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Ex-chefe de pool antimáfia fala sobre prisão na Itália

24/09/2000

 

 

Os presos na Itália não ficam nas delegacias de polícia cumprindo pena ou aguardando o pronunciamento da Justiça. Não há invasão a delegacias e presídios para o resgate de criminosos.

    A Itália tem nas prisões 50 mil condenados, 15 mil além da capacidade dos presídios e tenta resolver o problema construíndo mais cadeias. Dos condenados, 25% são os chamados extracomunitários, em sua maioria vindos dos países do Leste Europeu, envolvidos em assaltos, tráfico de drogas, contrabando ou prostituição. As informações foram prestadas pelo procurador Giancarlo Sandro Caselli, ex-chefe do pool antimáfia italiano e há um ano responsável pelo sistema carcerário do país.

    Caselli participa do Congresso Mundial do Ministério Público, em São Paulo, e fará palestra hoje de manhã, no último dia do encontro, sobre o papel do MP na Itália. Os promotores em seu país, segundo ele, são atuantes e destacaram-se muito no pool antimáfia montado em conjunto com os juízes e a polícia.

    As investigações permitiram a desarticulação de setores das Máfias siciliana, napolitana e calabresa. Foram mandados para a cadeia mais de 1.500 mafiosos. Apesar de cuidar hoje dos condenados e da situação dos presídios, Caselli ainda está ligado às apurações dos crimes praticados pelos mafiosos. "O Brasil continua sendo um dos países escolhido para viver pelos criminosos italianos", advertiu.

    O procurador italiano explicou que, para evitar que os mafiosos fossem resgatados ou fizessem ameaças às testemunhas durante os interrogatórios, o Ministério Público passou a utilizar o que eles chamam de videoconferência.

    Os interrogatórios são feitos por circuito interno de televisão. O preso é ouvido pelo juiz sem sair da prisão. "Dessa maneira não há constrangimento para as testemunhas e existe mais segurança para os setores que estão investigando os mafiosos." Ao contráro do Brasil, onde a mulher atua cada vez mais com o crime, na Itália é pequeno o número de mulheres nas prisões. "Grande parte está envolvida com o transporte de drogas", informou Caselli. (Renato Lombardi, AE)


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