ROMA - Será mesmo o prefeito de Roma, Francesco
Rutelli, o principal adversário de Silvio Berlusconi na disputa pela chefia do governo da
Itália que será confiado ao líder da coalizão (de centro-esquerda ou de direita)
vitoriosa nas eleições políticas do próximo ano. O primeiro-ministro Giuliano Amato
surpreendeu os italianos ao desistir de apresentar-se como candidato a chefiar um novo
governo de centro-esquerda.
O primeiro a ser informado - pelo telefone - da decisão foi o presidente
Carlo Azeglio Ciampi. Minutos depois, através de um programa de televisão, Amato tornou
pública a comunicação e explicou os motivos que o levaram a renunciar a disputar com
Rutelli a preferência dos sete partidos da aliança de centro-esquerda, numa convenção
inicialmente prevista para se realizar na segunda quinzena de outubro.
Tanto quanto as indicações de todas as sondagens e pesquisas, que davam
Rutelli como o candidato preferido pelos eleitores de centro-esquerda e inclusive por
muitos propensos a abster-se do voto, a decisão de Giuliano Amato foi influenciada pelo
receio de provocar novas dilacerações na aliança partidária que se tornou força
majoritária no parlamento, desde as eleições de 1996. Principalmente porque muitos
continuavam a exprimir graves restrições ao seu nome e aos seus antecedentes políticos,
de colaborador muito estimado e ouvido por Bettino Craxi, o líder que se tornou símbolo
da degradação e morte do velho Partido Socialista italiano.
"Sinto-me como libertado de um grande peso. Sei que fiz a coisa
certa, sei que fiz a melhor escolha. Uma escolha que ninguém me impôs, que foi desejada
e decidida só por mim", disse Amato, que em troca de seu incondicional apoio à
candidatura do prefeito de Roma pediu que a mesma maioria partidária que se reconhecerá
em Francesco Rutelli o ajude a "governar até o fim da atual legislatura", em
abril de 2001.
Luta duríssima
Francesco Rutelli, romano de 46 anos de idade, conhecido em toda a Itália
como bom administrador da maior e mais problemática cidade do país e pelo apelido de Piaccione
(o gostosão), estava a bordo do avião que o levava a Sydney para atender a um
convite do governo australiano quando foi informado da renúncia de Amato. Tão logo pôde
se comunicar com Roma, ditou esta breve declaração: "Será uma honra para mim
participar das próximas eleições como o candidato escolhido para dar continuidade ao
bom governo iniciado há quatro anos pelo centro-esquerda. Mas devo deixar claro que será
uma luta duríssima".
No momento, a candidatura Berlusconi continua sendo indicada por todas as
pesquisas como a preferida pela maioria de cerca 40% dos eleitores que se declaram já
decididos a votar. Em compensação, um terço dos 48 milhões de italianos com direito a
voto se declaram indecisos ou propensos a abster-se das urnas.
O lançamento oficial da candidatura de Francesco Rutelli, que começou
sua carreira política como militante e parlamentar do Partido Radical, foi eleito e
reeleito prefeito de Roma como expoente do partido dos Verdes (votado maciçamente pelos
ex-comunistas) e há dois anos ingressou no Partido da Esquerda Democrática liderado pelo
ex-primeiro-ministro Romano Prodi, está previsto para 21 de outubro. (Araújo Netto, JB)