Da AFP
O ministro da cultura da Itália, Giuliano
Urbani, informou nesta quinta-feira que seu país decidiu abrir, para que possam ser
consultados, importantes arquivos com correspondência inédita entre Benito Mussolini e o
líder nazista Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
A decisão foi anunciada pelo ministro, que
qualificou o material de "inquestionável interesse histórico".
Trata-se de documentos da Segunda Guerra
Mundial, que foram verificados, provenientes dos arquivos da secretaria particular de
Benito Mussolini, diz o comunicado.
Segundo a nota, os documentos incluem
sobretudo cópias "da correspondência entre Hitler e Mussolini de julho de
1943", pouco antes da queda do regime fascista na Itália.
A documentação foi mantida secreta durante
60 anos pelos familiares do major do exército Mario Alicicco, a quem o ex-rei Umberto II,
no momento de partir para o exílio, a entregou em custódia.
O material foi retirado do Palácio Venezia
--sede do governo fascista -- depois de 25 de julho de 1943, quando Mussolini foi
destituído, informou o ministro.
Os documentos, que incluem também
informações sobre a situação militar, a produção bélica, a localização das tropas
italianas em plena guerra e até escutas telefônicas, foram confiados ao major Alicicco
com a promessa de não divulgá-los antes que se passassem 50 anos, o que foi cumprido por
seus dois filhos.
"Os documentos são relativos aos
principais palcos de operações bélicas das tropas italianas na Segunda Guerra Mundial,
como França, Rússia, Tunísia, os Balcãs e Sicília e à reunião entre Hitler e
Mussolini em junho de 1943 e incluem várias notas escritas por Mussolini", diz o
comunicado.
Muitas atas do Estado italiano desapareceram
entre meados de 1943 e 1945, afirmou o ministro italiano, obrigando os historiadores a uma
difícil reconstrução de fatos e circunstâncias que constituem uma parte fundamental da
história da República, "indispensável para compreender plenamente as raízes de
nosso presente".
(© Diário Online)