PALERMO, Itália --
Duas semanas após ter sido condenado a 24 anos de prisão pelo
assassinato de um jornalista, o ex-primeiro-ministro italiano Giulio
Andreotti retornou aos tribunais nesta quinta-feira, desta vez para ser
formalmente acusado de associação com a máfia.
Andreotti já foi julgado pelo mesmo crime; em 1999,
acabou inocentado das acusações de ser, ao longo de sua extensa carreira política, o
maior lobista da máfia nos corredores do poder.
Na ocasião, dois dos 38 mafiosos arrependidos que
prestaram depoimento disseram ter visto o ex-premier conversando com membros da máfia.
A promotoria apelou contra o veredicto, levando à
abertura de um novo processo. O ex-premier, que está com 83 anos, nega as acusações, as
quais atribui a um complô "diabólico" da máfia para puni-lo pela repressão
ao crime organizado.
Na audiência preliminar desta quinta-feira, em
Palermo, capital da Sicília, a promotoria pediu que o tribunal ouvisse o depoimento de
Antonino Giuffre, que, após ser preso em abril último, entregou provas que resultaram na
prisão de 29 mafiosos, há dois meses.
Giuffre era o braço direito daquele que se acredita
seja o atual chefe da máfia, Bernardo Provenzano, que está foragido há 40 anos.
A promotoria não revelou se Giuffre fez acusações
diretas contra Andreotti, que tem cargo de senador vitalício e já foi chefe do governo
italiano por sete mandatos.
Andreotti esquivou-se da imprensa ao entrar no
tribunal, mas já havia manifestado sua opinião sobre o novo julgamento na semana
passada.
"Alguém com um rosto tão conhecido como eu
sairia à luz do dia para ir até à casa de alguém que está em prisão domiciliar para
se encontrar com a pessoa mais procurada da Itália?", ironizou. "Não deveriam
me condenar, mas, sim, me colocar num hospício". (Com informações da Reuters)
(© CNN.com.br)