Mostra reúne o melhor de Manzú
Agência EFE
ROMA - Esculturas, pinturas e
gravações, num total de 250 obras do italiano Giacomo Manzú (1908-1991), compõem uma
extensa mostra de um dos mais importantes escultores italianos do século 20, aberta em
Roma.
Corpos entrelaçados em abraços
apaixonados, homens e mulheres nus, cadeiras sobre as quais estão sentados diferentes
personagens a ponto de cair e bustos com expressão de dor e felicidade esperam o
visitante no Palácio Veneza, na capital italiana.
Trata-se da primeira grande mostra
retrospectiva daquele que é considerado o ''escultor dos papas'', cujas obras estavam
espalhadas entre coleções privadas e museus de arte contemporânea como o Ludwig, de
Colonia (Alemanha), e o Guggenheim, de Nova York.
São peças realizadas com materiais
simples como argila e terracota, em suas primeiras obras da década de 30, até as
elaboradas em bronze, 20 anos depois.
- Meu trabalho é resultado de minha
voz. As cadeiras que esculpo são as únicas herdeiras da minha casa; os cardeais são uma
recordação da minha infância; e os mortos inocentes, das guerras que vi - disse Manzú
numa entrevista, em 1976.
Entre as obras do artista que mais
admiração despertam - e as mais conhecidas - estão a coleção de esculturas de
cardeais e outras de temas religiosos, como Crucificação, Anunciação (de
inspiração neoclássica) e Caim e Abel - esta última, exposta agora pela
primeira vez ao público.
O escultor italiano manteve uma
estreita relação com a Igreja, laço que ficou confirmado quando o papa João XXIII
encomendou a ele a realização de uma das portas da Catedral de São Pedro, a Porta da
morte, inaugurada em 1964 pelo papa Paulo VI depois de 20 anos de trabalho.
- A paz e a guerra são os temas
principais na arte de Manzú - explicou ontem, na abertura da exposição, o marchand do
artista, Claudio Strinati.
Ele considera que a obra de Manzú ''é
fruto da tensão entre a criatividade, a beleza, a forma e a imagem'' - enfoque sob o qual
se realiza a mostra.
A exposição foi inaugurada ontem pelo
presidente da Itália, Carlo Azaglio Ciampi, em uma homenagem de seu país natal ao
escultor, 11 anos após sua morte.
- Meu marido teria gostado de ver como
o presidente Ciampi admira suas esculturas e se comove com elas, como vi hoje [ontem]-
disse Inge Manzú, viúva do artista.
(© JB Online)