ROMA. Sinais de fumaça
no Vaticano sugerem que está em andamento uma reorganização dos escalões
superiores da Igreja Católica para enfrentar o futuro. A indicação mais
forte foi a nomeação de um assessor próximo ao Papa João Paulo II, o
bispo Giovanni Battista Re, de 66 anos, para vice-secretário de Estado,
uma espécie de chefe de Gabinete do Vaticano. Na semana passada, o
bispo, um diplomata de carreira do Vaticano, foi encarregado de comandar
o escritório que seleciona bispos, um posto poderoso que quase
certamente vai resultar em sua elevação ao cardinalato.
Essa mudança administrativa, motivada pela renúncia do cardeal
brasileiro Lucas Moreira Neves, de 75 anos, por motivo de saúde, também sugeriu uma
profunda conscientização da frágil saúde do Papa, que tem 80 anos.
O número de cardeais com menos de 80 anos - e conseqüentemente aptos a
votar e serem eleitos num conclave para eleger um novo papa - diminuiu para cem, do
máximo de 120 permitidos. Isso significa que João Paulo II pode em breve nomear até 20
cardeais dentro da faixa etária eleitoral.
O agitado calendário do Ano Santo não arrefeceu as preocupações da
administração da Igreja Católica com o processo de seleção de cardeais, que se espera
completar em fevereiro.
- Só se fala de cardeais e de quando eles serão nomeados - disse o bispo
Joseph Fiorenza, de Galveston-Houston, nos Estados Unidos.
O remanejamento de Battista Re, além disso, levou a imprensa italiana a
reavaliar a corrida entre os papabili. Em sua edição de domingo, o diário "La
Repubblica" dividiu os cardeais em sete categorias, incluindo os moderados, os
terceiro-mundistas e os tradicionalistas.
Os vaticanólogos há tempos debatem se os cardeais, baseando-se no
precedente de um papa polonês, poderiam eleger um candidato da África, da Ásia ou da
América Latina, ou se retornarão a um candidato italiano. Mas a suposta e
freqüentemente citada batalha entre liberais e conservadores dentro do Vaticano pode ter
um pouco de exagero. João Paulo II nomeou quase todos os atuais cardeais e eles
compartilham de suas idéias.
O Pontífice, no entanto, não dá sinais de diminuir a intensidade de sua
missão à medida que o Ano Santo se aproxima do fim, dizem funcionários do Vaticano. Nas
últimas semanas, têm sido elaborados planos para uma visita à Armênia este ano ainda
ou em 2001. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Angelo Sodano, disse na semana
passada que o Papa quer reviver seu projeto de fazer uma peregrinação à cidade bíblica
de Ur, no Iraque. A viagem foi cancelada em dezembro porque o Governo de Saddam Hussein
retirou sua permissão. (Alessandra Stanley - New York Times)