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Papa intercede por condenado à morte

14/09/2000

 

 

ROMA - O apelo de João Paulo II ao governador do estado americano de Virgínia, James Gilmor, invocando clemência para Derek Rocco Barnabei, condenado a morrer na noite de hoje no presídio de Greensville por ter sido julgado assassino de sua namorada, Sarah Wisnosky, pode ser considerado a última esperança de sucesso da grande campanha iniciada na Itália há mais de dois meses por movimentos populares, partidos e líderes políticos de todas as tendências, e até pelo presidente da República, Carlo Azeglio Ciampi, contra a pena de morte nos EUA.

Ontem, pela terceira vez nos últimos dois meses, no discurso pronunciado em varias línguas durante sua audiência semanal, o papa deu ainda maior força ao apelo em favor de Barnabei, americano de 33 anos de origem italiana, que continua a se proclamar vítima de um complô urdido e executado por policiais da Virgínia, que com o Texas e a Flórida se distingue como um dos estados mais inflexíveis na aplicação e execução de sentenças de morte. Desta vez, João Paulo II preferiu não usar os canais diplomáticos para transmitir seu apelo. Não se limitou a pedir clemência para Barnabei. Pela primeira vez em seu pontificado, quis rejeitar e condenar a pena de morte como método e instrumento da justiça dos homens.

Meios - "No espírito de clemência que é próprio do Ano Jubilar, uno mais uma vez minha voz àquela de quantos pedem que não se tire a vida do jovem Derek Rocco Barnabei. Desejo além disso que se chegue a renunciar ao recurso da pena capital, uma vez que o Estado dispõe hoje de outros meios para reprimir eficientemente o crime, sem negar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir", disse o pontífice.

Sem perda de tempo, minutos após o apelo do papa transmitido em mais de 20 línguas pela Radio Vaticano para o mundo inteiro, o ministro do Exterior, Lamberto Dini, voltou a dizer que o governo italiano apóia incondicionalmente o pedido de clemência de João Paulo II. Citando uma frase do escritor americano Ernest Hemingway ("A morte de um homem me diminui"), Dini sugeriu pressões de toda a comunidade internacional para salvar Barnabei da morte: "Acho que se a comunidade internacional se mobiliza diante dos genocídios, deve fazer o mesmo por um homem só. Todos devemos ser sensíveis diante da morte de um só individuo; devemos insistir até o último minuto, enquanto a mão do carrasco não tiver eliminado a última esperança".

União - Esta não foi a primeira nem será a última vez que os italianos põem de lado divergências, antipatias e tantos antagonismos que os dividem e se unem contra a pena de morte. Especialmente quando ela é autorizada e praticada em nome da Justiça americana. "Não se mata dessa maneira nem mesmo um assassino" - concluiu assim, com inusitada veemência, o breve e agressivo editorial do diretor do telejornal da RAI-Uno, o de maior audiência no país.

Nas últimas semanas perdeu-se a conta das delegações de parlamentares, de personalidades da cultura, do teatro e dos esportes que foram aos EUA para transmitir apelos ao governador da Virgínia ou para visitar Barnabei no corredor da morte. (Araújo Netto, AJB)


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