Declarações de Antinori são recebidas com ceticismo por especialistas
Vários cientistas manifestaram seu ceticismo a respeito do nascimento de
um bebê clonado em janeiro, anunciado pelo ginecologista italiano Severino Antinori.
"É possível, mas estou muito cética em relação a isso", disse a professora
Anne McLaren, do Instituto do Fundo Wellcome do Reino Unido para a Investigação do
Câncer, na Universidade de Cambridge.
Especialistas em clonagem duvidam que Antinori e seus colegas tenham
experiência para clonar seres humanos. O italiano, aliás, não deu detalhes sobre como
foi a clonagem, sobre os pais do bebê ou o país em que foi realizada. "Esperaremos
e analisaremos os resultados dos exames de DNA se esse bebê nascer. Espero que não tenha
anomalias", comentou Anne.
Na Cidade do Vaticano, Gino Concetti, um de seus principais teólogos, que
escreve no jornal L'Osservatore Romano, considerou a possibilidade de clonagem humana uma
ofensa a Deus e também demonstrou ceticismo a respeito do bebê clonado: "Ele
(Antinori) tem só hipóteses e não apresentou provas.
Se for verdade, então a Igreja condena isso, pois a clonagem como método
de procriação contradiz o princípio bíblico da procriação por meio do
casamento."
Em meio à agitação causada pelo italiano, novo anúncio de nascimento
de clonados foi feito ontem pela cientista francesa Brigitte Boisselier, "bispo"
da seita raeliana. "Temos cinco gestações em curso e logo nascerá o primeiro
bebê, uma menina", disse Brigitte em Las Vegas, onde preside a empresa Clonaid, de
clonagem humana. Ela afirmou que os bebês nascerão de dois casais americanos, dois
asiáticos e um europeu. A seita incentiva a clonagem como forma de a humanidade alcançar
a vida eterna. (Reuters, AFP)
(© O Estado de S. Paulo)
| Italiano diz que bebê
clonado vai nascer em janeiro |
| ROMA (Reuters) - O polêmico médico
italiano Severino Antinori disse na terça-feira que um bebê clonado deve nascer em
janeiro, mas se recusou a dar detalhes sobre a mulher que dará à luz a criança.
"Está indo bem. Não há problemas", disse Antinori numa
entrevista coletiva, acrescentando que fez uma "contribuição científica e
cultural" ao projeto, mas não está diretamente envolvido nele.
O médico, que ficou conhecido no mundo todo em 1994, ao ajudar uma mulher
de 62 anos a ter um bebê, é favorável à clonagem como meio de permitir a paternidade a
casais inférteis.
Muitos duvidaram das declarações anteriores de Antinori de que havia
mulheres grávidas de clones. O italiano não apresentou nenhuma prova da gravidez durante
a entrevista.
Grande parte da comunidade médica e científica considera a clonagem
humana uma irresponsabilidade, já que há chance de criar bebês doentes e levanta
dilemas éticos sem solução.
Antinori se recusou a revelar a nacionalidade da mulher ou onde ela está,
mas disse que os exames de ultra-som mostraram que o bebê já pesa entre 2,5 e 2,7 quilos
e é "absolutamente saudável".
Ele havia dito em maio que havia três mulheres grávidas de bebês
clonados, uma na décima semana, uma na sétima e uma na sexta. Uma gravidez normal dura
40 semanas. Na época, ele revelou que uma delas vivia num país islâmico.
Na entrevista de terça-feira, Antinori não especificou se a mulher que
deve dar à luz em janeiro é uma das três a que ele se referira em maio.
(© UOL/Reuters) |