O atacante Warley e o
lateral-direito Alberto, da Udinese, se movimentam para não ficar sem
emprego. Receosa com a chance de ver dois de seus jogadores expulsos do
país, a diretoria do clube italiano agiu e, de uma tacada, emprestou
Warley ao Grêmio e orientou Alberto sobre como acertar sua situação. A
dupla desembarcou no Brasil anteontem disposta a seguir os “conselhos”,
mas não a falar sobre o assunto.
A trama começou quando, há uma semana, Warley e Alberto foram
retidos no Aeroporto Internacional de Varsóvia, Polônia, sob suspeita de estarem usando
passaportes portugueses falsificados. Sem alternativa diante da iminência de um desfecho
ruim, o primeiro ato foi se curvar à insistência do Grêmio que desde o começo
deste mês tornou público o interesse pelo atacante. O segundo é mais complicado e
requer um certo tempo para acabar.
Warley vinha atuando pela Udinese e fez o gol da vitória por 1 a 0
na partida contra o Varsovia, um dia após o episódio da documentação. Mesmo assim, o
time aceitou a oferta gremista e o cedeu por empréstimo de 10 meses em troca, deve
receber cerca de US$ 600 mil. Durante sua apresentação em Porto Alegre, no final da
tarde de ontem, Warley respondeu todas as perguntas, exceto as relacionadas ao caso.
Sem comentários
Eu sou a vítima, resumiu, sem esclarecer o que
realmente aconteceu na Polônia. O máximo que o atacante aceitou comentar foi que os
advogados da Udinese estão cuidando do problema e, também, que a ordem de não falar
partiu do clube. Segundo ele, o silêncio foi a única orientação repassada pela
diretoria italiana.
No Rio Grande do Sul, os dirigentes gremistas acreditam que o
incidente não vai interferir na transferência. Tudo foi acertado e a papelada
está encaminhada, disse o assessor Sérgio Chiller. A expectativa é de que Warley
possa estrear sábado, contra o Vitória, em casa, pela Copa João Havelange.
Já o futuro de Alberto pode continuar sendo na cidade de Udine,
pelo menos nos próximos quatro anos. A Udinese não quer liberá-lo para outra equipe e,
por isso, o lateral veio ao Brasil buscar o visto de trabalho temporário. Alberto
desembarcou no começo da tarde de anteontem em São Paulo, mas não foi encontrado.
Em Oliveira, interior de Minas Gerais, apenas a mãe tentava dar
explicações. Ele me ligou, disse que estava tudo bem, que veio para acertar os
documentos e que voltaria para a Itália assim que ficasse tudo pronto, afirmou
Margarida Soares do Carmo.
A mãe declarou que Alberto provavelmente estaria em companhia do
empresário Juan Figer. O padrinho dele (Francisco) comentou que o Juan ajudaria com
a papelada.
O escritório de Juan Figer cuida dos interesses de Alberto, Warley
e ainda do corintiano Edu. Recentemente, os três estiveram envolvidos em supostas
falsificações de passaportes portugueses, apesar da negativa do empresário em ter
qualquer participação nos escândalos.
Para conseguir visto, o Consulado Italiano em São Paulo precisa
receber um pedido do Comitê Olímpico Nacional Italiano. Depois, Alberto ganha
autorização para trabalhar na Itália por quatro anos período de duração do
seu contrato com a Udinese. (AE)