Da AFP
O Papa João Paulo II condenou nesta
segunda-feira "o racismo, a xenofobia e o nacionalismo exagerado", e conclamou a
comunidade internacional a combater "todas as formas de discriminação, rejeição e
marginalização". O pronunciamento foi feito por ocasião do Dia Mundial da
Migração e dos Refugiados.
Em sua mensagem, preparada para a 89ª Jornada Mundial
sobre a Imigração, que será celebrada no próximo ano, João Paulo II exortou as
comunidades a "passarem da mera tolerância para o respeito real pelas
diferenças".
De acordo com as estatísticas do Vaticano, cerca de
191 milhões de pessoas no mundo vivem fora de seu país de nascimento, dos quais 175
milhões emigraram por razões econômicas e 16 milhões são refugiados políticos.
O papa advertiu que os mais vulneráveis são "os
emigrantes sem documentos, os refugiados, os que buscam asilo, os que fogem de conflitos
violentos e as vítimas - na maioria mulheres e crianças - do tráfico humano".
No domingo, na Praça de São Pedro, o chefe da Igreja
Católica fez um pedido em favor dos imigrantes ao saudar milhares de trabalhadores
filipinos residentes na capital italiana.
Mais de 20 mil pessoas protestaram no sábado em Turim
(Norte da Itália) contra a nova lei de imigração, mais restritiva, adotada pelo
Parlamento em setembro passado.
Segundo o cardeal japonês Fumio Hamao, presidente do
Conselho Pontifício para os migrantes, 50 milhões de pessoas no mundo vivem como
refugiados em seu próprio país.
Para ele, nos próximos 25 anos, dezenas de milhões de
pessoas vão ter que emigrar devido a mudanças climáticas, como por exemplo a
desertificação e o aumento do nível do mar.
O Vaticano disse que, depois dos atentados de 11 de
setembro de 2001, foram adotadas leis mais severas contra os emigrantes e os refugiados
nos países mais desenvolvidos.
"O clima político mudou em detrimento dos
migrantes e refugiados", afirmou o cardeal.
"Depois de 11 de setembro de 2001, por temer o
terrorismo, os governos começaram a promulgar leis cada vez mais severas para manter a
ordem e a segurança. Adotaram normas restritivas para o asilo, uma instituição
tradicional na legislação internacional", acrescentou.
"Além disso, tem sido comum associar a
imigração com o aumento da criminalidade. Por isso, a atitude em relação aos
imigrantes se tornou hostil, xenófoba e mesmo racista", denunciou.
Vários líderes religiosos se reuniram no Vaticano
para analisar o fenômeno da imigração, no qual estão envolvidas várias organizações
católicas, que ajudam imigrantes sem documentos.
A denúncia do papa coincide com a morte, neste
domingo, de 44 imigrantes no naufrágio de dois barcos no Mediterrâneo que se dirigiam
para as costas da Espanha e da Itália.
"Eles perseguem um sonho. Navegam por dias e
semanas em barcos precários com a esperança de conseguir uma vida melhor para si e suas
famílias. São reféns de traficantes sem escrúpulos e os que têm sorte conseguem
chegar aos países 'desenvolvidos', onde são apenas tolerados", lamentou nesta
segunda-feira o jornal do Vaticano L'Osservatore Romano.
Até o momento, a nacionalidade dos imigrantes
afogados, a maioria do Norte da África, é desconhecida. Mais de cinqüenta foram salvos.
(© Diário Online)