A Rede Globo estréia em
janeiro 'A Casa das Sete Mulheres', superprodução que conta a participação de Giuseppe
e Anita Garibaldi na Guerra dos Farrapos. Com cada capítulo custando o dobro do de uma
novela, a minissérie reuniu 2,5 mil figurantes e um time de estrelas como Thiago Lacerda
e Giovanna Antonelli
GIULIANA REGINATTO
Até o diretor Jayme Monjardim estava cansado
da expressão "amore mio" que Thiago Lacerda vivia repetindo em 'Terra Nostra',
de 2000, quando o ator interpretava o italiano Matteo. Mesmo assim escalou o moço para
viver outro imigrante italiano: o revolucionário Giuseppe Garibaldi, protagonista da
minissérie 'A Casa das Sete Mulheres' que a Globo coloca no ar de 7 de janeiro a 4 de
abril, de terça a sexta-feira, sempre às 23h.
"Desta vez o público vai ver Lacerda na
guerra, berrando 'Andiamo, andiamo!' para suas tropas", garante Monjardim, que se
prepara para contar a história da 'Guerra dos Farrapos' com toques de superprodução:
cada capítulo saiu pelo dobro do custo médio de um capítulo de novela das 20h, R$ 100
mil. "É o trabalho mais audacioso que já dirigi em 25 anos de carreira", diz o
diretor. "Acho que tive mais trabalho para comandar aquele monte de gente nas cenas
do que o próprio Garibaldi em suas batalhas".
"Quase não acreditei quando olhei para
trás e vi 300 homens montados, cinco canhões e barcos de 12 metros de altura!",
conta o ator Tarcísio Filho, intérprete do Capitão Netto, um dos homens de confiança
do líder farrapo Bento Gonçalves, que na minissérie será interpretado pelo estreante
ator gaúcho Werner Schünemann. "Um pouquinho de sotaque vai trazer mais clima à
história", explica Monjardim, que optou por rechear a trama com atores do Sul do
País.
Além de Werner, os também gaúchos Zé
Victor Castiel, Marcos Barreto e Manuela do Monte estão no time dos novos rostos que o
diretor fez questão de apadrinhar. "Temos dez atores chegando na tevê", diz
ele. "Meu propósito é revelar pessoas de talento que há anos trabalham no meio mas
ainda não foram reconhecidas."
Mais anônimos ainda são os peões de
Uruguaiana, no interior do Rio Grande do Sul, que também viraram estrelas ao participarem
das gravações. "Ao todo recrutamos cerca de 2.500 figurantes, sobretudo homens que
tivessem boa montaria", conta a gerente de produção da Globo, Cláudia Braga.
Junto com seus "guerrilheiros de primeira
viagem", Monjardim colocou um elenco estelar, bastante inspirado no casting de 'O
Clone', que o diretor assinou em 2002. A primeira da lista é Giovanna Antonelli,
novamente no papel de heroína. "A Jade acabou, quero que o público a
esqueça", avisa a atriz que teve de passar os últimos três meses freqüentando
aulas de esgrima, luta e montaria para encarnar Anita Garibaldi, uma das pontas do
triângulo amoroso da história.
Em outro vértice está Thiago Lacerda. Na
pele de Garibaldi o ator vai mostrar a luta do lendário italiano pela causa separatista
dos gaúchos, sem, é claro, perder a pose de galã. "Garibaldi vai descobrir nos
campos de batalha que Anita é a mulher ideal para ele, uma companheira de verdade",
diz Lacerda.
Para disputar o amor do bonitão com Giovanna,
Monjardim escolheu a novata Camilla Morgado, que debuta na tevê como a doce Manuela.
"É mais eficiente e interessante abordar a história do nosso País falando de
emoção e dos dramas humanos que permeiam os fatos históricos", argumenta a
dramaturga Maria Adelaide Amaral, que divide com Walter Negrão a autoria do roteiro de 'A
Casa das Sete Mulheres', inspirado na obra homônima de Letícia Wierzchowski.
São de Manuela os olhos que Monjardim tomou
emprestados para mostrar a guerra sob a ótica das mulheres, que não conheceram os campos
de batalha mas tiveram de travar uma luta de dez anos contra a angústia de esperar pela
volta definitiva de seus homens.
"Narrar uma história como essa é uma
responsabilidade muito grande, mas eu procuro não pensar nisso", diz Camilla, que
tem no currículo dez anos de experiência teatral nos palcos do Rio. "Confio no
Jayme, se ele me escolheu para este papel, deve achar que estou pronta".
(
© Jornal da Tarde)
| Um
pouco de açúcar e lágrimas na história |
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A Globo aposta pelo quarto ano consecutivo em uma minissérie histórica para abrir a
programação noturna do ano. Começou com A Muralha, em 2000, que girou pelos
35 pontos de audiência e revelou o talento de Maria Adelaide Amaral na adaptação de
obras literárias para a tevê. O sucesso fez com que a emissora investisse em produções
arrojadas. Em 2001 Maria Adelaide adaptou Os Maias, que custou R$ 200 mil por
capítulo. Em janeiro deste ano veio O Quinto dos Infernos, de Carlos
Lombardi, que aboliu a fidelidade histórica e marcou 39 pontos com uma mistura de humor e
erotismo.
A Casa das Sete Mulheres vem com
uma proposta ousada: manter o sucesso sem ferir a história. Estamos consolidando
uma nova fase, diz Monjardim. A emissora se dispõe a gastar com os melhores
recursos tecnológicos para contar a história que fica esquecida nos livros. São
fatos históricos permeados por ingredientes televisivos: paixões açucaradas, amores
proibidos, mocinhos e mocinhas bem bonitos e dramas pessoais. É preciso ressaltar
que todos os personagens existiram de verdade e que as cenas históricas foram
reproduzidas fielmente.
O envolvimento de Perpétua, personagem de
Daniela Escobar, com um homem casado é uma das histórias que ganham tempero diferente.
No original Perpétua conhece o amado quando ele já é viúvo, conta Daniela,
que leu dezenas de livros para compor a personagem. Antes da pesquisa, Bento
Gonçalves, para mim, era só o nome de uma rua de Porto Alegre. A licença poética
também serve de escada rumo aos bons índices de audiência. Estreamos com apenas
12 capítulos gravados, avisa Monjardim. E se os dramas das sete mulheres de Bento
Gonçalves não comoverem o público, haverá como socorrer a trama enveredando por outros
núcleos do seriado, como os campos de batalha e a paixão entre Garibaldi e Anita.
Com 52 capítulos, Casa pode ser considerada uma mininovela. Natural que
seja tratada como uma obra aberta, justifica o diretor.
(© Jornal da Tarde) |