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Centro escolhe Rutelli em Roma

27/09/2000

 

 

ROMA - Será mesmo o prefeito de Roma, Francesco Rutelli, o principal adversário de Silvio Berlusconi na disputa pela chefia do governo da Itália que será confiado ao líder da coalizão (de centro-esquerda ou de direita) vitoriosa nas eleições políticas do próximo ano. O primeiro-ministro Giuliano Amato surpreendeu os italianos ao desistir de apresentar-se como candidato a chefiar um novo governo de centro-esquerda.

   O primeiro a ser informado - pelo telefone - da decisão foi o presidente Carlo Azeglio Ciampi. Minutos depois, através de um programa de televisão, Amato tornou pública a comunicação e explicou os motivos que o levaram a renunciar a disputar com Rutelli a preferência dos sete partidos da aliança de centro-esquerda, numa convenção inicialmente prevista para se realizar na segunda quinzena de outubro.

   Tanto quanto as indicações de todas as sondagens e pesquisas, que davam Rutelli como o candidato preferido pelos eleitores de centro-esquerda e inclusive por muitos propensos a abster-se do voto, a decisão de Giuliano Amato foi influenciada pelo receio de provocar novas dilacerações na aliança partidária que se tornou força majoritária no parlamento, desde as eleições de 1996. Principalmente porque muitos continuavam a exprimir graves restrições ao seu nome e aos seus antecedentes políticos, de colaborador muito estimado e ouvido por Bettino Craxi, o líder que se tornou símbolo da degradação e morte do velho Partido Socialista italiano.

   "Sinto-me como libertado de um grande peso. Sei que fiz a coisa certa, sei que fiz a melhor escolha. Uma escolha que ninguém me impôs, que foi desejada e decidida só por mim", disse Amato, que em troca de seu incondicional apoio à candidatura do prefeito de Roma pediu que a mesma maioria partidária que se reconhecerá em Francesco Rutelli o ajude a "governar até o fim da atual legislatura", em abril de 2001.

Luta duríssima

   Francesco Rutelli, romano de 46 anos de idade, conhecido em toda a Itália como bom administrador da maior e mais problemática cidade do país e pelo apelido de Piaccione (o gostosão), estava a bordo do avião que o levava a Sydney para atender a um convite do governo australiano quando foi informado da renúncia de Amato. Tão logo pôde se comunicar com Roma, ditou esta breve declaração: "Será uma honra para mim participar das próximas eleições como o candidato escolhido para dar continuidade ao bom governo iniciado há quatro anos pelo centro-esquerda. Mas devo deixar claro que será uma luta duríssima".

   No momento, a candidatura Berlusconi continua sendo indicada por todas as pesquisas como a preferida pela maioria de cerca 40% dos eleitores que se declaram já decididos a votar. Em compensação, um terço dos 48 milhões de italianos com direito a voto se declaram indecisos ou propensos a abster-se das urnas.

   O lançamento oficial da candidatura de Francesco Rutelli, que começou sua carreira política como militante e parlamentar do Partido Radical, foi eleito e reeleito prefeito de Roma como expoente do partido dos Verdes (votado maciçamente pelos ex-comunistas) e há dois anos ingressou no Partido da Esquerda Democrática liderado pelo ex-primeiro-ministro Romano Prodi, está previsto para 21 de outubro. (Araújo Netto, JB)


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