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Livro conta a história de presépio italiano

16/12/2002

 

   São Paulo - Foi lançado, no Museu de Arte Sacra, o livro O Presépio Napolitano de São Paulo, publicação coordenada pelo historiador José Roberto Walker e com fotografias de Iatã Cannabrava. A obra conta a história do presépio que foi criado por São Francisco de Assis em 1233 e que no século 18 foi esculpido em Nápoles. No lançamento a soprano Niza de Castro Tank e o grupo Madrigal Decassom apresentaram um espetáculo de música sacra e natalina.

   O Presépio Napolitano foi comprado pelo industrial Francisco Ciccillo Matarazzo Sobrinho, que na década de 50 doou o conjunto formado por mais de 1.600 esculturas para a cidade de São Paulo. Desse modo, o livro também se dedica a contar a história do mecenas bem como situar a vida cultural paulistana nas décadas de 40 e 50. Quando o presépio chegava ao Brasil vindo da Itália, São Paulo comemorava seu quarto centenário.

   Mas a história do conjunto de peças criadas por artistas e artesãos italianos - desde as figuras humanas até os cenários - é recuperada desde sua origem, ano 1233, nos textos de Luciano e Alessandro Migliaccio. E, no fim, a obra se dedica exclusivamente às fotografias de Cannabrava, que nos mostram detalhes da face e das roupas de muitas das figuras presentes no conjunto.

   O Presépio Napolitano está abrigado no Museu de Arte Sacra de São Paulo desde 1999, sob coordenação e conservação de Lourdes Duarte Milliet. O livro está à venda nas livrarias e será distribuído em bibliotecas e instituições culturais.

O Presépio Napolitano de São Paulo - Coordenação editorial de José Roberto Walker. Fotos de Iatã Cannabrava. 144 páginas. 120 fotos. R$ 69,00.

(© estadao.com.br)

Exposição Fotográfica do Presépio Napolitano de São Paulo
  

   Mais uma vez, com a proximidade das festas de fim de ano, num momento em que o mundo precisa de paz entre os homens, independentemente de raça, credo, língua e ideologia, o Memorial do Imigrante comemorou a data máxima da cristandade, sem esquecer que a mensagem de amor ao próximo é um ideal em todas as culturas. Mas como a cultura e a história de um momento (ou de momentos) pode ser expressa para nossos visitantes?

   A resposta é fácil: usando a mesma idéia que foi posta em prática no pequeno vilarejo de Greccio (Itália), pelos idos de 1223.

   Quantas pessoas já pararam para pensar por que montamos presépios na época do Natal. É uma história muito bonita, que une a crença num mundo melhor, não no final dos tempos, mas aqui e agora, com paz e amor entre todos os povos da humanidade.

   A idéia foi de São Francisco de Assis, fundador da ordem dos Franciscanos, cujos religiosos faziam voto de pobreza, desligando–se dos prazeres mundanos e materialistas. Consta que aquele santo resolveu encenar o nascimento de Jesus (daí a palavra Natal – raiz latina para nascimento), achando que isso aproximaria mais as pessoas simples do lugar. Haveria personagens como os Reis Magos (ou Sábios), os pastores e camponeses, acompanhados dos animais (afinal São Francisco é seu protetor) além, é claro, da Sagrada Família. O sucesso da iniciativa espalhou a novidade por toda a Europa, da boca de um ao ouvido de outro e, com o tempo, foi sendo adaptada em cada região e cultura. No Brasil, a idéia chegou pelas mãos de um jesuíta, José de Anchieta, e foi encenada pela primeira vez aos gentios (índios) e colonos portugueses em 1552.

   Até a década de 1970, era comum as casas de famílias católicas ostentarem um presépio, tanto mais chique e incrementado quanto mais abastada a família, contrariando os princípios de São Francisco. Uma dessas famílias era descendente de um famoso imigrante italiano – Matarazzo. Seu filho, Ciccilo, que anos depois seria um dos fundadores da Bienal de São Paulo, comprou um magnífico presépio do século XVIII na Itália do pós–guerra, mais precisamente em 1949. No dia de São Francisco (4 de outubro) do ano seguinte, esse presépio quot;napolitano" foi exposto na Galeria Prestes Maia. Suas 1.600 figuras e personagens, cada um diferente do outro, nos mostra muito mais que a fé e a devoção religiosa. Ele representa todo um momento do cotidiano daquela região italiana, um verdadeiro estudo dos costumes e relações sociais das mais variadas classes e tipos.

   Atualmente, esse presépio se encontra em exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo, um órgão, como o Memorial, da Secretaria de Estado da Cultura. Devido ao seu tamanho e à dificuldade para a montagem, que exige técnicos especializados, ele não pode circular. A solução encontrada para expô-lo no Memorial do Imigrante foi "transformá–lo" em uma exposição fotográfica. Se, por um lado, se perde a tridimensionalidade e a sensação das peças ao vivo, por outro, pudemos condensar sua beleza em 19 painéis, onde tivemos a vantagem adicional de observar detalhes que a distância decorrente dos esforços de preservação e montagem dessa obra–prima não permitem. A ampliação de detalhes muda o nosso olhar, que passa a ser mais crítico e apurado. Podemos reconhecer as expressões dos personagens, cada qual com suas peculiaridades, contando um momento de suas histórias na "Napoli degli ottocento", mesclado à história bíblica.

   Além dos painéis, estiveram expostas algumas peças do acervo do Memorial, alusivas às festas e brincadeiras de vários grupos imigrantes, assim como uma cenografia especial, e histórias e lendas natalinas de diferentes nacionalidades. Lá estavam a Befana, uma bruxinha que trás presentes para as crianças italianas; Santa Klaus, um simpático Papai–Noel austríaco e muitos outros objetos. A decoração desses outros painéis foi feita com a reprodução de cartões postais de Boas Festas, de vários países e épocas.

   Embora o dia 5 de janeiro seja a data em que se deve desmontar os presépios (Dia de Reis, quando as crianças na Espanha recebem os presentes de Natal), no dia 6 de janeiro realizamos com o apoio do Circolo Toscano e da Ass. Giovani Cuori a Festa da Befana, com a distribuição de doces e guloseimas para as crianças presentes.

Serviço: exposição de 11 de dezembro de 2001 a 6 de janeiro de 2002

(© memorialdoimigrante.sp.gov.br)

 

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