O anúncio foi feito por Ignazio
Roiter, médico do Hospital de Treviso, em entrevista publicada ontem no jornal La
Repubblica. No entanto, ele não revelou a identidade da família. O médico disse que
raramente os cromossomos de uma família contêm esse gene, mas, quando isso acontece, um
em cada quatro membros sofre da doença.
Roiter afirmou que nessa família já foi registrado mais de 50 casos,
desde o século 19. Nos últimos 30 anos, morreram 15 pessoas por causa da enfermidade. O
médico contou que, em 1973, uma mulher de 49 anos, membro dessa família, foi fazer uma
consulta médica com problemas de stress e depressão. Ela dizia que não podia conciliar
o sono. "Em seis meses ela morreu, pesando 30 quilos."
Cinco anos depois, a doença afetou a irmã dela. A mulher, de 53 anos,
apresentava os mesmos problemas e poucos meses depois também morreu, segundo Roiter. Ele
analisou o cérebro das mulheres e descobriu que no hipotálamo não existiam neurônios,
o que significa que a necessidade biológica que o corpo tem de dormir tinha sido anulada.
A conseqüência de não dormir é a morte.
Uma em cada 33 milhões de pessoas sofrem dessa doença no mundo. Desde
1986, segundo Roiter, apareceram cerca de 50 pessoas com esse mal na Espanha, Alemanha e
Japão.
No momento, cientistas seguem investigando a busca de uma terapia para a
FFS. Graças ao empenho dos familiares desses doentes, em 7 de janeiro, em Bolonha, será
criada uma associação especializada na doença. (EFE)