 |
|
|
Vaticano aprova plano contra padres pedófilos |
|
21/12/2002
|
ROMA. Descrevendo o crime de pedofilia
como abominável, o Vaticano aprovou um regulamento que determina como a Igreja Católica
deve punir padres envolvidos numa série de escândalos de abuso sexual naquele país.
Numa tentativa de afastar a maior crise enfrentada pela Igreja nos últimos tempos, as
novas regras estabelecem duras punições para os acusados, mas garante a eles pleno
direito de defesa.
O novo regulamento determina que o acusado deve ser afastado permanentemente
do sacerdócio se um único caso de abuso sexual for admitido ou estabelecido.
Mas dá a ele chance de permanecer na Igreja, ainda que seja afastado da vida paroquial
para não ter contato com menores. Se ele for transferido de residência ou instituição
para tratamento, escritórios eclesiásticos devem ser informados sobre o perigo que
representa a crianças e jovens.
O regulamento foi aprovado três dias depois de o Papa João Paulo II aceitar
a renúncia do cardeal Bernard Law, arcebispo de Boston, cidade onde padres são alvos de
cerca de 450 denúncias de abuso sexual. Law é acusado de ter-se limitado a transferir
padres denunciados.
O Vaticano disse que a Igreja americana deve fazer todo o esforço para
recuperar o respeito. Em carta ao bispo Wilton Gregory, da Conferência dos Bispos dos
EUA, o cardeal Giovanni Battista Re, chefe da Congregação dos Bispos, afirma que a lei
universal da Igreja sempre reconheceu o abuso sexual de menores como uma das mais
sérias ofensas que ministros consagrados podem cometer, e determina que ela seja punida
com as mais severas penas.
O cardeal prossegue: Ao mesmo tempo, ao assegurar que a verdade dos
fatos seja verificada, as normas aprovadas protegem direitos humanos invioláveis,
incluindo o direito de defesa, e garantem o respeito à dignidade dos envolvidos, a
começar pelas vítimas.
O Vaticano rejeitara uma primeira versão mais severa do
regulamento proposta em outubro por bispos dos EUA. Argumentara que as normas eram
confusas e legalmente ambíguas. Elas foram revistas por uma comissão de representantes
dos EUA e do Vaticano.
O Vaticano temia que o regulamento permitisse a punição de padres sem
comprovação de crime, e exigiu que o documento incluísse o princípio de que uma pessoa
é inocente até prova em contrário. O novo regulamento vai vigorar durante dois anos,
após os quais será reavaliado por bispos dos EUA.
(© O Globo On Line)
Assim
não haverá justiça |
| Toni Marques NOVA YORK. As vítimas de abuso sexual de padres
americanos não estão satisfeitas com a posição do Vaticano, disse ao GLOBO Mark
Vincent Serrano, diretor do grupo Rede de Pessoas Sobreviventes de Abusos de Padres. Aos
37 anos, o ex-coroinha Serrano, diz ter sido molestado dos 9 aos 16 anos.
Qual a sua avaliação sobre a posição do Vaticano em relação à política da
Igreja nos EUA para as acusações de abuso?
MARK VINCENT SERRANO: É mera formalidade. Os burocratas do Vaticano e os bispos
americanos se reuniram para elaborar um plano que foi mal concebido e será mal
implementado.
Por quê?
SERRANO: Porque permite que os autores de abuso sexual permaneçam no sacerdócio e
que os bispos mantenham julgamentos arbitrários. Os bispos saem fortalecidos. Continuam
com o poder de permitir que vidas sejam estragadas por maus padres.
As juntas de revisão das acusações, que vão contar com participação de leigos,
não bastam para levar uma acusação à Justiça?
SERRANO: Não. Os padres alegam que levam as acusações a autoridades civis quando
as leis locais o exigem. Queremos padrões mais altos de Justiça. As juntas só terão
papel consultivo. As cortes serão feitas de padres. Assim não haverá justiça.
Precisamos de mais procuradores tendo acesso a arquivos de igrejas.
(© O Globo On Line) |
|
|
|
|
|
 |
 |