A família Rosolino tem
três restaurantes perto de Napoli. Um é do tio Giorgio e dois do pai de
Massimiliano Rosolino, nadador do Canottieri Napoli que havia sido sexto
colocado nos 200 m livre e nos 400 m livre em Atlanta/96, virando para
os 18 anos. Mas ainda júnior Maxi já apresentava resultados pela Europa,
como juvenil. Há dois vem conquistando títulos europeus adultos. Ossos
leves, dizem os jornalistas italianos do atleta de 1,92 m e 82 kg.
Levíssimos.
Rosolinissimo, já chamam. Seu técnico é Ricardo
Siniscalco. Domenico Fioravanti, o Fiori, é de Novara, mas também já se
mudou para Verona, para o centro de treinamento dirigido pelo técnico Alberto
Castagnetti, da equipe olímpica italiana. Tem fibras musculares rápidas, segundo o
médico Marco Bonifazi, mais hidrodinâmica que potência, batimento cardíaco
de 50 por minuto. É um cavalo puro sangue, segundo o treinador.
Olimpíada fabulosíssima
Alberto Castagnetti está relaxado, na piscina de aquecimento do
Palácio dos Sonhos dos australianos. Diz que depois desta Olimpíada,
fabulosíssima para a natação de seu país, simplesmente dará prosseguimento ao
programa de treinamento que vem realizando há dois anos. Nossa próxima meta é o
Mundial do Japão, no ano que vem. Barba sem fazer, estilo largado, o
técnico admite que as medalhas coletadas foram uma surpresa.
Esperava resultados, mas não essas medalhas todas. E claro
que os jornalistas acharam um milagre: não sabem quase nada de natação, não
acompanham. Viemos aqui para fazer uma boa apresentação, por uma medalha, sim, mas não
esperávamos tudo isto. Elas acabaram sendo conseqüência de trabalho, do trabalho de
toda uma equipe, mas também dos atletas, que se interessam pelo que fazem.
O trabalho realizado no Centro de Treinamento de Verona tem o apoio
do Comitê Olímpico Italiano, o CONI. Lá, além dos treinos, são realizadas palestras.
Tem restaurante, emenda o técnico, que costuma falar que seus atletas não
têm nada a ver com doping, mas com spaghetti. O círculo de atletas de altíssimo
nível técnico ainda é restrito: cinco, seis, sete, oito. Mas cada um treina em seu
clube. Só nos encontramos em Verona para períodos de treino coletivo.
Entre o ano passado e este, por exemplo, fizemos cinco ciclos de 25
dias cada um, em novembro, janeiro, abril, maio e junho/julho. Os pesquisadores aproveitam
para fazer suas pesquisas com relação a biomecânica, potência... Na maior parte
das vezes os treinos são na piscina de 25 metros, que é coberta a olímpica fica
ao ar livre. E os nadadores italianos são, na maioria, militares. Recebem para treinar
mais ou menos o mesmo que um policial recebe, garante Castagnetti, acrescentando que
muitos estudam também.
Medalha vale US$ 100 mil
A Federação italiana de Natação recebe do CONI cerca de US$ 10
mil por ano, mas paga prêmios a seus nadadores por resultados. Em Sydney, uma medalha de
ouro vale US$ 100 mil. Mas só vale a de ouro.
Esta Olimpíada está sendo excepcional e excepcional para a nossa
equipe, recordes mundiais como nunca e ouros para nós. Tudo é resultado de técnicas de
treinamento mais desenvolvidas, de tecnologia, de cultura também. Os nadadores
australianos, por exemplo, estão sob uma superpressão e sabem lidar com isso, têm
tranqüilidade, o que é muito importante.
Não é a piscina, que não é tão veloz como dizem porque as
salsichas divisórias das raias estão muito baixas, o que não é bom, faz
ondas. De toda forma, emenda o treinador, não existe nem comparação com
Atlanta/96. Aquela não foi uma Olimpíada de qualidade. Mas a natação está em
seu caminho, com um trabalho de altíssimo nível em primeiro lugar de importância,
ficando as conseqüências para serem vistas em resultados.
Um mês de férias
Depois de Sydney a sexta Olimpíada do teinador
todos terão direito a um mês de férias para recomeçar o trabalho em seguida, visando
ao Mundial do Japão. O que vai mudar depois daqui? Na Itália, não mudará nada.
Lá, é o futebol que conta. Dois ou três atletas são heróis por um mês, é todo um
entusiasmo. Depois, ninguém mais se lembra deles. Não se fala mais de natação.
Pessimista, Alberto Castagnetti, 30 anos como técnico, 12 deles na
Federação Italiana de Natação? Começamos um bom trabalho com a natação italiana em
1990, pensando em atletas de elito. Mantivemos um ou dois no alto, no mais alto nível
competitivo e vamos seguindo. Mas não vai mudar nada. Pessimista? Eu conheço a Itália!
(AE)