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Papa condena racismo e xenofobia contra imigrantes

03/12/2002

 

 

Da AFP

   O Papa João Paulo II condenou nesta segunda-feira "o racismo, a xenofobia e o nacionalismo exagerado", e conclamou a comunidade internacional a combater "todas as formas de discriminação, rejeição e marginalização". O pronunciamento foi feito por ocasião do Dia Mundial da Migração e dos Refugiados.

   Em sua mensagem, preparada para a 89ª Jornada Mundial sobre a Imigração, que será celebrada no próximo ano, João Paulo II exortou as comunidades a "passarem da mera tolerância para o respeito real pelas diferenças".

   De acordo com as estatísticas do Vaticano, cerca de 191 milhões de pessoas no mundo vivem fora de seu país de nascimento, dos quais 175 milhões emigraram por razões econômicas e 16 milhões são refugiados políticos.

   O papa advertiu que os mais vulneráveis são "os emigrantes sem documentos, os refugiados, os que buscam asilo, os que fogem de conflitos violentos e as vítimas - na maioria mulheres e crianças - do tráfico humano".

   No domingo, na Praça de São Pedro, o chefe da Igreja Católica fez um pedido em favor dos imigrantes ao saudar milhares de trabalhadores filipinos residentes na capital italiana.

   Mais de 20 mil pessoas protestaram no sábado em Turim (Norte da Itália) contra a nova lei de imigração, mais restritiva, adotada pelo Parlamento em setembro passado.

   Segundo o cardeal japonês Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontifício para os migrantes, 50 milhões de pessoas no mundo vivem como refugiados em seu próprio país.

   Para ele, nos próximos 25 anos, dezenas de milhões de pessoas vão ter que emigrar devido a mudanças climáticas, como por exemplo a desertificação e o aumento do nível do mar.

   O Vaticano disse que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, foram adotadas leis mais severas contra os emigrantes e os refugiados nos países mais desenvolvidos.

   "O clima político mudou em detrimento dos migrantes e refugiados", afirmou o cardeal.

   "Depois de 11 de setembro de 2001, por temer o terrorismo, os governos começaram a promulgar leis cada vez mais severas para manter a ordem e a segurança. Adotaram normas restritivas para o asilo, uma instituição tradicional na legislação internacional", acrescentou.

   "Além disso, tem sido comum associar a imigração com o aumento da criminalidade. Por isso, a atitude em relação aos imigrantes se tornou hostil, xenófoba e mesmo racista", denunciou.

   Vários líderes religiosos se reuniram no Vaticano para analisar o fenômeno da imigração, no qual estão envolvidas várias organizações católicas, que ajudam imigrantes sem documentos.

   A denúncia do papa coincide com a morte, neste domingo, de 44 imigrantes no naufrágio de dois barcos no Mediterrâneo que se dirigiam para as costas da Espanha e da Itália.

   "Eles perseguem um sonho. Navegam por dias e semanas em barcos precários com a esperança de conseguir uma vida melhor para si e suas famílias. São reféns de traficantes sem escrúpulos e os que têm sorte conseguem chegar aos países 'desenvolvidos', onde são apenas tolerados", lamentou nesta segunda-feira o jornal do Vaticano L'Osservatore Romano.

   Até o momento, a nacionalidade dos imigrantes afogados, a maioria do Norte da África, é desconhecida. Mais de cinqüenta foram salvos.

(© Diário Online)

 

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