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Giacomo Manzú: entre papas e nus

30/11/2002

Amanti. Giaocomo Manzù. 1965

 

Mostra reúne o melhor de Manzú

Agência EFE

   ROMA - Esculturas, pinturas e gravações, num total de 250 obras do italiano Giacomo Manzú (1908-1991), compõem uma extensa mostra de um dos mais importantes escultores italianos do século 20, aberta em Roma.

   Corpos entrelaçados em abraços apaixonados, homens e mulheres nus, cadeiras sobre as quais estão sentados diferentes personagens a ponto de cair e bustos com expressão de dor e felicidade esperam o visitante no Palácio Veneza, na capital italiana.

   Trata-se da primeira grande mostra retrospectiva daquele que é considerado o ''escultor dos papas'', cujas obras estavam espalhadas entre coleções privadas e museus de arte contemporânea como o Ludwig, de Colonia (Alemanha), e o Guggenheim, de Nova York.

   São peças realizadas com materiais simples como argila e terracota, em suas primeiras obras da década de 30, até as elaboradas em bronze, 20 anos depois.

   - Meu trabalho é resultado de minha voz. As cadeiras que esculpo são as únicas herdeiras da minha casa; os cardeais são uma recordação da minha infância; e os mortos inocentes, das guerras que vi - disse Manzú numa entrevista, em 1976.

   Entre as obras do artista que mais admiração despertam - e as mais conhecidas - estão a coleção de esculturas de cardeais e outras de temas religiosos, como Crucificação, Anunciação (de inspiração neoclássica) e Caim e Abel - esta última, exposta agora pela primeira vez ao público.

   O escultor italiano manteve uma estreita relação com a Igreja, laço que ficou confirmado quando o papa João XXIII encomendou a ele a realização de uma das portas da Catedral de São Pedro, a Porta da morte, inaugurada em 1964 pelo papa Paulo VI depois de 20 anos de trabalho.

   - A paz e a guerra são os temas principais na arte de Manzú - explicou ontem, na abertura da exposição, o marchand do artista, Claudio Strinati.

   Ele considera que a obra de Manzú ''é fruto da tensão entre a criatividade, a beleza, a forma e a imagem'' - enfoque sob o qual se realiza a mostra.

   A exposição foi inaugurada ontem pelo presidente da Itália, Carlo Azaglio Ciampi, em uma homenagem de seu país natal ao escultor, 11 anos após sua morte.

   - Meu marido teria gostado de ver como o presidente Ciampi admira suas esculturas e se comove com elas, como vi hoje [ontem]- disse Inge Manzú, viúva do artista.

(© JB Online)

 

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