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Um campo de amor e guerra nos pampas

27/12/2002

Anita Garibaldi

 

A Rede Globo estréia em janeiro 'A Casa das Sete Mulheres', superprodução que conta a participação de Giuseppe e Anita Garibaldi na Guerra dos Farrapos. Com cada capítulo custando o dobro do de uma novela, a minissérie reuniu 2,5 mil figurantes e um time de estrelas como Thiago Lacerda e Giovanna Antonelli

GIULIANA REGINATTO

   Até o diretor Jayme Monjardim estava cansado da expressão "amore mio" que Thiago Lacerda vivia repetindo em 'Terra Nostra', de 2000, quando o ator interpretava o italiano Matteo. Mesmo assim escalou o moço para viver outro imigrante italiano: o revolucionário Giuseppe Garibaldi, protagonista da minissérie 'A Casa das Sete Mulheres' que a Globo coloca no ar de 7 de janeiro a 4 de abril, de terça a sexta-feira, sempre às 23h.

   "Desta vez o público vai ver Lacerda na guerra, berrando 'Andiamo, andiamo!' para suas tropas", garante Monjardim, que se prepara para contar a história da 'Guerra dos Farrapos' com toques de superprodução: cada capítulo saiu pelo dobro do custo médio de um capítulo de novela das 20h, R$ 100 mil. "É o trabalho mais audacioso que já dirigi em 25 anos de carreira", diz o diretor. "Acho que tive mais trabalho para comandar aquele monte de gente nas cenas do que o próprio Garibaldi em suas batalhas".

   "Quase não acreditei quando olhei para trás e vi 300 homens montados, cinco canhões e barcos de 12 metros de altura!", conta o ator Tarcísio Filho, intérprete do Capitão Netto, um dos homens de confiança do líder farrapo Bento Gonçalves, que na minissérie será interpretado pelo estreante ator gaúcho Werner Schünemann. "Um pouquinho de sotaque vai trazer mais clima à história", explica Monjardim, que optou por rechear a trama com atores do Sul do País.

   Além de Werner, os também gaúchos Zé Victor Castiel, Marcos Barreto e Manuela do Monte estão no time dos novos rostos que o diretor fez questão de apadrinhar. "Temos dez atores chegando na tevê", diz ele. "Meu propósito é revelar pessoas de talento que há anos trabalham no meio mas ainda não foram reconhecidas."

   Mais anônimos ainda são os peões de Uruguaiana, no interior do Rio Grande do Sul, que também viraram estrelas ao participarem das gravações. "Ao todo recrutamos cerca de 2.500 figurantes, sobretudo homens que tivessem boa montaria", conta a gerente de produção da Globo, Cláudia Braga.

   Junto com seus "guerrilheiros de primeira viagem", Monjardim colocou um elenco estelar, bastante inspirado no casting de 'O Clone', que o diretor assinou em 2002. A primeira da lista é Giovanna Antonelli, novamente no papel de heroína. "A Jade acabou, quero que o público a esqueça", avisa a atriz que teve de passar os últimos três meses freqüentando aulas de esgrima, luta e montaria para encarnar Anita Garibaldi, uma das pontas do triângulo amoroso da história.

   Em outro vértice está Thiago Lacerda. Na pele de Garibaldi o ator vai mostrar a luta do lendário italiano pela causa separatista dos gaúchos, sem, é claro, perder a pose de galã. "Garibaldi vai descobrir nos campos de batalha que Anita é a mulher ideal para ele, uma companheira de verdade", diz Lacerda.

   Para disputar o amor do bonitão com Giovanna, Monjardim escolheu a novata Camilla Morgado, que debuta na tevê como a doce Manuela. "É mais eficiente e interessante abordar a história do nosso País falando de emoção e dos dramas humanos que permeiam os fatos históricos", argumenta a dramaturga Maria Adelaide Amaral, que divide com Walter Negrão a autoria do roteiro de 'A Casa das Sete Mulheres', inspirado na obra homônima de Letícia Wierzchowski.

   São de Manuela os olhos que Monjardim tomou emprestados para mostrar a guerra sob a ótica das mulheres, que não conheceram os campos de batalha mas tiveram de travar uma luta de dez anos contra a angústia de esperar pela volta definitiva de seus homens.

   "Narrar uma história como essa é uma responsabilidade muito grande, mas eu procuro não pensar nisso", diz Camilla, que tem no currículo dez anos de experiência teatral nos palcos do Rio. "Confio no Jayme, se ele me escolheu para este papel, deve achar que estou pronta".

(© Jornal da Tarde)

Um pouco de açúcar e lágrimas na história
  

   A Globo aposta pelo quarto ano consecutivo em uma minissérie histórica para abrir a programação noturna do ano. Começou com ‘A Muralha’, em 2000, que girou pelos 35 pontos de audiência e revelou o talento de Maria Adelaide Amaral na adaptação de obras literárias para a tevê. O sucesso fez com que a emissora investisse em produções arrojadas. Em 2001 Maria Adelaide adaptou ‘Os Maias’, que custou R$ 200 mil por capítulo. Em janeiro deste ano veio ‘O Quinto dos Infernos’, de Carlos Lombardi, que aboliu a fidelidade histórica e marcou 39 pontos com uma mistura de humor e erotismo.

   ‘A Casa das Sete Mulheres’ vem com uma proposta ousada: manter o sucesso sem ferir a história. “ Estamos consolidando uma nova fase”, diz Monjardim. “A emissora se dispõe a gastar com os melhores recursos tecnológicos para contar a história que fica esquecida nos livros”. São fatos históricos permeados por ingredientes televisivos: paixões açucaradas, amores proibidos, mocinhos e mocinhas bem bonitos e dramas pessoais. “É preciso ressaltar que todos os personagens existiram de verdade e que as cenas históricas foram reproduzidas fielmente”.

   O envolvimento de Perpétua, personagem de Daniela Escobar, com um homem casado é uma das histórias que ganham tempero diferente. “No original Perpétua conhece o amado quando ele já é viúvo”, conta Daniela, que leu dezenas de livros para compor a personagem. “Antes da pesquisa, Bento Gonçalves, para mim, era só o nome de uma rua de Porto Alegre”. A licença poética também serve de escada rumo aos bons índices de audiência. “Estreamos com apenas 12 capítulos gravados”, avisa Monjardim. E se os dramas das sete mulheres de Bento Gonçalves não comoverem o público, haverá como socorrer a trama enveredando por outros núcleos do seriado, como os campos de batalha e a paixão entre Garibaldi e Anita. “Com 52 capítulos, ‘Casa’ pode ser considerada uma mininovela. Natural que seja tratada como uma obra aberta”, justifica o diretor.

(© Jornal da Tarde)

 

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