BOLZANO, Itália - A múmia mais antiga do mundo, o
homem do gelo chamado Otzi, foi descongelada ontem para os cientistas retirarem amostras
as quais devem fazer com que eles aprendam mais sobre o homem que vagou pelos Alpes há
5.300 anos. Otzi foi encontrado em 1991 numa geleira do vale de Otz, na fronteira
ítalo-austríaca, por dois alpinistas alemães. Ele estava congelado a 3 mil metros acima
do nível do mar.
A múmia foi mantida em condições que
reproduzem o ambiente natural no qual estava preservada. Ela permanece numa câmara
especial no museu arqueológico de Bolzano, à temperatura constante de - 6ºC. No
domingo, essa temperatura foi elevada até 2ºC, permitindo que pesquisadores colhessem
amostras dos ossos, dentes, sangue e outros tecidos.
Estudos
Seis instituições de pesquisa e universidades vão estudar as amostras.
A partir do exame de ossos e sangue, um especialista forense da Universidade de Glasgow
tentará determinar a causa da morte de Otzi. Em Zurique, cientistas analisarão a
presença de chumbo e estrôncio em seus dentes, "pegadas químicas" que podem
revelar mais sobre seu ambiente. Pesquisadores italianos e britânicos examinarão o DNA
da múmia e sua flora intestinal, a qual pode indicar que tipo de comida Otzi ingeria.
Os resultados de alguns dos testes feitos a partir das amostras retiradas
ontem deverão ser conhecidos em seis meses, disse Eduard Egarter Vigl, coordenador da
pesquisa.
A descoberta de Otzi provocou um incidente diplomático entre a
Áustria e a Itália. Primeiramente, ele foi reivindicado pela Áustria e levado para
Innsbruck. Depois que uma pesquisa mostrou que a múmia estava no lado italiano da
fronteira, ela foi transferida para Bolzano. (Reuters, Associated Press e France Presse)
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