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Um "miracolo all’italiana"

22/09/2000

 

 

A família Rosolino tem três restaurantes perto de Napoli. Um é do tio Giorgio e dois do pai de Massimiliano Rosolino, nadador do Canottieri Napoli que havia sido sexto colocado nos 200 m livre e nos 400 m livre em Atlanta/96, virando para os 18 anos. Mas ainda júnior Maxi já apresentava resultados pela Europa, como juvenil. Há dois vem conquistando títulos europeus adultos. Ossos leves, dizem os jornalistas italianos do atleta de 1,92 m e 82 kg. Levíssimos.

    “Rosolinissimo”, já chamam. Seu técnico é Ricardo Siniscalco. Domenico Fioravanti, o “Fiori”, é de Novara, mas também já se mudou para Verona, para o centro de treinamento dirigido pelo técnico Alberto Castagnetti, da equipe olímpica italiana. Tem fibras musculares rápidas, segundo o médico Marco Bonifazi, “mais hidrodinâmica que potência”, batimento cardíaco de 50 por minuto. “É um cavalo puro sangue”, segundo o treinador.

Olimpíada fabulosíssima

    Alberto Castagnetti está relaxado, na piscina de aquecimento do “Palácio dos Sonhos” dos australianos. Diz que depois desta Olimpíada, fabulosíssima para a natação de seu país, simplesmente dará prosseguimento ao programa de treinamento que vem realizando há dois anos. “Nossa próxima meta é o Mundial do Japão, no ano que vem.” Barba sem fazer, estilo “largado”, o técnico admite que as medalhas coletadas foram uma surpresa.

    “Esperava resultados, mas não essas medalhas todas. E claro que os jornalistas acharam um milagre: não sabem quase nada de natação, não acompanham. Viemos aqui para fazer uma boa apresentação, por uma medalha, sim, mas não esperávamos tudo isto. Elas acabaram sendo conseqüência de trabalho, do trabalho de toda uma equipe, mas também dos atletas, que se interessam pelo que fazem.”

    O trabalho realizado no Centro de Treinamento de Verona tem o apoio do Comitê Olímpico Italiano, o CONI. Lá, além dos treinos, são realizadas palestras. “Tem restaurante”, emenda o técnico, que costuma falar que seus atletas não têm nada a ver com doping, mas com spaghetti. “O círculo de atletas de altíssimo nível técnico ainda é restrito: cinco, seis, sete, oito. Mas cada um treina em seu clube. Só nos encontramos em Verona para períodos de treino coletivo.

    Entre o ano passado e este, por exemplo, fizemos cinco ciclos de 25 dias cada um, em novembro, janeiro, abril, maio e junho/julho. Os pesquisadores aproveitam para fazer suas pesquisas com relação a biomecânica, potência...” Na maior parte das vezes os treinos são na piscina de 25 metros, que é coberta – a olímpica fica ao ar livre. E os nadadores italianos são, na maioria, militares. Recebem para treinar mais ou menos o mesmo que um policial recebe, garante Castagnetti, acrescentando que muitos estudam também.

Medalha vale US$ 100 mil

    A Federação italiana de Natação recebe do CONI cerca de US$ 10 mil por ano, mas paga prêmios a seus nadadores por resultados. Em Sydney, uma medalha de ouro vale US$ 100 mil. “Mas só vale a de ouro.”

    Esta Olimpíada está sendo excepcional e excepcional para a nossa equipe, recordes mundiais como nunca e ouros para nós. Tudo é resultado de técnicas de treinamento mais desenvolvidas, de tecnologia, de cultura também. Os nadadores australianos, por exemplo, estão sob uma superpressão e sabem lidar com isso, têm tranqüilidade, o que é muito importante.

    Não é a piscina, que não é tão veloz como dizem porque as ‘salsichas’ divisórias das raias estão muito baixas, o que não é bom, faz ondas.” De toda forma, emenda o treinador, não existe nem comparação com Atlanta/96. “Aquela não foi uma Olimpíada de qualidade. Mas a natação está em seu caminho, com um trabalho de altíssimo nível em primeiro lugar de importância, ficando as conseqüências para serem vistas em resultados.”

Um mês de férias

    Depois de Sydney – a sexta Olimpíada do teinador – todos terão direito a um mês de férias para recomeçar o trabalho em seguida, visando ao Mundial do Japão. “O que vai mudar depois daqui? Na Itália, não mudará nada. Lá, é o futebol que conta. Dois ou três atletas são heróis por um mês, é todo um entusiasmo. Depois, ninguém mais se lembra deles. Não se fala mais de natação.”

    Pessimista, Alberto Castagnetti, 30 anos como técnico, 12 deles na Federação Italiana de Natação? Começamos um bom trabalho com a natação italiana em 1990, pensando em atletas de elito. Mantivemos um ou dois no alto, no mais alto nível competitivo e vamos seguindo. Mas não vai mudar nada. Pessimista? Eu conheço a Itália!”   (AE)


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