CIDADE DO VATICANO -- O Vaticano
manifestou nesta segunda-feira apoio ao ex-chefe de governo italiano Giulio Andreotti,
condenado a 24 anos de prisão por cumplicidade no assassinato de um jornalista em 1979.
"A solidaridade demonstrada ao senador Giulio Andreotti pelo mundo
político e institucional, e também por muitíssimos cidadãos, é plenamente
compartilhada por nosso jornal", escreveu l'Osservatore Romano na primeira página.
Políticos italianos de todas as tendências cerraram fileiras em apoio a
Andreotti, de 83 anos, que foi sete vezes primeiro-ministro
Andreotti sempre negou as acusações da Máfia de que havia ordenado o
assassinato do jornalista Mino Pecorelli, que estaria para divulgar informações
comprometedoras e já afimou que vai apelar ao Tribunal Supremo do país.
A decisão judicial, anunciada neste domingo e que revoga uma setença de
absolvição de 1999, estremeceu a classe política italiana e provocou reações
inclusive do governo, onde o primeiro-ministro Silvio Berlusconi encabeçou apelos para
que se promova uma revisão completa do sistema judicial no país.
"Esta justiça que está aí enlouqueceu", disse Berlusconti,
que mantém sua própria batalha pessoal com os magistrados, enfrentando acusações de
corrupção, relacionadas a seu império jornalístico.
"Desconcertante e absurda"
O jornal do Vaticano qualifica de "desconcertante e absurda" a
sentença do tribunal de Perúgia, no centro da Itália.
"Trata-se de uma vitória sinistra da 'arrependitocracia' que torna
urgente uma reforma nas normas utópicas referentes aos arrependidos e ao crédito que
merecem", acrescenta l'Osservatore.
Uma lei de 1991, modificada em 2001, garantia aos mafiosos arrependidos
que colaborassem com a justiça uma série de vantagens, como proteção para suas
famílias, alojamentos e indenizações.
Antes do final de novembro, a comissão antimáfia apresentará um projeto
de revisão dessa lei ante o Parlamento.
Desde os anos 80, os primeiros arrependidos desfrutaram desse tipo de
vantagem sem que o assunto estivesse regulamentado por lei.
O primeiro arrependido mais polêmico foi o mafioso Tommasino Buscetta,
que passou um tempo no Brasil e morreu há dois anos e meio nos Estados Unidos.
Na década de 90, Buscetta revelou aos juízes italianos as regras
internas da "Cosa Nostra", a máfia siciliana, e os nomes de seus principais
chefes.
O julgamento de Andreotti só foi possível devido às revelações de
Buscetta sobre as relações entre a Máfia e o poder político.
Atualmente, 1.112 mafiosos arrependidos e 72 testemunhas, além de quase
4. 000 familiares, beneficiam-se dos programas de proteção previstos por lei. (Com
informações da France Presse e da Reuters)
(© CNN.com.br)
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