Os italianos
trouxeram nove atletas (quatro mulheres e cinco homens) a Sydney e conquistaram quatro
medalhas e três quintos lugares até quinta-feira, um aproveitamento excelente num
torneio de nível técnico elevado. Os medalhistas italianos são Emanuela Pierantozzi
(bronze nos meio-pesados), Yelina Scapin (bronze nos médios), Giuseppe Maddaloni (ouro
nos leves) e Girolamo Giovanazzo (bronze nos meio-leves).
Em todas as lutas os italianos demonstraram conhecer em detalhes o
estilo dos judocas que o Brasil trouxe a Sydney. A prova foi a forma como a meio-pesado
Emanuela Pierantozzi neutralizou os principais golpes da brasileira Edinanci Silva nesta
quinta-feira e levou o bronze olímpico. "O Brasil é uma grande escola de
judô", afirma o técnico da delegação italiana, Sandro Rosati. "Nós sempre
perdemos os confrontos com os brasileiros, mas desta vez conseguimos mudar a
história".
Além de Tiago Camilo e de Edinanci, os italianos estiveram no
caminho da meio-médio Vânia Ishii, que perdeu para a italiana Jennifer Gal na fase de
classificação. Vânia foi para a repescagem e terminou em sétimo lugar. Tânia
Ferreira, leve, cruzou com Cinzia Cavazzuti na repescagem. Perdeu e também ficou sem
medalha.
É justamente mais experiência internacional o que reclama o judoca
Mário Sabino, ao encerrar em sétimo lugar a participação em sua primeira Olimpíada.
Nesta quinta-feira, ele perdeu para o israelense Ariel Zeevi a chance de disputar o
bronze. Foi sua segunda competição como meio-pesado em três anos. Antes da Olimpíada,
Sabino participou apenas de uma Universíade, como meio-pesado. "Tecnicamente não
devemos nada para os estrangeiros", disse Sabino. "A única coisa que eles têm
de diferente em relação a nós, brasileiros, é que participam de mais competições de
alto nível e têm apoio".
Derrotada pela italiana Emanuela Pierantozzi, Edinanci Silva saiu
sem conversar com os jornalistas. Ela era uma das maiores esperanças de medalha na
delegação brasileira, mas repetiu em Sydney o resultado da Olimpíada de Atlanta/96, o
sétimo lugar, com uma diferença: na Olimpíada de 96, Edinanci competiu numa categoria
de peso superior, a dos pesados. O técnico Geraldo Bernardes atribuiu a derrota da judoca
a uma contusão no joelho, sofrida na segunda luta desta quinta-feira. (Roberto Bascchera,
AE)