ROMA - Uma corte de apelação italiana
libertou um major argentino da reserva detido no país devido a suspeitas de sua
participação no desaparecimento de franceses na Argentina em 1976, afirmou o advogado
dele na terça-feira.
Jorge Olivera, que era major durante o regime militar que dominou a
Argentina de 1976 a 1983, foi libertado da prisão de Regina Coeli, na região central de
Roma (capital italiana), na segunda-feira à noite.
Olivera foi detido em agosto no aeroporto da cidade a pedido da
França quando voltava para seu país após passar férias na Europa.
O advogado de defesa dele, Marcantonio Bezicheri, afirmou à Reuters
esperar que o tribunal também rejeite o pedido de extradição feito pela Justiça
francesa. Na Itália, o texto das sentenças só é divulgado dias depois de elas terem
sido estabelecidas.
"Não vi o texto da decisão, mas acredito que a corte deve
tê-lo libertado porque considerou que as acusações haviam prescrito", afirmou
Bezicheri. "Se for isso, o pedido de extradição será rejeitado."O major
argentino da reserva negou ser culpado. Segundo o advogado, a França pode continuar com
processo contra Olivera mesmo se que a Justiça italiana rejeite o pedido de extradição.
A França acusa Olivera de estar envolvido no desaparecimento de
Marie Anne Erize, uma jovem modelo francesa que sumiu na Argentina em 1976. Erize foi uma
dos 15 mil a 30 mil esquerdistas que foram mortos ou "desapareceram"durante a
repressão que se seguiu ao golpe militar argentino. (Andrew Quinn, Reuters)