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Dias quer refazer o percurso de suas obras

14/09/2000

 

 

Nômade por natureza, Antonio Dias acabou montando três ateliês diferentes, no Brasil, na Itália e na Alemanha. "Em Colonia, metade do espaço é tomado por caixotes, com obras recentemente expostas, e outras que ficam permanentemente em trânsito", conta. Em Milão, o artista reserva um cômodo da casa para a reserva técnica de seu arquivo fotográfico. "Sempre tive a preocupação de documentar minha obra, a fim de preservar sua memória. Infelizmente, perdi de vista trabalhos de que gostava porque não sei para quem foram vendidos ou onde foram parar".

Bom de memória, Dias lembra de ter vendido para um técnico de futebol da Suécia três quadros grandes, em preto e branco, do início dos anos 70. Depois de alguns contatos com galeristas internacionais, ele acabou encontrando o colecionador. "Para a minha surpresa, ele ainda tinha os quadros. Foi um grande prazer ver que ele ainda curte a minha obra." A descoberta foi uma exceção, já que nem sempre as galerias informam o paradeiro das obras ou mesmo os nomes dos colecionadores que as adquiriram. "Muitas vezes, o sigilo existe para que o colecionador não procure comprar diretamente com o artista."

No ateliê do Rio, atualmente em reforma, ficam as produções recentes e "alguns trabalhos de que mais gosto", diz o artista, que dedicou às paredes cariocas sua coleção de arte moderna e contemporânea brasileira. "Outro dia contei mais de 70 trabalhos espalhados pela casa." Merecem destaque as obras de José Resende, Sergio Camargo, Iole de Freitas, Amilcar de Castro, Nelson Felix e Leonilson.

Embora goste da experiência de morar em cidades em outros países, Dias revela que só não fixaria residência em Nova Iorque. "Passei três períodos lá e não gostei", admite. "É uma cidade em que você só pode fazer uma coisa por dia, porque a locomoção é difícil e além do mais o custo de vida é alto." Os problemas não param por aí. "Detesto essa coisa Wasp, do branco americano que tem preconceito contra os latinos."

Nesse ponto, a Itália parece bem mais atraente. "Quando cheguei lá em 1968, não via um crioulo na rua. Hoje, as esquinas de Milão estão cheias. No meu bairro, conheço um negro que já teve filhos com cinco italianas diferentes. Eles gostam da mistura do café com leite", brinca o artista. (G.A., AJB)


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