tem no seu centro algumas escolhas claras: redução da desigualdade social e combater a fome e a miséria, promover o desenvolvimento e o emprego."

(© O Estado de S. Paulo)


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