Os presos na Itália não
ficam nas delegacias de polícia cumprindo pena ou aguardando o
pronunciamento da Justiça. Não há invasão a delegacias e presídios para
o resgate de criminosos.
A Itália tem nas prisões 50 mil condenados, 15 mil além da
capacidade dos presídios e tenta resolver o problema construíndo mais cadeias. Dos
condenados, 25% são os chamados extracomunitários, em sua maioria vindos dos países do
Leste Europeu, envolvidos em assaltos, tráfico de drogas, contrabando ou prostituição.
As informações foram prestadas pelo procurador Giancarlo Sandro Caselli, ex-chefe do
pool antimáfia italiano e há um ano responsável pelo sistema carcerário do país.
Caselli participa do Congresso Mundial do Ministério Público, em
São Paulo, e fará palestra hoje de manhã, no último dia do encontro, sobre o papel do
MP na Itália. Os promotores em seu país, segundo ele, são atuantes e destacaram-se
muito no pool antimáfia montado em conjunto com os juízes e a polícia.
As investigações permitiram a desarticulação de setores das
Máfias siciliana, napolitana e calabresa. Foram mandados para a cadeia mais de 1.500
mafiosos. Apesar de cuidar hoje dos condenados e da situação dos presídios, Caselli
ainda está ligado às apurações dos crimes praticados pelos mafiosos. "O Brasil
continua sendo um dos países escolhido para viver pelos criminosos italianos",
advertiu.
O procurador italiano explicou que, para evitar que os mafiosos
fossem resgatados ou fizessem ameaças às testemunhas durante os interrogatórios, o
Ministério Público passou a utilizar o que eles chamam de videoconferência.
Os interrogatórios são feitos por circuito interno de televisão.
O preso é ouvido pelo juiz sem sair da prisão. "Dessa maneira não há
constrangimento para as testemunhas e existe mais segurança para os setores que estão
investigando os mafiosos." Ao contráro do Brasil, onde a mulher atua cada vez mais
com o crime, na Itália é pequeno o número de mulheres nas prisões. "Grande parte
está envolvida com o transporte de drogas", informou Caselli. (Renato Lombardi, AE)