Arqueólogos italianos acabam de descobrir, não muito longe de Roma, um
templo construído pelo imperador Adriano em homenagem a um jovem amante
seu.
"Trata-se da descoberta arqueológica
mais importante desta região em muitos anos", frisou Anna Maria Reggiani, diretora
de arqueologia de Lazio.
As ruínas dos templo - uma enorme estrutura
semicircular - foram desenterradas durante escavações na vila de Adriano, a uns 30 km de
Roma. A história do templo tem forte relação com o caráter do próprio imperador, que
viveu do ano 76 ao 138 da era cristã.
Transtornado com a morte de Antinous, seu
jovem amante grego - segundo os registros conhecidos, ele se afogou (ou foi afogado) no
Rio Nilo, no ano 130 -, Adriano fundou em sua memória a cidade de Antinópolis, no Egito.
Adriano também mandou erguer estátuas, à imagem e semelhança de Antinous, em várias
partes do Império Romano.
Sempre foi uma incógnita, porém, se Adriano
havia também construído um templo em honra do amante em sua cidade favorita, na vila que
serviu como sede de seu governo e onde possuía sua luxuosa residência.
Seguindo um tipo de "instinto",
Zacarias Mari, o diretor da pesquisa na qual se encontrou o templo, começou em 2000 os
trabalhos de escavação no complexo principal da vila de Adriano. Descobriu, por fim, uma
praça que marcava a entrada principal da vila logo que se chegava a Roma. Achou também a
laje retangular da entrada original, que sinalizava o caminho de entrada para as ruas às
carruagens.
Até agora, os arqueólogos escavaram parte das paredes do templo, que
data do ano 134, pouco após a morte do jovem. "Desenterramos uma série
de fontes dos jardins interiores, nichos para estátuas e fragmentos de
mármore muito importantes, alguns com hieróglifos egípcios", revelou
Mari. Acredita-se que as escritas referem-se ao amante do imperador
desde que este o declarou um deus - Osíris-Antinous, o Sagrado - em
território egípcio.
(© Jornal da Tarde)